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Como camisa do Palmeiras virou 'último elo' com irmão e fez torcedor em Gana fundar filial por amor separado pelo Atlântico

ESPN conversou com o fundador do ‘Family Palmeiras’, time amador de Gana totalmente inspirado no Alviverde


A torcida do Palmeiras conta os minutos para encerrar, neste sábado (14), uma espera de 61 dias sem ver em campo o time do coração. Após se despedir de 2022 erguendo o 11° título do Campeonato Brasileiro, inédito na prateleira de Abel Ferreira, o Verdão inicia a temporada 2023 diante do São Bento, às 18h30, no Allianz Parque.

A oportunidade de matar a saudade do time em casa logo na estreia do Campeonato Paulista foi respondida pelos torcedores com expectativa de arquibancadas lotadas e apoio incondicional.

Quase 6 mil quilômetros distante do estádio na Zona Oeste de São Paulo, uma comunidade localizada na cidade de Kumasi, em Gana, colocará o manto alviverde para provar que, ainda que longe, seguirá transformando a lealdade em padrão.

A história de amor dos moradores da cidade de cerca de 976 mil habitantes pelo Palmeiras bombou nas redes sociais nesta semana, e tem como protagonista Abdul Kudus Zakaria, um ganês de 27 anos, que ganhou uma camisa do clube anos atrás.

Mohammed Rufai, irmão, que deu o presente a Abdul no passado, partiu justamente para o Brasil. Mas, infelizmente, eles não têm mais contato.

“Meu amor pelo Palmeiras começou quando ainda era muito novo. Antes de uma viagem do meu irmão ao Brasil, ele me deu uma camisa do Palmeiras que ele amava usar. Infelizmente, depois que ele viajou nunca mais ouvimos falar nele. Ali eu percebi a importância do que ele havia me dado. Peguei aquilo para o coração”, disse Kudus em entrevista à ESPN.

Abdul trabalha como mecânico elétrico em seu país, e teve o primeiro contato com o Palmeiras em 2016, através de uma transmissão via internet.

Naquela temporada, comandado por Gabriel Jesus, Dudu e Moisés, o Verdão encerrou o longo jejum de 22 anos e voltou a levantar a taça do Campeonato Brasileiro, marcando de vez uma reconstrução meteórica do clube após os anos turbulentos que culminaram na segunda queda à Série B.

A partir daí o carinho pelo Palmeiras só aumentou.

“Às vezes eu consigo assistir aos jogos do Palmeiras pela internet, mas precisamos lidar com o fuso horário”. Kumasi está três horas à frente em relação ao horário de Brasília. “Meus jogadores favoritos são Rony, Veiga e Danilo. Tem o Weverton também, ele é um goleiro fantástico”.

Kudus foi o responsável por ‘espalhar a palavra’ do Palmeiras por toda a comunidade na qual reside. De acordo com ele próprio, ao todo, são cerca de 800 pessoas que passaram a vestir a camisa e ter carinho pela equipe brasileira.

O amor pelo Palmeiras foi tamanho que serviu até mesmo como inspiração para a criação de um time amador local: o ‘Family Palmeiras’. Mas, para que o projeto saísse do papel, Abdul conta que a missão não foi nada simples.

Foi necessário abdicar de outros sonhos para que o ‘Palmeiras de Gana’ virasse realidade.

“Foi uma decisão dura no começo. Precisei deixar a escola. Mas agora minha família e meus amigos me dão força neste projeto”.

Em fotos e vídeos enviados à reportagem, é possível ver diversos moradores locais usando camisas do Palmeiras, compradas com dinheiro do próprio bolso.

Alguns dos integrantes do time em campo são colegas e nomes da própria vizinhança local de Kumasi. Conforme publicado no perfil oficial do ‘Family Palmeiras’ no Instagram, o clube completa um ano de existência no próximo dia 15 de janeiro.

Mas se o sonho de representar o Palmeiras na África virou realidade, é possível agora pensar em uma partida contra o Verdão dentro do Allianz Parque? À ESPN, Abdul admitiu que mantém vivo mais esse desejo.

“Esse tem sido o meu sonho. Posso imaginar um time amador contra os profissionais. Nem preciso dizer o prazer que seria”, brincou o palmeirense mais ilustre da pequena Kumasi.