Nesta quinta-feira (5), o Palmeiras recebe o Boca Juniors, às 21h30 (de Brasília), no Allianz Parque, pela semifinal da CONMEBOL Libertadores. A partida, que pode colocar o Alviverde mais uma vez na grande decisão sul-americana, terá transmissão AO VIVO pela ESPN no Star+.
Dono de três troféus, o Verdão já chegou ao total de seis finais do torneio continental, ficando muito próximo de ser campeão em outras ocasiões. Foi o caso, por exemplo, da edição de 2000, na qual o Alviverde foi derrotado justamente pelo Boca nos pênaltis, depois de um 2 a 2 em La Bombonera e um 0 a 0 no Morumbi.
Quem esteve em campo no Morumbi naquele 21 de junho de 2000, porém, assegura que o Palmeiras merecia sorte melhor na ocasião. É o caso do ex-atacante Faustino Asprilla, que defendeu o clube do Palestra Itália entre 1999 e 2000 e hoje é comentarista dos canais esportivos do grupo Disney na Colômbia.
No famoso jogo de volta da final contra o Boca, Asprilla entrou em campo aos 35 do 1º tempo, após o titular Marcelo Ramos se lesionar, e foi protagonista do lance mais polêmico da decisão.
Logo na volta do intervalo, o colombiano foi claramente empurrado na área pelo zagueiro Walter Samuel, que depois faria carreira na Inter de Milão, mas o árbitro paraguaio Epifanio González nada marcou - nem mesmo depois que os atletas alviverdes cercaram o juiz exigindo o pênalti.
23 anos depois, Asprilla garante: se o VAR já existisse na final de 2000, González seria obrigado a dar a penalidade máxima.
"A final de 2000 não era nem para ter ido para os pênaltis, porque o Walter Samuel me fez um pênalti enorme!", exclamou "Tino", como é conhecido até hoje, em uma entrevista concedida em 2021 à ESPN.
"Se existisse o VAR naquela época, ele teria apitado três vezes o pênalti, ainda mais porque me tirou a chance de fazer o gol da vitória. O juiz deu vantagem no lance e a bola não entrou, mas não tinha que ter dado vantagem, e sim apitado o pênalti", reclamou.
Sem a marcação da penalidade, o jogo acabou mesmo no 0 a 0, e o Boca levou a melhor nas penalidades: vitória por 4 a 2, graças à grande atuação do goleiro colombiano Óscar Córdoba, que pegou as batidas de Roque Júnior e justamente de Asprilla.
"Infelizmente, perdemos nos pênaltis, mas merecíamos o título pelo que fizemos nos dois jogos. Eu perdi o pênalti e, para falar a verdade, nem tinha muita confiança para bater, porque o Córdoba era goleiro da seleção da Colômbia fazia 10 anos e me conhecia muito bem", lembrou.
"Ele já sabia como eu ia bater. Infelizmente, me parou naquela noite e perdemos a Copa Libertadores. Infelizmente, parte disso foi culpa minha", emocionou-se.
"Rivalidade com o Corinthians era só dentro de campo"
No período em que esteve no Palmeiras, Asprillla participou de muitas decisões. Foi titular, por exemplo, no Mundial de Clubes de 1999, em que os palestrinos acabaram derrotados pelo Manchester United. Depois, conquistaria as taças do Torneio Rio-São Paulo (2000) e da Copa dos Campeões (2000), e ainda seria vice duas vezes da Copa Mercosul (1999 e 2000).
Ele chegou ao Verdão vindo do Parma, da Itália, que à época também era controlado pela multinacional Parmalat. No "Velho Continente", o colombiano também atuou com grande destaque pelo Newcastle, da Inglaterra.
Relembrando sua carreira, "Tino" diz que, se pudesse voltar no tempo, teria preferido jogar no futebol brasileiro antes de se aventurar na Europa, para onde foi direto após explodir no Atlético Nacional de seu país.
"Para mim, foi algo muito lindo passar pelo Brasil. Sempre digo que jogar no Brasil foi fantástico e fenomenal. Mas creio que se eu tivesse ido primeiro para o Brasil antes de ir para a Europa, minha carreira teria sido muito melhor", dissertou.
"Quando eu cheguei ao Palmeiras, já era um homem de 30 anos. Ainda assim, aprendi muitas coisas com grandes jogadores que foram meus companheiros e com o melhor treinador que tive na vida: Luiz Felipe Scolari", elogiou.
"Foi algo muito lindo e importante para minha carreira. Disputei Campeonato Paulista, depois joguei o Carioca pelo Fluminense, e tive a sorte de ganhar títulos e disputar o Brasileirão. Minha relação com os torcedores brasileiros sempre foi de muito respeito, e sempre dei meu melhor com as camisas que vesti. Valorizei muito isso, e as torcidas perceberam minha dedicação", apontou.
Dos tempos de Palmeiras, Asprilla guardou enorme carinho por vários ex-companheiros.
"A qualidade que tinha o Alex era fantástica! Também admirava muito a forma como o César Sampaio e o Júnior enfrentavam os grandes jogos. A capacidade do Paulo Nunes de fazer gols decisivos era incrível. Roque Júnior também era um jogador fantástico. Tenho até hoje grandes amigos daquele tempo, como Galeano, Agnaldo, muitos outros! É sempre um prazer conversar com eles quando vou ao Brasil", sorriu.
Outro fato marcante da passagem de "Tino" pelo Palestra Itália era a exacerbada rivalidade com o Corinthians, que foi eliminado pelo Verdão nos mata-matas da Libertadores em 1999 e 2000.
Segundo o colombiano, porém, a rispidez entre os atletas alviverdes e alvinegros ficava apenas dentro de campo, já que fora das quatro linhas havia boa amizade entre vários jogadores.
"Era uma rivalidade só dentro de campo, mesmo, porque fora dos jogos éramos todos amigos. O Luizão sempre vinha na minha casa para fazermos churrasco", contou.
"Dentro de campo, havia uma rivalidade imensa, porque eram duas grandes equipes. Eram dois times que gostavam de atacar e vencer, por isso foram partidas lindas, com muitos gols e lances históricos. Mas a gente sabia que que não podíamos perder para o rival nº 1 do Palmeiras. Foi uma satisfação grandíssima eliminá-los!", finalizou, aos risos.
Onde assistir a Palmeiras x Boca Juniors, pela Libertadores?
Palmeiras x Boca Juniors, nesta quinta-feira (5), às 21h30 (de Brasília), pela CONMEBOL Libertadores, tem transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.
