<
>

LDU x São Paulo: Tiago Nunes, na contramão da história, pode ser o 'vingador' dos técnicos brasileiros

play
São Paulo encara 'tabu histórico' em duelo contra a LDU na Libertadores; VEJA (0:55)

LDU e São Paulo se enfrentam pelas quartas de final da CONMEBOL Libertadores (0:55)

Tiago Nunes está na contramão da história no cenário atual do futebol sul-americano. Enquanto os clubes brasileiros contratam treinadores estrangeiros, ele é um dos raros brazucas que decidiu ir trabalhar em outros países do continente.

Depois de eliminar o Botafogo do italiano Davide Ancelotti, ele, agora comandante da LDU, enfrenta o São Paulo do argentino Hernán Crespo na noite desta quinta-feira (18), às 19h (de Brasília), pela ida das quartas de final da CONMEBOL Libertadores, e pode se transformar numa espécie de ‘vingador’ dos técnicos brasileiros.

Gaúcho de Santa Maria, Tiago teve uma longa carreira em clubes pequenos do interior no sul do país. Até que chegou ao sub-23 do Athletico-PR. Em 2018, assumiu o time principal do Furacão e fez história ao conquistar a Sul-Americana daquele ano e a Copa do Brasil de 2019.

Valorizadíssimo no mercado, assumiu o Corinthians com a missão de transformar o estilo de jogo do clube. As coisas começaram a dar errado. Demitido no gigante paulista, foi para o Ceará – no qual também não conseguiu sucesso. Ficou parado quase um ano, sem mercado. Até que aceitou a proposta do Sporting Cristal, do Peru. O trabalho foi bom, tanto que ele deixou um herdeiro brasileiro no cargo, Enderson Moreira.

A passagem rápida pelo Botafogo foi apenas um leve desvio de rota numa carreira que estava voltada para o exterior. Tanto que a próxima parada foi a Universidad Catolica, do Chile. E, de lá, foi para a LDU. Todos os times de camisa pesada em seus respectivos países. No de Quito, Tiago promoveu uma mudança radical. A LDU fez uma fase de grupos apenas competitiva na Libertadores e se aproveitou da fragilidade de alguns rivais para se classificar nos jogos contra Central Cordoba-ARG e Deportivo Táchira-VEN.

Mas a qualidade de jogo da equipe, então dirigida pelo argentino Pablo ‘Vitamina’ Sanchez, era muito criticada. Com o brasileiro no comando, ‘Los Albos’ passaram a pressionar a saída de jogo dos adversários – especialmente em Quito – e melhoraram muito a troca de passes. Sufocou o Botafogo na altitude, mas também jogou bem no Rio de Janeiro. É uma equipe bem mais competitiva apesar de ter perdido seu artilheiro, Alex Arce.

Jogadores como Alvarado, Cornejo, Villamil, Brian Ramirez e Alzugaray se revezam nas tabelas e triangulações, quase sempre com uma linha de quatro meias que busca o mundialista Michael Estrada no ataque. A mudança para uma linha de três zagueiros permite aos laterais subirem ao ataque. E quando a pressão encaixa, eles se mantêm por lá.

Tiago Nunes traz boas sensações aos torcedores de Quito. E, além de alavancar sua própria carreira, pode mostrar que os técnicos brasileiros podem igualar ou até superar a qualidade dos gringos. Para isso precisa eliminar o São Paulo. Conseguirá?