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Além da virada épica contra o Botafogo: os 7 atos que fizeram Palmeiras levar o Brasileirão

Nesta quarta-feira (6), o Palmeiras conquistou o 12º título do Campeonato Brasileiro de sua história após o empate por 1 a 1 com o Cruzeiro, em Belo Horizonte.

Dessa dezena de taças, a de 2023 talvez tenha sido a mais improvável de todos os tempos, já que a vantagem aberta pelo Botafogo após o 1º turno parecia ter decidido o torneio.

No entanto, a equipe comandada por Abel Ferreira conseguiu uma reação impressionante na reta final e acabou fazendo a ultrapassagem, também porque o Fogão entrou em uma incrível série negativa.

É até óbvio afirmar que o grande "ponto de mutação" de tudo isso foi a vitória por 4 a 3 do Alviverde de virada sobre o Glorioso, em 1º de novembro, após o clube carioca abrir 3 a 0 no 1º tempo.

Na ocasião, o Palestra parecia "morto", ainda mais depois que o Botafogo teve um pênalti para anotar 4 a 1 aos 38 do 2º tempo e praticamente colocar um ponto final no Brasileirão.

Todavia, Weverton pegou a batida de Tiquinho Soares, e o Verdão fez três gols em 15 minutos para ganhar no Nílton Santos e embalar na busca pela taça.

No entanto, não foi apenas a importantíssima e decisiva vitória no Rio de Janeiro que construiu a história do bicampeonato do Brasileirão em 2023.

Antes e depois, outros seis atos importantes ajudaram (e muito) Abel Ferreira e sua tropa a escreverem a vitoriosa campanha.

Importantes goleadas, a "ressureição" do garoto Endrick e até mesmo uma entrevista pós-jogo ajudam a entender os motivos do título palestrino na temporada.

Abaixo, a ESPN conta essa história:

Os 6 atos que levaram o Palmeiras à conquista do Brasileiro

1. Massacres em sequência

O Palmeiras começou o Brasileirão 2023 com o objetivo de defender seu título, e o início foi fulminante, com quatro vitórias nos primeiros cinco jogos.

Nessa boa série, destaque para duas goleadas acachapantes: 5 a 0 no Goiás, fora de casa, e 4 a 1 em cima do Grêmio, no Allianz Parque.

Ou seja: em duas partidas, o time comandado por Abel Ferreira fez um saldo de gols de +8.

Esses números seriam importantíssimos na reta final, quando o saldo se tornou um fundamental critério de desempate na briga maluca com Flamengo, Atlético-MG e Botafogo pela taça.

E, não à toa, o Palestra finalizou o Brasileiro como melhor ataque, com 64 gols marcados.

2. A entrevista de Raphael Veiga

Em 25 de junho, o Botafogo venceu o Palmeiras por 1 a 0, em pleno Allianz Parque, e abriu 8 pontos de vantagem na liderança do Brasileirão. Era o início da incrível disparada do Glorioso na ponta da tabela da Série A.

Cerca de um mês depois, após a vitória do Verdão sobre o Fortaleza, o meia Raphael Veiga, deu entrevista cheia de personalidade ao canal Premiere.

Na ocasião, o Botafogo ostentava 11 pontos de frente sobre o Alviverde na tabela, e com uma partida a menos. Veiga, porém, fez um "alerta" à equipe carioca.

"O Botafogo, por tudo o que tem apresentado, é forte candidato ao título do Brasileiro, mas ainda tem muita coisa para acontecer. São muitos jogos no Brasileirão, e sustentar a liderança em um campeonato tão longo é difícil", disparou.

A fala de Veiga foi encarada com desdém, já que a "gordura" aberta pelo Glorioso parecia ser impossível de queimar. No entanto, acabou sendo uma previsão do futuro...

3. As vitórias arrancadas no "apagar das luzes"

Depois de muitos altos e baixos no Brasileiro, o Palmeiras chegou ao final do 1º turno precisando somar pontos rapidamente para tentar diminuir a distância para o Botafogo.

Entre as rodadas 19 e 23, o Verdão conseguiu fazer isso com uma série de quatro triunfos em cinco partidas, com destaques para três placar arrancados "no apagar das luzes".

O primeiro foi o 1 a 0 em cima do Cruzeiro, com um gol de Flaco López no último ataque da partida, no Allianz Parque.

Depois, outro 1 a 0, desta vez sobre o Vasco, com um golaço de falta marcado por Raphael Veiga, também no Allianz.

Por fim, veio mais um agônico 1 a 0 em cima do Goiás, com Breno Lopes finalizando no minuto final do jogo e depois "enlouquecendo" na comemoração e mostrando o dedo médio para a torcida organizada.

4. O "ressurgimento" de Endrick

Entre os dois confrontos com o Boca Juniors, pela semifinal da CONMEBOL Libertadores, o Palmeiras teve um difícil jogo com o Red Bull Bragantino, fora de casa.

Para a partida, Abel Ferreira optou por usar uma formação alternativa, escalando o jovem Endrick, que vivia longo jejum de gols, no comando do ataque.

Logo no começo da partida, o camisa 9 recebeu enfiada de bola, driblou o goleiro e anotou um lindo gol em Bragança Paulista, encerrando a série de três meses sem balançar as redes.

O Verdão tomou a virada e acabou perdendo o jogo, mas Abel viu daí em diante que poderia voltar a apostar em Endrick, já que o jogador deu ótima resposta em campo.

A confiança valeu: ele assumiu a titularidade a partir do clássico contra o Santos, pela 26ª rodada, e fez gols mais do que decisivos contra Botafogo, Internacional, Athletico-PR e América-MG.

5. A mudança para 3-5-2

Entre 21 de setembro e 18 de outubro, o Palmeiras viveu sua pior série no ano, perdendo quatro jogos e sequência e quase dando "adeus" ao título.

A série ruim acabou com um triunfo por 2 a 0 sobre o Coritiba, pela 28ª rodada, que mudou o ânimo no Palestra Itália.

Para esse jogo, Abel Ferreira preparou uma grande mexida na equipe, alterando a escalação do 4-3-3 para um 3-5-2.

A aposta foi em um trio de zaga mais reforçado, com Gustavo Gómez, Luan e Murilo, além de um meio-campo mais compacto e um ataque veloz, comandado por Breno Lopes.

O esquema acabou engrenando ajudando bastante Zé Rafael e Richard Ríos a subirem de produção e acabou embalando o Alviverde na reta final do Brasileiro.

6. A goleada sobre o São Paulo

Após encerrar a série de jogos sem vencer, o Palmeiras começou a somar pontos e ver o Botafogo tropeçar de forma seguida.

O Verdão começou a se animar com a possibilidade de taça, mas ainda faltava uma última "faísca" para acender de vez a chama na turma de Abel Ferreira.

Isso veio no clássico contra o São Paulo, no Allianz Parque. O rival estava "entalado" na garganta após a eliminação nas quartas da Copa do Brasil, e o Verdão mostrou isso em campo.

Com uma atuação simplesmente avassaladora, o Alviverde massacrou o Tricolor por 5 a 0, em placar que poderia ter sido até maior tamanha a quantidade de chances criadas.

Além de ajudar no saldo de gols, o resultado ajudou muito a levantar o moral palestrino para a reta final do Brasileiro.

7. O empate com o Fortaleza com um a menos

Na 35ª rodada, o Palmeiras já havia assumido a liderança, mas tinha um difícil confronto com o Fortaleza fora de casa, em que precisava ao menos de um empate para se manter na ponta.

A noite começou muito difícil para a tropa de Abel Ferreira, com o Leão saindo na frente. Ficou ainda mais complicado depois que Gustavo Gómez foi expulso no início do 2º tempo.

No entanto, o treinador português mostrou todo o seu repertório e fez alterações arrojadas, colocando seu time para frente mesmo com desvantagem numérica.

Em campo, os atletas palestrinos demonstraram muita raça e buscaram o empate por 2 a 2 após ficarem duas vezes atrás do placar, em um resultado importantíssimo.

O ponto valioso conquistado na Arena Castelão embalaria de vez o Palmeiras para a conquista do bicampeonato brasileiro, principalmente na parte mental.