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Abel vê injustiça Palmeiras descansar menos do que Novorizontino e é sincero sobre postura no futebol: 'Não sou exemplo'

Abel Ferreira costuma dar declarações longas e sinceras após as partidas do Palmeiras. Após a vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo, neste domingo (1º), pela semifinal do Paulista, não foi diferente.

Quando questionado sobre a final contra o Novorizontino, na próxima quarta-feira (4) o duelo de ida, com a grande decisão no domingo (8), o português reclamou do tempo de descanso de cada time.

Enquanto o Novorizontino atuou no sábado e descansou o dia seguinte, o Verdão estava em campo, tendo um dia a menos de recuperação visando a final.

"O futebol brasileiro não deixa as equipes recuperarem, não vou defender ninguém, vou defender aqui o que é a minha ideia e verdade que eu defendo. Eu não acho justo uma equipe que vai jogar com outra, quando estamos jogando para decidir, como foi o caso de Corinthians x Novorizontino, uma equipe ter mais um dia que a outra de descanso", disse Abel, para completar.

"No mínimo tem que ter três (dias). A única coisa que eu peço é quem organiza e decide, se quiser olhar para o espetáculo, se quiser olhar e valorizar o espetáculo, e não só valorizar a audiência, se quiser olhar de forma equilibrada, audiência/espetáculo, tem que dar no mínimo três dias", afirmou.

Ainda no desabafo, Abel Ferreira falou sobre comportamento no esporte. E citou até mesmo Ayrton Senna para dizer que não é um exemplo quando a bola rola.

"É por isso que trabalhamos e muitas vezes deixamos a família em casa, chegamos em casa às 3, 4 da manhã, não gostava, não quero, sinto falta de privação de sono e por isso que muitas vezes sou chato e irritado, em uma semana em que você tem três, quatro jogos, são quase três noites sem dormir, não consigo dormir depois dos jogos. Isso depois reflete naquilo que são meus comportamentos, sobretudo em competição".

"Já estou há tempo suficiente no Brasil e achava que vocês já me conheciam o suficiente, mas não me conhecem. Mas eu vou lhes dizer, eu quero mesmo falar sobre isso. Um dos meus ídolos vocês sabem quem é, Ayrton Senna, e naquilo que tem a ver fora da competição, foi dos maiores corações que eu já vi, mas competindo bateu em pilotos e ganhou um campeonato mundial metendo o cotovelo na cara do Prost. Não me venham falar, competindo eu não sou um exemplo, eu estou competindo, não estou na igreja, estou competindo".

"Muitas vezes não sou o melhor exemplo, mas sabem o Pateta? Que é um cara espetacular, mas quando pegava no carro se transformava. Às vezes eu até sou Pateta, mas quando quero ser Pateta, eu sou. É o que acontece quando estou competindo, eu odeio perder, mas é contra o meu pai, minha mãe, minhas filhas, eu odeio perder. Às vezes me chateio com os meus auxiliares quando jogo paddle, é competir. Eu vou repetir as vezes que forem necessárias: competindo, não sou o melhor exemplo. Modéstia parte, quando não estou em competição, revejo tudo, como o Ayrton Senna faz e fazia, por ele e pelos outros", finalizou.

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