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'Vi o Cuca sofrer muito': ex-técnico do Água Santa conta que pensou em abandonar carreira após goleada em cima do Palmeiras

Neste domingo (2), Água Santa e Palmeiras se enfrentam na Arena Barueri, às 16h, pela partida de ida da decisão do Campeonato Paulista. Apesar da curta história na rivalidade entre os dois times, o Netuno causou ao Verdão um de seus maiores vexames no século XXI logo no primeiro confronto oficial entre ambos.

Em 2016, Água Santa e Palmeiras se enfrentaram em Presidente Prudente ainda pela primeira fase do Paulistão. Na zona de rebaixamento do Estadual e em crise, o Netuno apostou em Marcio Bittencourt. Contratado às pressas, o então treinador só teve um dia de preparação para enfrentar o rival.

“É muito difícil conseguir explicar. Foi um convite de um amigo, Marcos Boccatto, que é muito amigo do presidente do Água Santa. Eles ficaram sem treinador e me fizeram o convite para tentar ajudar”, contou Marcio em entrevista à ESPN. Atualmente, o ex-treinador trabalha como coordenador-técnico na base do Corinthians.

“Quando você pega o clube com muito pouco tempo de trabalho é difícil. Mas a gente foi para enfrentar o Palmeiras. Saí de onde eu estava trabalhando, Atlético Sorocaba, e fui me apresentar correndo em Presidente Prudente para poder fazer o jogo”.

“O Di Fabio que estava lá, que hoje é treinador no sub-15 do Corinthians. Tinha colegas que jogaram comigo e que puderam assessorar em algumas coisas. Onde tinha que melhorar, onde estava ocorrendo algumas falhas. O Di Fabio me ajudou muito nessa época. Porém, eu conhecia muitos atletas que estavam lá, já tinha trabalhado com vários. Isso facilitou”.

Naquele período, o Palmeiras era dirigido por Cuca, que vinha de um início ruim de trabalho, somando três derrotas em suas três primeiras partidas pelo time paulista. Porém, o pior ainda estava por vir. Em Prudente, o Alviverde sofreu com o rival, foi atropelado por 4 a 1 e gerou um "trauma" até mesmo em Marcio Bittencourt, então técnico do Netuno.

“Foi uma grande partida. Não adianta eu falar que esperava que iria acontecer tudo aquilo. É mentira. De maneira de nenhuma. Foi um dos momentos em que eu comecei a parar e pensar se valeria a pena continuar como treinador”, revelou.

“Poder ajudar dentro e fora de campo é uma coisa. E aquele dia foi uma das coisas que me fez decidir parar. Não querer mais ser treinador. Vi o Cuca sofrer muito. Em alguns momentos ele olhava para o céu como quem dizia ‘meu Deus’. A gente não estava acreditando no que estava acontecendo”.

Marcio foi além e contou que uma cena específica de Cuca o marcou naquele dia. “A cena que eu tenho é o Cuca abaixado, do lado do campo. Ele olhava para o céu, colocava a Santa na boca. É duro. Eu me coloquei no lugar dele. Você trabalha, treina e não dá nada certo. Eu recebi ajuda do pessoal do Água Santa. Conhecia o pessoal. A vitória foi do pessoal que foi a campo. Minha contribuição foi muito pouca”.

Após o apito final e a desolação por parte dos palmeirenses, Marcio conta que foi ao gramado, conversou com Cuca e também com demais medalhões do elenco alviverde.

“Eu conversei com o Cuca no final do jogo, conversei com os atletas, com o Zé Roberto, Dracena, com o Prass. Falei para eles levantarem a cabeça, passarem força ao Cuca e irem embora. Era o que poderíamos fazer naquele momento. Todas as bolas que íamos, ou ia na trave, ou o Prass defendia. Sabe os dias que dão tudo certo para nós e tudo errado para eles?”.

“Nós fizemos um treino de posicionamento, linha baixa, para não correr risco. Na nossa cabeça, nós tínhamos que fazer um ponto. E aí vencemos por 4 a 1. É totalmente diferente. Não adianta mentir. A gente entrou para não tomar uma goleada. Por muitos momentos, o Água Santa tirou o pé. No final do jogo, meu meia mandou uma bola na trave e logo em seguida o jogo acabou”, finalizou.

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