Nesta quinta-feira (28), o Palmeiras visita o Boca Juniors, em La Bombonera, às 21h30 (de Brasília), pela ida da semifinal da CONMEBOL Libertadores. A partida terá transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.
Para os torcedores alviverdes, é impossível não lembrar da famosa partida da semi de 2001 em Buenos Aire. Na ocasião, o juiz paraguaio Ubaldo Aquino cometeu uma das maiores "garfadas" da história do torneio continental, prejudicando o clube brasileiro em dois lances capitais do duelo, que acabou empatado em 2 a 2.
O primeiro foi um pênalti absurdo dado quando o placar mostrava 1 a 0 para os palestrinos. Após balão para a área, o zagueiro Alexandre acompanhava a trajetória da bola e resvalou no atacante Barijho, que despencou no gramado. Aquino assinalou pênalti, que foi convertido por Guillermo Barros Schelotto para empatar.
Mais tarde, já com o o duelo empatado igualado em 2 a 2, Magrão enfiou bola preciosa para o volante Fernando, que saiu na cara do gol. Ele driblou o arqueiro Córdoba, e o colombiano foi direto em suas pernas, num lance claríssimo de penalidade. Mais uma vez, porém, Ubaldo Aquino viu algo muito diferente...
O juiz marcou simulação, dando cartão amarelo para o meio-campista do Palmeiras, que ficou perplexo. Para piorar, o atleta alviverde recebeu outra advertência pouco depois, após discutir com Barijho, e foi expulso, o que o impediu de atuar no duelo de volta.
22 anos depois, Fernando ainda pensa no lance que poderia ter mudado a história daquela semifinal...
"Até hoje não consigo entender"
Aposentado do futebol desde 2010, quando pendurou as chuteiras com incríveis 42 anos, Fernando atualmente trabalha como técnico do sub-17 no Esporte Social Uberlândia, no interior de Minas Gerais.
Em entrevista à ESPN, ele relembrou as "garfadas" de Ubaldo e ressaltou que até hoje não entende as decisões tomadas pelo árbitro paraguaio naquela noite em La Bombonera.
"Até hoje eu fico pensando nisso e vendo até os lances da partida de novo e de novo... No primeiro gol de empate do Boca, o cara [Barijho] se jogou na área com o Alexandre lá, nada a ver, cara... Aí você vê a discrepância em termos de arbitragem naqueles tempos... Sei lá o que o árbitro pensou na hora da decisão. Foi um negócio completamente fora de lógica", rememorou o ex-atleta, que defendeu o Verdão em 103 partidas somando as temporadas 2000 e 2001.
"Depois, no lance em que eu sofri o pênalti, até hoje eu não consigo entender como ele não marcou! E eu acho que foi um lance fundamental para o jogo de volta, sabe? Foram dois bons jogos. Agora, se o árbitro desse o pênalti, eu não posso dizer que a gente conseguiria fazer o gol, mas a única coisa que posso dizer é que nós tínhamos dois ótimos batedores, que eram o Alex e o Fábio Junior", ressaltou.
"Os dois eram ótimos cobradores de pênalti. Então, a possibilidade de a gente fazer o terceiro gol seria muito grande. E aí eu acho, na minha visão, que, em casa, em São Paulo, nós não perderíamos. Ou seja: a chance da gente classificar para a final era muito grande", argumentou.
Na opinião de Fernando, o VAR, apesar de não ser perfeito, conseguiu pelo menos ajudar a acabar com erros claros dos árbitros, como os de Ubaldo Aquino em 2001.
"Eu falo até que o VAR devolveu a justiça para o futebol. Digo isso principalmente para os meus amigos aqui em Uberlândia. Porque um time que tem investimento, que tem um patrocinador que investe no clube com o objetivo de chegar numa competição internacional, de chegar a um Mundial de Clubes, ser eliminado ou não ter a possibilidade de ganhar o título por causa de um erro, de um posicionamento errado de um bandeira, ou o próprio árbitro que interpretou de forma errada, sabe? É muito injusto", lamentou.
"Eu acho que o VAR veio para trazer justiça, principalmente para essas equipes que investem. Imagine que o bandeira deu um impedimento, só que ele se posicionou mal. Ao invés de ele estar posicionado na linha do último defensor, ele se colocar atrás e não viu e deu impedimento de uma situação clara que não era. Não é justo, né?", exemplificou.
"Virei torcedor do Palmeiras"
Fernando chegou ao Palmeiras em 2000, após passagem de dois anos pelo Avispa Fukuoka, do Japão. O Atlético-MG também sondou seus serviços, mas a oportunidade de jogar no Alviverde, que havia conquistado a Libertadores em 1999, falou mais alto.
Em seu primeiro ano no Palestra Itália, o meio-campista, que havia sido Bola de Prata com o Internacional no Brasileirão de 1997, acabou virando uma espécie de 12º jogador do técnico Luiz Felipe Scolari.
Não à toa, ele entrou em campo 51 vezes durante a temporada, conquistando o Torneio Rio-São Paulo e a Copa dos Campeões, além de ter feito parte da campanha no vice da Libertadores, perdida nos pênaltis justamente para o Boca Juniors.
Em 2001, após a saída da Parmalat e um "desmanche" no elenco de craques do ano anterior, Fernando ganhou ainda mais protagonismo, se destacando especialmente nas disputas da Libertadores e da Copa Mercosul. Incansável, ele somou 52 partidas pelo Alviverde na temporada.
Posteriormente, o volante ainda teve passagens de destaque for Botafogo, Marília e Santo André na sequência da carreira, parando de jogar apenas em 2010.
Ao falar sobre o Palmeiras, o ex-jogador demonstra enorme carinho pelo clube, dizendo hoje ser um torcedor palestrino.
"Passei por muitos grandes times, mas, sinceramente... Do Palmeiras eu virei torcedor. Depois da minha passagem, eu virei torcedor. Por tudo aquilo que eu vivi, pelo carinho que o torcedor lá sempre teve comigo, sabe?", observou.
"Então é uma coisa que me envolveu tanto, que hoje eu torço para o Palmeiras, muito mais do que pelos outros times que passei. Pelos outros eu tenho carinho, mas do Palmeiras eu virei torcedor", acrescentou.
Nesta quinta, aliás, Fernando estará ligado na tela da ESPN para assistir a Boca Juniors x Palmeiras. Com olho de quem está iniciando carreira de técnico, ele fez sua avaliação sobre o jogo e apostou na superioridade técnica da equipe comandada por Abel Ferreira.
"O Palmeiras tem um time muito melhor do que o Boca Juniors, tecnicamente. Estou acompanhando alguns jogos do Boca e, na minha visão, o Palmeiras tecnicamente é muito melhor", apontou.
"Agora, tem essa questão, ela é muito... Não posso dizer nem que cultural, mas é uma coisa já que jogos de Libertadores são sempre equilibrados. Então, já vem de anos anteriores, resultados que o Palmeiras venceu, e que o Boca também venceu, deixou o Palmeiras para trás. Então é um jogo de equilíbrio", lembrou.
"Mas, na minha visão, o Palmeiras é muito superior. O Palmeiras tem muito mais time para avançar", finalizou.
Onde assistir a Boca Juniors x Palmeiras?
Boca Juniors x Palmeiras, nesta quinta-feira (28), às 21h30 (de Brasília), pela CONMEBOL Libertadores, tem transmissão ao vivo pela ESPN no Star+
