São Paulo revive tradição do Paulistão ao viajar de ônibus por 6 horas

O São Paulo terá duas dificuldades a mais no jogo contra o Novorizontino, na noite desta quinta-feira, às 21h (de Brasília), pela segunda rodada do Campeonato Paulista.

A primeira é o clima. A previsão é que a temperatura durante a partida fique próxima de 33 graus. A outra é o desgaste de ter viajado de ônibus por quase seis horas durante 430 quilômetros até São José do Rio Preto.

Aliás, antes da partida, a delegação tricolor aumentará as milhas percorridas. Enfrentará outros 90 quilômetros de estrada para se deslocar do hotel onde está até o estádio Jorge Ismael de Biase, em Novo Horizonte.

Pode parecer no mínimo curioso o clube preferir viajar por estrada e não de avião, mas a logística aérea é mais complicada. Novo Horizonte não tem aeroporto. A opção seria contratar um dos dois voos que saem por dia de São Paulo para São José do Rio Preto.

O Santos optou por fazer isso quando enfrentou o rival do interior no ano passado porque vinha de uma sequência de jogos e viagens na semana. Viajou até São Paulo e depois pegou um avião. Diminuiu muito pouco o desgaste e perdeu um dia de treinos.

Dois anos antes, a equipe santista viajou de ônibus, como São Paulo faz agora e como os tricolores fizeram em 2017, ano em que Jucilei chegou a reclamar da distância. O Corinthians também usou o transporte terrestre para viajar para Novo Horizonte no ano passado.

Já o Palmeiras foi de avião nos dois conforntos que fez na cidade interiorana. Em 2017, fez um plano como o Santos. Isto é, saiu de São Paulo para São José do Rio Preto e depois usou um ônibus. Ano passado, pelas quartas de final, viajou de ônibus até Campinas. Depois foi de avião até São José do Rio Preto e aí enfrentou mais 90 km até a cidade do Novorizontino.

As viagens de ônibus são tradicionais no Estadual até porque a primeira divisão do Paulistão não costuma ter cidades tão distantes como é o caso de Novo Horizonte. O São Paulo mesmo não sofrerá mais com esse problema em 2019. Ao longo de toda a primeira fase visitará só três cidades fora da capital: Campinas (90 km), Bragança Paulista (91 km) e São Caetano do Sul (20 km).

Mas, se por um lado é uma marca do torneio, por outro é ótima para histórias curiosas.

Por exemplo, o rival Corinthians chegou a fazer um evento para inaugurar o "Mosqueteiro", o primeiro ônibus próprio do clube, em 1972. O veículo foi fabricado pela empresa Caio e, ao chegar ao Parque São Jorge, teve festa de recepção, benção na capela e aplausos.

O ônibus era bem moderno para a época. Tinha ar-condicionado, poltronas-camas e até uma geladeira. A viagem de estreia levou o time alvinegro São José dos Campos para enfrentar o São José pelo Paulistão de 1972.

Há também casos para serem esquecidos, como ocorrido com o Santos em 1991.

Naquele ano, a delegação alvinegra enfrentou uma viagem de mais de 700 km para jogar em São José do Rio Preto. A partida era contra o o América-SP. O problema é que o time não estava no litoral paulista. Estava em Brasília.

Alguns dias antes, os santistas tinham disputado uma partida pela Supercopa da Libertadores contra o Argentino Juniors. De lá mesmo saíram de ônibus até o destino final. "Uma viagem de 700 km num ônibus acaba com o humor e a paciência de qualquer um", disse Ramiro Valente, técnico do Santos na época, e que viu sua equipe empatar por 1 a 1 com o adversário.

Dá para afirmar que em 2019 os são-paulinos foram mais precavidos com o conforto da delegação. Dividiram em dois ônibus. Em um veículo com leito estavam os jogadores. No outro, que foi semi-leito, viraram membros da comissão técnica e do departamento de futebol. Eles deixaram a capita paulista logo após o treino da última quarta-feira, por volta das 18h (de Brasília).

Jantaram e dormiram em São José do Rio Preto após quase seis horas de viagem. Somente hoje, cerca de três horas antes do apito inicial, vão para o estádio onde será disputada a segunda rodada do Paulistão.

A programação é voltar para São Paulo logo após a partida.

A preocupação com a volta é até maior porque no próximo domingo o time já encará o primeiro desafio do ano. Enfrentará o Santos, no Pacaembu, pela terceira rodada. E ainda não poderá contar com Hernanes, que aprimora a forma física.