Juliano Vicentini marcou pelo Palmeiras aos 16 anos, em 1998, e hoje é treinador-adjunto no Red Bull Bragantino sub-23
Na última terça-feira (25), o jovem atacante Endrick, de apenas 16 anos, marcou na vitória por 3 a 1 do Palmeiras sobre o Athletico-PR e se tornou o atleta mais jovem a anotar na história do clube palestrino.
Aos 16 anos, três meses e quatro dias, ele superou o lendário Heitor, maior artilheiro da história alviverde, que anotou aos 16 anos, 11 meses e 14 dias em amistoso disputado em 1916.
Ao longo da história, porém, o Palmeiras teve outro atleta de 16 anos que balançou as redes: o atacante Juliano Vicentini.
Em 19 de agosto de 1998, uma semana antes de seu 17º aniversário, Juliano fez o último tento da vitória por 5 a 0 do Alviverde sobre o Nacional-URU, pela Copa Mercosul.
Em entrevista ao ESPN.com.br, o ex-jogador, que hoje é treinador-adjunto do Red Bull Bragantino sub-23, lembrou com detalhes de seu gol histórico.
"Tenho guardada nitidamente na minha memória toda a jogada do gol. Eu entrei no 2º tempo contra o Nacional, no Centenário, um estádio histórico. Não era minha estreia, pois eu já tinha feito algumas partidas antes. O (lateral/volante) Tiago Silva tinha entrado na partida um pouco antes e recebeu na entrada da área. Eu fiz a corrida nas costas do zagueiro, que foi atraído por ele, e, para não ficar impedido, dei uma segurada. O Tiago fez a enfiada, a bola ficou quase dividida com o goleiro. Cheguei um pouquinho antes, dei de biquinho com o pé esquerdo e ela entrou", rememorou.
Da comemoração, porém, Juliano lembra pouca coisa, tamanha a emoção do momento.
"Depois que a bola entrou, é quase um blecaute na cabeça de um menino de 16 anos (risos). Lembrei de onde eu vim, começou a passar aquele filme na cabeça... Nem no melhor roteiro eu podia ter imaginado isso! Então, dá aquele 'blecautezinho'. Eu lembro que ajoelhei, ergui as mãos para o céu e agradeci. Se não me engano, o Alex vem me abraçar logo depois", relatou.
"Em questão de emoção, não tem explicação. Você só vai associar tudo e tentar entender aquele momento depois. Então, é algo que só quando você passa por isso realmente você tem noção do que é", complementou.
Em tempos pré-redes sociais, o jovem palmeirense precisou da ajuda de Alex para conseguir conversar com seus familiares após a partida, já que estava no Uruguai.
"Na época, não tinha celular. Eu dividia quarto com o Alex, estava concentrado com ele, e ele que me ofereceu o celular para eu poder falar com a minha família! Estavam todos eufóricos, ainda mais porque o gol foi muito próximo ao meu aniversário, que é dia 26 de agosto, mesmo dia da fundação do Palmeiras. O gol foi no dia 19, então foi um presente de aniversário que eu jamais poderia ter imaginado", brincou.
A memória afiada de Juliano, porém, lhe traiu quando perguntado se ele recebeu cumprimentos do técnico Luiz Felipe Scolari pelo gol.
"Sinceramente, não lembro o que o Felipão me falou (risos). Talvez ele tenha me dado um tapinha na cabeça e falado daquele jeito dele: 'Parabéns, guri!' (risos)", divertiu-se.
O potencial de Endrick
Na conversa com a reportagem, Juliano também se disse "honrado" por ver um jogador do potencial de Endrick bater sua marca.
"Nunca imaginaria que esse meu gol duraria tanto tempo para ter a marca igualada. Por isso até hoje fico muito feliz com meu feito. Feliz e honrado demais em fazer parte da história de um clube gigantesco como o Palmeiras", exaltou.
"No jogo de ontem (terça-feira), o Endrick me igualou e, na verdade, até me ultrapassou, já que é mais novo que eu quando fiz o gol. Mas fico feliz e honrado por minha marca ter durado quase 25 anos. Vendo o desenvolvimento do Endrick, acompanhando o que ele tem feito, e com a idade que tem, fico muito feliz de ver essa molecada alcançando essas marcas. A gente torce pelo sucesso deles", afirmou.
O ex-jogador do Verdão vê em Endrick um "potencial imenso", assim como em outros jovens das categorias de base do Verdão que ele conhece bem.
"Eu tive a oportunidade há pouco tempo com o sub-17 do Red Bull Bragantino de fazer um amistoso contra a seleção brasileira sub-17 no CT do São Paulo. Você vê o Estêvão [jovem meia da base do Palmeiras] jogando e é um colírio para os olhos. É demais ver essa molecada se desenvolvendo, apresentando um futebol que junta alegria e qualidade. Uma satisfação enorme vê-los jogando", elogiou.
"Fico feliz pelo Endrick ter batido minha marca. Inclusive, aproveito para parabenizá-lo, pois foi muito legal. Era questão de tempo para ele marcar, até pelo potencial imenso que tem. Eu já vinha acompanhando os últimos jogos, ele já teve chances nas partidas anteriores e, no jogo de ontem, conseguiu colocar lá dentro", ressaltou.
Com a experiência de quase 20 anos como atleta profissional antes de pendurar as chuteiras, em 2016, Juliano também aproveitou para "aconselhar" Endrick.
"É cedo para a gente falar o patamar que ele pode chegar. Não o conheço pessoalmente, mas sei que ele está bem assessorado. Sinceramente, espero que esteja. Pelo que vejo em externamente, em entrevistas, parece ser bem focado. Não pode ter gente fazendo ele viver em um mundo de ilusões", apontou.
"É muito cedo para dizer aonde ele pode chegar, mas, se continuar trabalhando, com seriedade, sendo bem apoiado, com uma estrutura extracampo importante para que ele realmente sempre pise no caminho certo, com certeza ele terá muito sucesso. Até porque potencial para isso ele tem de sobra, como já vem demonstrando", argumentou.
Por onde anda Juliano?
Após se aposentar como jogador, pelo Minnesota United, da MLS, em 2016, Juliano iniciou carreira fora dos campos.
No Red Bull Bragantino, ele passou por todas as categorias formativas e vem se preparando para ser treinador principal no futuro.
"Hoje, sou treinador-adjunto da categoria sub-23 do Red Bull Bragantino junto com o Fábio Matias, que chegou há pouco e é o técnico. Estou me desenvolvendo nessa área. Para o futuro, minha ideia é ir aos poucos se preparando, aprendendo", salientou.
"Comecei na categoria sub-15, passei pela sub-17 e hoje estou na sub-23. Quero seguir esse caminho na área técnica, me fortalecendo aos poucos, ganhando conhecimento. Meu projeto de carreira é esse, para tentar construir uma carreira sólida dentro da área técnica", finalizou.
