O brasileiro Tiago Nunes tem vivido um momento mágico na LDU. Desde que chegou ao clube, em junho deste ano, eliminou Botafogo e São Paulo, nas oitavas e quartas de final da CONMEBOL Libertadores, respectivamente, e agora disputa as semifinais contra o Palmeiras. O time equatoriano venceu a ida, em casa, por 3 a 0. A volta será disputada no Allianz Parque nesta quinta-feira (30), às 21h30 (de Brasília), com transmissão ao vivo do Disney+.
A LDU não é o primeiro time estrangeiro que Tiago Nunes comanda. O técnico também já passou por Sporting Cristal, do Peru, e Universidad Católica, do Chile. De acordo com Kelly Guimarães, que foi auxiliar do profissional em times brasileiros, a ida a outros mercados sul-americanos vem de um desejo de ter novas experiências e aprender outra língua. Mas também tem alguma relação com uma menor valorização no futebol nacional.
Kelly Guimarães contou um episódio no Corinthians em que Tiago Nunes foi "castigado" ao tentar uma inovação que, segundo ele, foi elogiada ao ser feita por um estrangeiro.
"Todo treinador passa por isso (sentir falta de ser valorizado). Tem muito estrangeiro bom no Brasil, cara bom, mas a gente no meio acompanha e eles não estão fazendo nada diferente do que muitos brasileiros fazem. Mas quando estrangeiro faz é de outro mundo, e o brasileiro faz e às vezes não é valorizado", iniciou, em entrevista exclusiva à ESPN.
"Vi uma vez um treinador estrangeiro, em dia de jogo à noite, fazendo trabalho pela manhã para tirar os jogadores dessa questão de ficar o dia inteiro deitado no hotel. Fez movimentação no campo, e no outro dia vi falarem que revolucionou o futebol. Em 2020 fomos fazer isso no Corinthians, conversamos com os jogadores, fizemos movimentação. Saiu no outro dia na imprensa e quase mataram o Tiago. É assim que funciona. O que o estrangeiro faz é muito mais valorizado do que o brasileiro já está fazendo", completou.
O ex-auxiliar de Tiago Nunes, hoje no Wellington Phoenix, da Nova Zelândia, também relembrou como foi trabalhar com o treinador. Além do Corinthians, eles estiveram juntos no Athletico-PR, Grêmio e Ceará.
"O Tiago é um cara muito estudioso. Embora tenha cabelos brancos e pareça mais experiente, é muito novo (45 anos). E, embora seja novo, está há algum tempo no futebol, ralou já bastante. Ele é um cara que já vivenciou muito o futebol. O grande diferencial dele é saber passar por todas as situações dentro de um clube, um campeonato. É muito inteligente, estudiossíssimo", disse.
"Ele conhece futebol, respira futebol, tem uma leitura de jogo muito boa. Esse talvez seja o diferencial da carreira dele. Claro que ainda vai agregar outras coisas, mas para mim o diferencial é a leitura de jogo", acrescentou.
"Quando eu passei a trabalhar com o Tiago, conheci um nível de organização diferente. É muito organizado, muito detalhista. Nossa rotina era de respirar o futebol. Chegávamos de manhã, fazíamos reunião pré-treino para discutir o que pretendíamos alcançar na sessão de treinamento, elaborávamos no dia anterior o que seria abordado. A gente ia para o campo muito organizado", finalizou.
