Serena e sem grandes movimentações nos últimos anos, a política do Palmeiras começa a fervilhar nos bastidores em meio a uma possível mudança no estatuto do clube que possibilitaria um terceiro mandato por parte do presidente. Atualmente, a liderança máxima do Alviverde tem direito a apenas uma reeleição.
A alteração tem sido articulada por apoiadores de Leila Pereira, atual mandatária, e chamada de “golpe” pela oposição e até mesmo por conselheiros e aliados da situação, que não veem com bons olhos a ideia de manutenção de poder.
O tema, inclusive, tem sido citado de forma recorrente pela presidente do clube. A mais recente manifestação sobre o assunto aconteceu em reunião da aprovação do orçamento para a temporada 2026, no Conselho Deliberativo. A ESPN teve acesso ao áudio vazado do discurso de Leila e o publicou na íntegra durante a semana.
Uma figura central por trás da articulação em busca de uma mudança estatutária é um nome bastante conhecido na história palmeirense: Mustafá Contursi.
De acordo com apuração da reportagem, o ex-presidente do clube de 1993 a 2005 é “grande fã” da administração de Leila Pereira e gostaria de vê-la no comando do Verdão em um eventual terceiro mandato – que, em tese, seria de 2027 a 2029.
O fato de Mustafá apoiar a mudança de estatuto faz com que o tema ganhe peso e possa se tornar realidade no clube no futuro próximo. Outro que faz coro à causa é Arnaldo Tirone, também ex-presidente. São nomes até hoje importantes na política alviverde.
Para que a alteração aconteça, é necessário que o tema vá para votação no Conselho Deliberativo e receba algo em torno dos 144 votos, que seria 50% + 1 das cadeiras ocupadas.
O número de votos é bastante acessível levando em conta o número de pessoas que compõe o grupo liderado por Mustafá, além dos apoiadores de Leila Pereira.
É válido destacar que nem todos os aliados que se denominam como “da situação”, entre diretores e conselheiros, concordam com essa alteração no estatuto.
Após a aprovação dos sócios, o tema iria para a assembleia de associados do clube, grupo com o qual Leila tem imensa aprovação, o que deixaria o caminho praticamente livre para o projeto ser aprovado.
Como uma mudança de estatuto mexe com a eleição de 2027?
Aqui chegamos no próximo capítulo da política palmeirense: a dança das cadeiras e a movimentação de possíveis candidatos para disputar o pleito a partir de 2027, ano no qual se encerra o segundo mandato de Leila. Quem, em tese, despontaria como principal candidato seria Paulo Buosi.
Hoje segundo vice-presidente do Verdão e responsável pelo futebol do clube nos últimos anos ao lado de Anderson Barros, diretor de futebol, e o técnico Abel Ferreira, Buosi perdeu espaço na briga para estar no pleito e viu a ascensão de um outro nome: Everaldo Coelho.
Hoje terceiro vice-presidente da chapa de Leila Pereira, o então responsável pelo marketing do clube é quem tem sido preparado pela mandatária para ser o próximo expoente da situação à frente da equipe caso as mudanças estatutárias não ocorram e ela não possa se candidatar em uma terceira oportunidade.
Internamente, é Everaldo quem tem “tomado conta” do clube social, ambiente mais “valioso” na política do clube, uma vez que são os associados quem escolhem o presidente a ser eleito. Além disso, o responsável pelo marketing conta com experiência no setor financeiro e é visto por Leila como alguém a “seguir o legado” na administração.
Porém, é a partir daqui que a situação pode sofrer um “racha” em breve. Buosi sempre teve o sonho de ser presidente do Palmeiras e pode se aliar a outra figura conhecida do palmeirense para uma possível disputa em 2027: Mauricio Galiotte. Ambos não estão entre os entusiastas da ideia do terceiro mandato.
Presidente do clube em duas oportunidades entre 2017 e 2021, Galiotte pode vir a ser concorrente de Leila e contar com Paulo Buosi, que chegou a ser seu vice em anos anteriores, mais uma vez como “fiel escudeiro”, o que geraria uma disputa de poder no grupo da situação.
Ainda não está garantido que Galiotte de fato retornará à disputa pela presidência no Palmeiras. Nos últimos anos, aliados ao ex-mandatário tentam convencê-lo. Porém, a tendência é que haja um martelo batido sobre o tema apenas nos próximos meses.
E a oposição?
Os grupos que se intitulam oposição no Palmeiras estiveram desorganizados nos últimos anos, muito por conta do predomínio do grupo de Leila Pereira no clube, além do sucesso do Verdão em campo e nas finanças. Porém, na última eleição, em 2024, Saverio Orlandi conseguiu 858 votos contra 2295 de Leila, uma diferença grande, mas que refletiu uma “luz no fim do túnel” para os opositores da presidente.
Atualmente, de acordo com apuração da ESPN, esses grupos não têm união muito por conta da distância para a eleição. No entanto, um nome surge como um possível representante do bloco para 2027: Genaro Marino.
Vice-presidente nas gestões de Paulo Nobre e diretor de futebol de 2007 até 2010, o conselheiro do clube desde 1997 esteve na disputa com Saverio para estar à frente do grupo na eleição de 2024, mas deve ser o principal nome para o próximo triênio.
Perspectivas para 2026
É importante ressaltar que restando pouco menos de dois anos para as eleições, alguns “balões de ensaio” surgem para testar as reações das redes sociais, dos torcedores e também dos associados afim de se definirem as estratégias dos grupos de situação e oposição para 2027.
Para o próximo ano, a tendência é que a oposição inicie uma organização entre seus grupos, além de novas especulações a respeito de uma real mudança estatutária, que causaria uma profunda mudança na política do clube para o futuro, e que poderia indicar uma sequência de Leila Pereira no cargo.
Com o tabuleiro de xadrez na mesa e as peças a postos, cada movimentação pode indicar o futuro do clube dentro e fora de campo, além de mostrar quais deverão ser as principais figuras a despontarem na briga pelo poder do Palmeiras.
