Lucho Rodríguez chegou ao Bahia em julho de 2024 e, mesmo aos 21 anos, não sentiu o peso de ser a contratação mais cara da história do futebol nordestino. Com faro de gol apurado, o uruguaio logo se tornou titular e referência do time de Rogério Ceni.
A estreia foi justamente contra o Internacional, adversário desta quinta-feira (3), pela estreia na fase de grupos da CONMEBOL Libertadores. O jogo acontece às 19h (de Brasília), com transmissão ao vivo do Disney+.
Desde que chegou, Lucho é o artilheiro do Tricolor, com 14 gols em 35 partidas. Um deles aconteceu justamente na Libertadores, contra o The Strongest, na vitória por 3 a 0, na Arena Fonte Nova, pelas fases preliminares.
Apesar de fisicamente recente, a história de Lucho com a Bahia começou bem antes de ele vestir a camisa. O tio do atacante se mudou para Salvador por conta da capoeira e passou para o sobrinho o amor por essa arte e pela cidade.
“Comecei a capoeira no Uruguai, fiquei dois meses treinando. Conheci primeiramente o Rio Grande do Sul, o mestre que eu conhecia era de lá. Voltei para o Uruguai depois com ainda mais vontade de conhecer essa arte que tinha me feito ‘pirar a cabeça’, como falam. Voltei para morar no Uruguai uns dois meses e depois, com um grupo de amigos que faziam capoeira, começamos uma viagem com o destino à Bahia e pegando carona de caminhão, indo um pouco de ônibus. A gente foi conhecendo Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Espirito Santo e até chegar na Bahia”.
“Iria ficar uma semana só [na Bahia], mas não consegui me desprender. Me apaixonei mesmo pelo lugar, pelo povo, pelo clima, e sobretudo pela raiz da capoeira que tem aqui. Fui ficando e só depois que dois anos que voltei para o Uruguai”.
Líber Vega criou um carinho enorme por Salvador nos anos em que viveu aqui. E não conteve a alegria ao receber a notícia de que Lucho estava negociando com o Bahia.
“O Luciano estava naquela coisa de que poderia vir para cá, Girona, River Plate. Era muita pressão nele. Até que ele recebe uma ligação de que o Bahia estava interessado. O primeiro que ele liga sou eu. 'Meu tio, tenho que te contar uma coisa: o Bahia fez proposta por mim’. E eu: ‘O quê? Você está brincando comigo, né? Vai para o Bahia, vai para o Bahia. Esqueça tudo. Você tem que ir para o Bahia. Esquece de tudo. Lá você vai ser feliz’. Dito e feito”.
Peça fundamental para que a escolha por vir ao Brasil fosse feita em meio a outras propostas recebidas pelo atacante, como do Girona, da Espanha, Líber dividiu com o sobrinho os motivos que o fizeram se apaixonar por Salvador.
“Meu tio me contou muito sobre a Bahia antes de eu vir para o clube. Me contou sobre a cidade, como eram as pessoas aqui. Me deu ótimas referências, falou sobre como tratam o futebol aqui. Não tenho nenhuma dúvida de que ele tinha razão”, relembrou Lucho.
O convite para que Lucho e Líber voltassem a viver juntos veio logo após o aceite da proposta. “Quando ele ficou sabendo que eu viria para o Bahia ficou feliz da vida e eu disse para que viesse comigo, porque eu sabia o que a Bahia significava para ele”, contou Lucho.
Na apresentação do sobrinho no novo time, Liber não conteve as lágrimas. De lá para cá a emoção de vê-lo em campo pelo time que adotou no Brasil esteve presente em muitos outros momentos. No primeiro gol pelo Bahia, contra o Botafogo, em setembro de 2024, fez Líber se emocionar novamente.
“É algo que sai do peito, uma emoção que você não faz ideia. Já chorei com ele assinando o contrato. Me emociono de ver ele triunfar na vida. Cada passo, cada sacrifício que ele passou. Às vezes não tinha nem o que comer em casa, e eu vivenciei isso com ele. Você vê a pessoa e o sacrifício que ele fez e faz para estar ali, e ainda sendo teu sobrinho, é uma coisa que dá até vontade de chorar mais”.
“Foi incrível. E nem te falo no primeiro gol que ele fez. Eu botava e tirava a camisa. Foi muita pressão nele. Foi algo que acalmou as águas para ele, ajudou a entrar no ritmo. Ele precisava disso”.
Hoje, os dois moram juntos em um condomínio próximo ao centro de treinamentos do Esquadrão de Aço, na zona metropolitana de Salvador. A convivência diária foi retomada e a relação só melhorou.
“Desde que vim para o Bahia a relação com ele é muito boa, ele está feliz da vida de estar aqui, tem muitos amigos, conhece muito da cidade, segue praticando capoeira. Fico feliz que ele possa desfrutar do que ama e que eu possa ajudá-lo a estar aqui sendo feliz”.
As lembranças da construção da história familiar com a cidade de Salvador seguem vivas na memória de Líber, que lembra com carinho de momentos em que dividiu com o sobrinho a energia da capoeira.
“A gente fez um evento de capoeira lá no Uruguai que levamos o pessoal de Porto Alegre, de Santa Catarina. Essa foi a primeira vez que ele entrou em uma roda de capoeira. Uma coisa é treinar, outra coisa é entrar em uma roda, um batizado. Entrou na roda, jogou com várias crianças, jogou com o mestre. Esse momento foi impagável. Ele entrando na Fonte Nova e entrando na roda de capoeira. Foi a conexão perfeita com a Bahia”.
O Bahia e a Bahia chegaram para ficar na família. Líber e Lucho agora vivem a mesma paixão. E dividem um sonho: a conquista da Libertadores.
“Acho que eu fico mais ansioso que ele. Você vê a torcida, comentários, vê o estádio. Eu chego cedo [na Fonte Nova], imagina em um jogo de Libertadores. Fico lá, tomo minha água, como alguma coisa. Estar na Libertadores é uma coisa que não acontece há muito tempo. Agora estamos, e o objetivo é chegar até a final e ganhar essa Libertadores. Botar essa estrela no peito. Tem que ser do Bahia e eu acredito que vai”.
Próximos jogos do Bahia
Internacional (C): 3/4, 19h (de Brasília) - CONMEBOL Libertadores
Santos (F): 6/4, 20h30 (de Brasília) - Brasileirão
Nacional-URU (F): 9/4, 19h (de Brasília) - CONMEBOL Libertadores
