“Pertencimento”. É esta a palavra mais usada por Santiago Ascacibar para falar de sua relação com o Estudiantes, time que enfrenta o Flamengo nas quartas de final da CONMEBOL Libertadores na noite desta quinta-feira (18), às 21h30 (horário de Brasília), com transmissão ao vivo do Disney+.
O volante de 28 anos encarna o espírito do torcedor ‘pincharrata’ sempre que fala do clube que o revelou. E especialmente quando entra em campo para defender suas cores. Mesmo sem esconder a vontade de um dia atuar pelo Boca Juniors, clube de coração de toda sua família.
Santiago tem um diferencial para alcançar a identificação dos ‘hinchas’. É o jogador local do time titular. Nascido e criado em La Plata, chegou ao Estudiantes aos 8 anos, cresceu na base como promessa, foi para a Europa, onde defendeu Stuttgart e Hertha Berlin (ambos da Alemanha) e também a Cremonese (da Itália), mas voltou ainda no auge para o time onde começou.
A identificação é caso de família. Seus três irmãos mais novos também passaram pela base do Leon. Julián, 24 anos, deixou o clube ano passado e está no Alvarado de Mar del Plata, na segunda divisão; e Mariano, aos 20, defende o Flandría, na terceira divisão italiana. Os três foram inscritos juntos na lista da CONMEBOL Sul-Americana de 2024. A dinastia ainda tem o jovem Martín, que segue na base do Estudiantes.
Santiago, hoje, é o capitão do time não apenas por longevidade, mas sobretudo pela energia que aplica em campo. Ele apareceu como cabeça de área. Chegou a ser apontado como herdeiro de Mascherano, mas a Europa lhe obrigou a jogar mais perto do ataque. Passou a ser um camisa 8 clássico, que chega na área para finalizar. Por isso é um dos artilheiros do time na temporada, com seis gols (empatado com Tiago Palacios). Ele e o meia uruguaio também são os que mais jogaram este ano: 33 vezes. Este é um dado importante na comparação com o Flamengo, que tem seis jogadores com mais de 40 jogos em 2025.
Quando o time se defende, ele forma a dupla de volantes. Quando ataca, o desenho tático costuma ser o 4-1-4-1. Neste formato, Ascacibar salta pela direita, onde forma um trio com o veloz lateral Meza e o meia Palacios, o trio mais perigoso do ‘Pincha’.
É verdade que a condição de artilheiro de Ascacibar é turbinada por ele ser o batedor de pênaltis oficial do Estudiantes. Assim, marcou dois de seus três gols na Libertadores, e o outro foi de cabeça num escanteio, do alto de seus 1,68m.
No início do ano, o líder do Estudiantes teve conversas com o então treinador do Boca, Fernando Gago, para reforçar seu time de infância. Fontes ligadas ao Xeneize dizem que as conversas não foram adiante pela forte ligação com o Estudiantes, reforçada por ele nestes contatos.
Não teve jeito. O ‘Russo’ é mesmo um Leão.
