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Como sucesso do Manchester City fez rivais na Premier League 'mudarem' o padrão de contratações

O domínio do Manchester City no futebol inglês e europeu anunciou uma mudança na política de transferências de seus principais rivais. Depois de assistir a equipe de Pep Guardiola construir seu triplo sucesso com base em um meio-campo formidável, todo mundo agora está tentando contratar meio-campistas.

Na Premier League, sete das 10 maiores transferências até agora neste verão envolveram meio-campistas. Serão oito quando o Arsenal quebrar a barreira das 100 milhões de libras (cerca de R$ 626,5 milhões) pela primeira vez ao concluir a chegada do capitão do West Ham, Declan Rice, nos próximos dias.

O Liverpool contratou Alexis Mac Allister, do Brighton, e Dominik Szoboszlai, húngaro do RB Leipzig, enquanto o Manchester United adicionou Mason Mount, do Chelsea, à sua equipe. O Tottenham fechou um acordo com James Maddison, do Leicester City, e o Newcastle começou a se preparar para sua primeira campanha na Uefa Champions League em 20 anos, concluindo uma transferência recorde de 55 milhões de libras (cerca de R$ 344,6 milhões) por Sandro Tonali.

Não é apenas na Premier League que os clubes estão priorizando esse recrutamento específico. A maior transferência em toda Europa neste verão até agora foi a transferência de 88 milhões de libras (cerca de R$ 551,3 milhões) do Real Madrid para ter Jude Bellingham, do Borussia Dortmund - um acordo que pode eventualmente valer 114 milhões de libras (cerca de R$ 714,2 milhões) com addicionais - o que aponta para a determinação do clube espanhol de destronar City como campeão europeu.

Nesta mesma época, no ano passado, o foco estava nos atacantes. O City concluiu a contratação de Erling Haaland do Dortmund no início da janela de verão, enquanto Arsenal (Gabriel Jesus), Liverpool (Darwin Nunez), Chelsea (Raheem Sterling), Manchester United (Antony), Spurs (Richarlison) e Newcastle (Alexander Isak) todos investiram pesadamente em jogadores de ataque.

Mas enquanto os 52 gols de Erling Haaland em todas as competições justificaram o destaque, o sucesso do City estava enraizado em seu meio-campo. Qualquer um que tenha testemunhado a derrota do City por 4 a 1 sobre o rival mais próximo, o Arsenal, em abril, se lembrará de como o time de Guardiola venceu o jogo ao ultrapassar os Gunners no meio do campo. Foi uma história semelhante quando o Real Madrid foi derrotado por 4 a 0 na segunda partida da semifinal da Liga dos Campeões no Etihad, três semanas depois.

Guardiola teve Rodri atuando como o melhor meio-campista defensivo da Europa, Kevin de Bruyne como um jogador box-to-box incomparável com a habilidade de marcar e criar, e Ilkay Gundogan provando ser igualmente eficaz tanto na defesa quanto no ataque. John Stones encerrou a temporada como outra opção de destaque no setor, e o jovem Rico Lewis também teve um bom desempenho no meio da campanha, enquanto Guardiola também contou com Kalvin Phillips como meio-campista defensivo, além do brilhantismo de Bernardo Silva.

Com tamanha força no centro de campo, não é surpresa que o City tenha encerrado a temporada como tricampeão.

Todas as grandes equipes contaram com meio-campos excelentes - o Manchester United da Tríplice Coroa em 1999, os "Invencíveis" do Arsenal em 2004, o primeiro time do Chelsea de José Mourinho, Guardiola no Barcelona com Xavi, ​​Andres Iniesta e Sergio Busquets e o eixo do meio-campo do Real de Luka Modric, Toni Kroos e Casemiro, e é por isso que o resto agora tenta recuperar o atraso reforçando seus departamentos.

A saída de Gundogan para o Barcelona enfraquecerá o City, independentemente das qualidades de seu substituto, Mateo Kovacic, então talvez a busca por meio-campistas torne a corrida pelo título da Premier League mais acirrada na próxima temporada.

O técnico do Liverpool, Jurgen Klopp, queria começar a reconstrução do meio-campo há 12 meses, mas o foco nos atacantes fez com que ele só pudesse contratar o meio-campista Arthur Melo da Juventus por empréstimo - e essa mudança provou ser um fracasso devido ao histórico de lesões do brasileiro. Mas a adição de MacAllister e Szoboszlai, com o lateral Trent Alexander-Arnold também fazendo a transição para o meio-campo, significa que o Liverpool agora abordou a necessidade de reduzir a idade do setor.

James Milner, Alex Oxlade-Chamberlain e Naby Keita saíram, mas os novos rostos, ao lado da experiência de Jordan Henderson, Fabinho e Thiago Alcântara, oferecem ao Liverpool um conjunto de opções muito mais convincente.

O Arsenal também estará mais forte com Rice adicionando seu poder e energia ao meio-campo. A mistura de Rice e Martin Odegaard, com a experiência de Jorginho e Thomas Partey, dá ao Arsenal a chance de garantir que não será derrotado nesse departamento novamente pelo City nesta temporada.

O United buscará adicionar outro meio-campista para Mount, que trará tenacidade, gols e versatilidade para Erik ten Hag; o inglês já melhorou o time simplesmente por chegar de Stamford Bridge. E não há dúvida de que Maddison e Tonali elevarão os padrões nos Spurs e no Newcastle, respectivamente, nos próximos meses.

O Chelsea é o grande ponto de interrogação, tendo permitido Mount, Kovacic, N'Golo Kanté e Ruben Loftus-Cheek seguirem em frente, mas eles já começaram a se planejar com antecedência com a contratação recorde britânica de 106,8 milhões de librar por Enzo Fernandez em janeiro, além das contratações anteriores de Carney Chukwuemeka e Andrey Santos.

O City ainda é o time a ser batido, mas seus rivais identificaram onde ficaram aquém dos campeões e se moveram para corrigir essas deficiências.

Se o City tivesse vencido a corrida para contratar Bellingham, eles teriam se tornado ainda mais fortes, mas o Real os venceu para ter o jovem inglês e o Arsenal superou seu interesse em Rice, então há esperança para o pelotão perseguidor, porque, assim como na temporada passada, os grandes troféus serão vencidos pela equipe com o meio-campo mais consistente.