O Boston River estreia de forma inédita na Conmebol Libertadores nesta quinta-feira (9), às 21h (de Brasília), contra o Zamora. E o clube uruguaio, que possui 84 anos de história, no passado recente, conta com um causo envolvendo Loco Abreu e um zagueiro brasileiro.
A passagem do atacante, que marcou época vestindo a camisa de Botafogo e seleção do Uruguai, durou menos de um ano, mas trouxe um episódio curioso para a história do clube do bairro Manga. No início de 2020, 'El Loco', que acertou em julho de 2019 como jogador, assumiu como treinador. E pediu a contratação de um brasileiro.
'Como que eu recuso o convite do homem?'
Em entrevista ao ESPN.com.br, Weverton da Silva, mais conhecido como 'Petróleo', contou com detalhes como chegou ao Uruguai a convite de Loco Abreu. Mesmo sem nenhum jogo oficial disputado, a experiência para o defensor de 29 anos foi resumida como "incrível".
“Quando veio o convite eu estava em pré-temporada aqui pelo Rio Branco, o outro, de Venda Nova. Ele me enviou o convite, perguntando se tinha interesse. E eu: ‘Como que recuso o convite do homem?’. Aí eu fui para lá. Ele me ligou, ele mesmo fez o convite e eu não neguei. Assim que ele mandou as passagens eu fui”, disse o defensor, que conheceu o uruguaio quando atuaram juntos no Rio Branco-ES.
No estado do Sudeste brasileiro, Loco Abreu mexeu com a população local. Dentro de campo, o uruguaio cobrava muito os companheiros e até treinadores. Fora dele, mobilizava os moradores da cidade, que passaram a lotar os estádios.
“Jogar com o Loco Abreu foi uma das melhores experiências que eu tive. Cobrava muitos nos treinos, dentro de campo em dia de jogo. Não gostava de perder. É um cara competitivo. A chegada dele agregou aqui no nosso estado, eu sou aqui do Espírito Santo. Agregou muito. Chamou a torcida aos estádios, que ficavam vazios. Chamava atenção pela idade e pelos treinamentos. Treinava muito, nunca faltou a um treino, nunca chegou atrasado. Cobrava isso dos companheiros, até do próprio treinador. Era um cara correto dentro e fora de campo. Pelo que a imagem dele representa, ele era o líder e comandava muito bem nossa equipe."
“Minha relação com ele era normal de treinamento, jogos. Era um dos caras que ele dava conselho. De maneira de jogar, porque sou zagueiro. E ele atacante, passava a experiência dele dos times que passou e os jogadores que ele fava da posição. Dava muitos conselhos sobre erros, onde tinha que acertar, trabalhar mais para aprimorar", completou.
'Ele dava dura e eu ficava querendo rebater'
Ex-companheiro como jogador, Weverton 'Petróleo' viu a relação mudar quando Loco Abreu assumiu como treinador do Boston River. E isso interferiu na forma de se comunicar. O zagueiro brincou que, em alguns momentos, queria responder o uruguaio, mas tinha que segurar a língua.
“Ele como técnico foi uma experiência incomum. Eu já tinha amizade com ele jogando, como técnico ele às vezes dava dura e eu ficava querendo rebater. Mas lá ele era meu superior, não era companheiro dentro de campo. Então aquilo ali para mim era complicado. Queria debater, mas era abaixar a cabeça e ouvir. Fora de campo ele é um pouquinho a mais do que é dentro, chato mesmo (risos). As cobranças que são para acertar e diminuir os erros”, contou.
Mesmo sendo 'chato', Loco Abreu é visto por Weverton, que ainda mantém contato com o uruguaio, como um profissional que tem tudo deslanchar na carreira de treinador por ser estudioso.
“Contato com ele ainda tenho, diminuiu por causa da distância, mas de vez em quando a gente troca umas mensagens. Tem potencial para assumir time grande, tem um trabalho diferenciado. Ele viveu muito isso. Acredito sim que tem potencial para assumir time grande. Além da experiência ele é estudioso. Estuda muito sobre futebol. Pode chegar em clubes maiores”, finalizou.
Por conta da pandemia, Weverton 'Petróleo' deixou o clube sem entrar em campo. Já Loco Abreu comandou a equipe em 18 jogos, obtendo três vitórias, sete empates e oito derrotas. O atacante se escalou em 14 partidas e marcou dois gols.
