A Federação Espanhola de Futebol se manifestou nesta quarta-feira (16) após a Justiça da Espanha acatar a denúncia apresentada pelos promotores contra o Barcelona, abrindo assim uma investigação sobre denúncias de corrupção envolvendo árbitros.
Promotores apresentaram acusações contra o clube catalão na última sexta-feira (10) após a revelação de pagamentos feitos a José Maria Enriquez Negreira, ex-vice-presidente do comitê de arbitragem.
Em comunicado, a RFEF afirmou que tem colaborado com a investigação. A entidade reportou o envio à Uefa de documentos pertencentes ao Departamento de Integridade da Federação.
“A RFEF está colaborando desde o primeiro momento com as autoridades competentes para facilitar ao máximo o trabalho de investigação destes acontecimentos, que antecedem a atual gestão”, citou a entidade.
“Vale reiterar o inquestionável empenho da RFEF neste caso, iniciando uma investigação interna assim que o incidente foi conhecido. A Federação, pronta a colaborar em todos os momentos, quer que se chegue até ao fim e pede, por sua vez, a serenidade necessária e aconselhável que ajude a atenuar o clima de tensão que se tem criado face à coletividade de arbitragem”.
Sandro Rosell e Josep Maria Bartomeu, ex-presidentes do Barcelona, Oscar Grau e Alber Soler, ex-executivos do clube, e José Maria Enriquez Negreira também são listados como réus no caso. Todos são acusados de corrupção no esporte, corrupção nos negócios, falsa administração e falsificação de documentos comerciais.
Veja abaixo o comunicado emitido pela Federação Espanhola
“A Real Federação Espanhola de Futebol se pronunciou no processo, uma vez que foi admitida pelo Tribunal de Instrução de Barcelona a denúncia do Ministério Público sobre pagamentos do FC Barcelona ao ex-vice-presidente do Comitê Técnico de Árbitros, José María Enríquez Negreira.
Além disso, tendo analisado a situação, a RFEF já enviou ao Diretor de Integridade da UEFA o relatório do Departamento de Integridade da Federação e toda a documentação referente.
A RFEF está colaborando desde o primeiro momento com as autoridades competentes para facilitar ao máximo o trabalho de investigação destes acontecimentos que antecedem a atual gestão. A UEFA também foi informada da representação no tribunal pela Real Federação Espanhola de Futebol. Ao mesmo tempo, foi enviado para o CSD, com cópia para o FC Barcelona e o CTA, o referido relatório preparado pelo Departamento de Integridade.
Vale reiterar o inquestionável empenho da RFEF neste caso, iniciando uma investigação interna assim que o incidente foi conhecido. A Federação, pronta a colaborar em todos os momentos, quer que se chegue até ao fim e pede, por sua vez, a serenidade necessária e aconselhável que ajude a atenuar o clima de tensão que se tem criado face à coletividade de arbitragem. Isso não é benéfico para o futebol. A aplicação da justiça requer tempo e comprovação daqueles fatos que podem ser considerados ilícitos.
Por fim, a RFEF agradece a união do grupo de arbitragem em torno do CTA, que reuniu todos os árbitros que atualmente exercem o seu trabalho no futebol profissional, mas que por sua vez recebeu o apoio maciço de ilustres lendas da arbitragem espanhola que passado contribuíram para o crescimento do nosso futebol. A todos eles, OBRIGADO!”
O caso
O Barcelona pagou à empresa de Negreira cerca de 7 milhões de euros entre 2001 e 2018, enquanto ele era o vice-presidente do comitê de arbitragem. Ele já havia arbitrado na primeira divisão espanhola.
Joan Laporta, atual presidente do clube catalão, afirmou que os pagamentos eram para ‘relatórios técnicos sobre árbitros’ e negou que o clube tenha ‘comprado árbitros ou influência’.
No entanto, na acusação apresentada, os promotores acusaram Rosell e Bartomeu de terem um acordo com Negreira no qual ‘ele realizaria ações visando favorecer o Barcelona na tomada de decisão dos árbitros nas partidas disputadas pelo clube e, portanto, nos resultados das competições’.
Rosell foi presidente do clube de 2010 a 2014 antes de Bartomeu substituí-lo. Depois de seis anos à frente do clube catalão, Bartomeu renunciou em 2020, e Laporta foi eleito como substituto em 2021.
Javier Tebas, presidente de LaLiga, disse estar ‘envergonhado’ com o caso e criticou Laporta por não dar uma explicação apropriada a respeito dos pagamentos.
Laporta - que será citado como testemunha no caso porque sua primeira passagem como presidente foi entre 2003 e 2010 - diz que as acusações são resultado de uma campanha para manchar a imagem do clube.
Tebas já disse que LaLiga não pode punir com o Barcelona com uma sanção esportiva devido ao tempo decorrido. Uefa e Fifa podem intervir, e as autoridades do futebol espanhol informaram que a Uefa solicitou informações sobre o caso.
