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Palmeiras contra-ataca Governo por omissão em morte de torcedora contra o Flamengo

O Palmeiras contra-atacou na Justiça em uma ação de indenização pela morte da torcedora Gabriela Anelli Marchiano, que morreu antes de um jogo contra o Flamengo. O clube ingressou como réu no processo após pedido do Governo de São Paulo, que foi processado pelo irmão da vítima.

Em petição enviada à 11ª Vara de Fazenda Pública, à qual a ESPN teve acesso, o Palmeiras culpou o Estado pela tragédia e disse que o Governo quer "imputar a um ente privado a responsabilidade por seus atos e omissões". O clube não enxerga nenhuma hipótese legal para sua inclusão no processo.

O clube apresentou a resposta após ter sido notificado pela Justiça e se defendeu dizendo que "todos os fatos ocorreram fora do Allianz, em via pública, antes mesmo da abertura dos portões do estádio para o público torcedor, e por conduta atribuída exclusivamente a terceiro que não possui qualquer relação com o Palmeiras".

O time alviverde acrescentou que não existe previsão na lei que o obrigue a indenizar o Estado caso seja vencido no processo e classificou a alegação do Estado como "descabida".

De acordo com o Palmeiras, foram cumpridas todas as obrigações legais e que a culpa foi "exclusiva de terceiro, no caso a pessoa física condenada criminalmente pelo evento narrado e do próprio Estado, que não cumpriu adequadamente com a obrigação de resguardar a segurança pública".

O clube destacou ao Judiciário que cumpriu todas as medidas de responsabilidade. "Todas as obrigações atribuídas ao Palmeiras foram cumpridas e o clube não tem qualquer relação (e muito menos responsabilidade) com os lamentáveis fatos narrados", continuou a defesa do clube.

"Inclusive, a própria Polícia Militar, ao fornecer informações para defesa do Estado nestes autos, afirmou que as estruturas de segurança foram montadas pelo Palmeiras e o principal motivo pelo confronto narrado na Inicial foi a atitude hostil dos próprios torcedores que agrediram as pessoas pertencentes à torcida oponente", disse o time alviverde.

Segundo o clube, foram colocados à disposição 110 seguranças e mais 286 orientadores determinados pela Polícia Militar. O Palmeiras apontou que, após determinação da PM, providenciou o fechamento de ruas nos arredores.

A Justiça acatou um pedido do Estado de São Paulo para fazer o Palmeiras responder pela morte de uma torcedora em um jogo contra o Flamengo, ocorrido em 8 de julho de 2023.

Processado pelo irmão da vítima a pagar uma indenização de R$ 1 milhão, o governo de São Paulo pediu que o Palmeiras fosse chamado ao processo por ser a entidade desportiva detentora do mando do jogo, o que faria o clube ter responsabilidade objetiva pelos prejuízos sofridos em razão de falha na segurança antes, durante e após o evento.

O tribunal acatou o pedido do Estado, e o clube foi incluído no polo passivo para integrar o processo. O Palmeiras foi procurado pela ESPN e disse que não iria comentar.

Felipe Anelli Marchiano, irmão da vítima, já havia processado o clube no fim de 2024 pela morte de Gabriela. Porém, desistiu da ação de maneira repentina.

Na ação aberta contra o Estado, ele alega que sua irmã era membro de uma organizada do Palmeiras, mas que, no dia 8 de julho de 2023, foi ao Allianz Parque assistir ao jogo contra o Flamengo. Porém, em determinado momento, na entrada do estádio, os portões que separavam as torcidas foram abertos, ocasionando a tragédia.

Ele aponta que o Estado "foi omisso à situação. Houve culpa por omissão, uma vez que existiu negligência em dispor de agentes para o local posicionados no momento oportuno para garantir a segurança". Além disso, não havia nenhuma viatura disponível para intervir no conflito.

Segundo o torcedor, quando os portões foram abertos, não havia presença da Polícia Militar do Choque. "Uma omissão que poderia ter evitado a morte da torcedora, uma vez que as torcidas são tradicionalmente rivais, e, portanto, carecia de aumento da segurança nos arredores".

Ele cobra danos morais de R$ 1 milhão, mais R$ 150 mil em honorários advocatícios.

Gabriella Anelli foi atingida no pescoço por uma garrafa de vidro horas antes de Palmeiras x Flamengo, nos arredores do Allianz Parque. O professor Jonathan Messias Santos da Silva foi detido pelo caso e condenado em maio do ano passado a 14 anos de prisão em regime fechado.

A sentença foi proferida pela juíza Isadora Botti Beraldo Moro, da 5ª Vara do Júri do Foro Central Criminal de São Paulo.

Gabriella Anelli morreu após ser atingida no pescoço por estilhaços de uma garrafa que, de acordo com a investigação do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) da Polícia Civil, foi atirada por Jonathan.

Silva foi ao jogo naquele dia na torcida do Flamengo, entrando no setor visitante do Allianz Parque após a confusão nos arredores do estádio.

Segundo a delegada Ivalda Aleixo, responsável pelo caso, foram usadas imagens do sistema do reconhecimento facial da arena palmeirense e também de câmeras da ESPN para identificar o suspeito.

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