Com dancinha ao lado de Neymar, CBF sai em defesa de Vinicius Jr. após episódio de racismo na Espanha

Em sua conta no Instagram, a CBF saiu em defesa de Vinicius Jr. após episódio de racismo na Espanha: 'Vai ter dança, drible, mas, acima de tudo, respeito'


O futebol brasileiro segue se posicionando contrário às manifestações com os termos racistas ditos por um empresário espanhol e direcionados a Vinicius Jr. durante um programa de TV na Espanha.

Na última quinta-feira (15), Pedro Bravo, presidente da Associações de Agentes Espanhóis, usou termo racista ao comentar a polêmica envolvendo comemorações do atacante do Real Madrid em partidas de LaLiga.

Durante entrevista ao famoso programa de TV ‘El Chiringuito’, Bravo comparou o brasileiro a um macaco, o que gerou reações fortíssimas de repúdio por todo o mundo.

“Tem que respeitar o adversário. E quando você marca um gol em seu adversário, se quiser sambar, vá para o Sambódromo, no Brasil. Aqui, o que você tem que fazer é respeitar seus companheiros de profissão e deixar de brincar de macaco. Tem que respeitar”, disse Bravo.

Em sua conta no Instagram, a Confederação Brasileira de Futebol se manifestou sobre esta declaração.

“Vai ter dança, drible, mas, acima de tudo, respeito. Na noite desta quinta-feira (15), nosso atleta Vinicius Jr. foi alvo de declarações racistas. A CBF se solidariza e reforça #BailaViniJr” escreveu a entidade nas redes sociais.

Veja abaixo o posicionamento do presidente da CBF sobre o caso

O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, se solidariza com o atacante Vinícius Junior, vítima de declarações racistas proferidas pelo empresário Pedro Bravo na TV da Espanha.

“Nenhum ser humano merece ser vítima de xingamentos racistas. Minha solidariedade ao Vinícius Junior. A CBF repudia sempre qualquer manifestação neste sentido. É lamentável ainda ouvirmos declarações deste tipo no século XXI”, disse o presidente da CBF.

Para Rodrigues, não há preço que pague o que passa uma pessoa vítima de racismo e os crimes merecem punição, dentro e fora de campo.

Eleito em março, ele é o primeiro negro a comandar a CBF. Desde então, a entidade realiza uma série de ações de combate ao preconceito.

No mês passado, durante a realização do Seminário de Combate ao Racismo e à Violência no Futebol, na sede da entidade, - e que contou com a presença do presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez -, Rodrigues foi taxativo e defendeu fortemente a punição, com perda de pontos, para atos de racismo em campo, além da perda financeira para os clubes, entre outras formas de sanção, incluindo penas na área criminal. O seminário contou com discurso do presidente da Fifa, Gianni Infantino, e a presença do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

Nesta semana, em reunião virtual que mais uma vez teve a participação do presidente da Conmebol e de presidentes de outras confederações, Rodrigues voltou a enfatizar a importância da aplicação destes mecanismos como meios de combate ao racismo. A reunião teve a presença de presidentes de 16 clubes do continente, sendo seis do Brasil.

“Não existe mais licença paga para o racismo. Não basta pagar uma multa vultosa e, com isso, considerar que houve combate ao racismo. Nada justifica atos como esses, que acontecem de forma recorrente, em todos os campos de futebol pelo mundo. Sou a favor da aplicação de multas financeiras em montantes significativos, da perda de pontos, mas é preciso deixar claro que nada disso terá efeito concreto de forma isolada. É necessário também que se responda criminalmente por estes atos, com punição e cadeia para os envolvidos”, ressaltou Rodrigues.

Rodrigues reforçou que as conquistas da CBF dentro de campo são importantes, mas também é uma bandeira da entidade e de sua gestão, o combate ao racismo. Para ele, não basta cumprir regras ou pagar multas se não houver conscientização de que racismo é crime e que o respeito é um direito fundamental de todos, não importa a cor da pele.

“Somos todos iguais, não importa cor, raça, religião. Nosso país é resultado de uma mistura de origens. Nosso futebol está em todas as partes do mundo. Não há mais espaço no planeta para esse tipo de crime. Temos no estatuto da Fifa e da Conmebol a perda de pontos para casos de racismo, basta pôr em prática. Estamos às vésperas da Copa do Mundo. Basta fazer cumprir”, completou.

Origem de toda a confusão

Na última segunda-feira, a rede de televisão Movistar divulgou imagens de sua câmera de dentro do campo e fez uma leitura labial das palavras de Vinicius Jr. Ele é provocado, provoca também e ouve reprimendas de arbitragem, rivais e até mesmo companheiros.

Em uma das imagens, por exemplo, ele ouve provocações de um rival – a televisão não tinha sua câmera focada nos jogadores do Mallorca – e responde: “Ele fala muito!”.

Posteriormente, reclama ao árbitro: “Não me deixam jogar! Falta, falta, falta... No fim das contas, não jogo.”

Em outras filmagens, o enfrentamento verbal de Vinicius Jr. com os rivais aumenta e gera até atitudes de seus companheiros.

O brasileiro provoca o zagueiro Antonio Raíllo, dizendo “dá outra, dá outra!”, sendo reprimido por Alaba imediatamente.

Na sequência, ele conversa de maneira amistosa com o lateral-esquerdo do Mallorca, Jaume Costa.

Jaume Costa: “Por favor, você está vacilando. Pare, por favor.”

Vini responde: “Estão me batendo a partida inteira.”

Jaume: “Mas só podemos fazer isso.”

Percebendo os ânimos esquentados, Ancelotti tenta intervir. O técnico do Real Madrid é flagrado pela câmera gritando: “Silêncio!”

Mas Vini Jr seguiu com seus enfrentamentos verbais. O brasileiro foi cobrar o técnico do Mallorca, Javier Aguirre, dizendo “Isso não!”. O veterano Toni Kroos até tentou afastá-lo, mas sem sucesso.

“O treinador disse para me pegarem!”, confessou Vinicius Jr. a Nacho, conforme flagrou a leitura labial. O brasileiro teria ficado irritado com a orientação do técnico rival para fazerem faltas nele.

Recado de rival do Atlético de Madrid

Em entrevista ao canal Movistar+ nesta quinta-feira (15), Koke, capitão do time de Simeone, comentou sobre as comemorações de Vinicius Jr e respondeu se a torcida colchonera ficaria irritada com uma possível dancinha do brasileiro.

“Haveria confusão, com certeza. É normal. Se no final marca um gol e decide dançar, é o que quis fazer. Se eu entendo ou não? Cada um tem sua forma de ser e celebra os gols como quer'', disse.

O Atlético de Madrid recebe o Real Madrid, no domingo (18), às 16h, pela 6ª rodada de LaLiga. A partida terá transmissão pela ESPN no Star+.