O chamado 'caso Negreira' colocou o Barcelona na mira da Uefa. Após a Justiça da Espanha aceitar a denúncia apresentada pelos promotores do Ministério Público, a Uefa anunciou nesta quinta-feira (23) que abriu “investigação sobre uma possível violação do quadro jurídico” da entidade pelo clube catalão.
Promotores apresentaram acusações contra o Barça no dia 10 de março após a revelação de pagamentos feitos pelos culés a José Maria Enriquez Negreira, ex-vice-presidente do comitê de arbitragem.
A Uefa nomeou representantes para analisar questões disciplinares e éticas que possam ter sido descumpridas pelo Barcelona.
“De acordo com o artigo 31.º, n.º 4 do Regulamento Disciplinar da UEFA, os Inspetores Disciplinares e de Ética da UEFA foram nomeados para conduzir uma investigação sobre uma potencial violação do quadro jurídico da UEFA por parte do FC Barcelona relacionada com o chamado 'Caso Negreira'. Mais informações sobre este assunto serão dadas oportunamente”.
A Federação Espanhola de Futebol anunciou na última semana que acompanhava de perto os desdobramentos das investigações, e que havia enviado à Uefa documentos pertencentes ao Departamento de Integridade da RFEF.
Entenda o 'caso Negreira'
O Barcelona pagou à empresa de Negreira cerca de 7 milhões de euros entre 2001 e 2018, enquanto ele era o vice-presidente do comitê de arbitragem. Ele já havia arbitrado na primeira divisão espanhola.
Joan Laporta, atual presidente do clube catalão, afirmou que os pagamentos eram para ‘relatórios técnicos sobre árbitros’ e negou que o clube tenha ‘comprado árbitros ou influência’.
No entanto, na acusação apresentada, os promotores acusaram Rosell e Bartomeu de terem um acordo com Negreira no qual ‘ele realizaria ações visando favorecer o Barcelona na tomada de decisão dos árbitros nas partidas disputadas pelo clube e, portanto, nos resultados das competições’.
Rosell foi presidente do clube de 2010 a 2014 antes de Bartomeu substituí-lo. Depois de seis anos à frente do clube catalão, Bartomeu renunciou em 2020, e Laporta foi eleito como substituto em 2021.
Javier Tebas, presidente de LaLiga, disse estar ‘envergonhado’ com o caso e criticou Laporta por não dar uma explicação apropriada a respeito dos pagamentos.
Laporta - que será citado como testemunha no caso porque sua primeira passagem como presidente foi entre 2003 e 2010 - diz que as acusações são resultado de uma campanha para manchar a imagem do clube.
Tebas já disse que LaLiga não pode punir com o Barcelona com uma sanção esportiva devido ao tempo decorrido. Uefa e Fifa podem intervir, e as autoridades do futebol espanhol informaram que a Uefa solicitou informações sobre o caso.
