O Palmeiras que entra em campo nesta quarta-feira (26) contra o Fortaleza, às 21h30 (de Brasília), deve ter Estêvão como titular. A joia já está negociada com o Chelsea, da Inglaterra, mas seguirá no clube que o revelou até o Mundial de Clubes de 2025, quando já terá 18 anos e se transferirá para a Europa.
Será mais um jovem da chamada “geração do bilhão” da base do Palmeiras que é vendida logo após completar a maioridade. Antes dele, Endrick foi para o Real Madrid e Luis Guilherme ao West Ham.
Em todos os casos, o técnico Abel Ferreira deixou claro, em entrevistas recentes, que pediu à presidente Leila Pereira que não fechasse os negócios, preferindo aproveitar as revelações por ainda mais tempo na equipe profissional. “Mas é impossível, estamos falando de valores muito grandes”, reconheceu.
De fato, o trio movimentou muito dinheiro, podendo chegar perto, de fato, de fazer o Palmeiras faturar cifra bilionária. Estêvão irá ao Chelsea em negócio que pode bater 61,5 milhões de euros (R$ 362 milhões na cotação atual), sendo 45 milhões de euros fixos e 16,5 milhões de euros variáveis.
Com Endrick, o total a ser pago pelo Real Madrid pode chegar até 72 milhões de euros (mais de R$ 423 milhões), considerando a cifra fixa (35 milhões de euros), possíveis bônus por metas (25 milhões de euros), além dos impostos da operação (12 milhões de euros), também assumidos pelos merengues.
Luis Guilherme, por sua vez, com a ida ao West Ham, da Inglaterra, fez o Palmeiras receber 23 milhões de euros (R$ 135 milhões) de maneira garantida e tem previstos mais 7 milhões de euros em metas.
De fato, como o próprio Abel reconheceu, o dinheiro foi importante para a decisão do Palmeiras em negociar os três jovens, mas não só isso. A própria legislação, no entendimento do clube nos bastidores, dificulta a manutenção de talentos desse calibre, já que os times só podem assinar contratos com vigência máxima de três temporadas com atletas que tem menos de 18 anos.
No caso de Estêvão, por exemplo, seu primeiro contrato profissional foi assinado em abril de 2023, quando ele completou 16 anos. Se não aceitasse a proposta do Chelsea agora, o Palmeiras correria o risco de que meia-atacante assinasse um pré-contrato com qualquer outra equipe no fim de 2025, sem receber qualquer compensação financeira nesse cenário.
Durante esse processo, o estafe de Estêvão sugeriu multa contratual de 15 milhões de euros, e foi o Palmeiras que fez questão de ter uma “garantia” mais elevada – e que acabou sendo de fato a cifra fixa acertada com o Chelsea agora na transação.
A família e o próprio atleta também têm peso importante na venda. Isso porque eles têm direito a 30% do valor da transferência de Estêvão e estavam ansiosos para que ela se concretizasse, segundo apurou a ESPN. O valor, claro, representa a independência financeira de todos.
Por fim, a competitividade dos clubes do Brasil, diante do cenário econômico global, é amplamente desfavorável em relação aos países europeus, e isso reflete no futebol. Pagando em real e em condições inferiores, é impossível competir com as ofertas dos maiores clubes do Velho Continente.
Sobre Estêvão, especificamente, uma fonte do Palmeiras ouvida pela reportagem foi taxativa: “Os valores desta operação fogem do padrão. É a maior negociação da história do futebol brasileiro”.
