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Meia citado em escândalo de apostas fica fora de jogo do Inter, mas ganha defesa de clube: 'Reafirmamos nossa confiança'

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Victor Ramos teve conversa tensa com intermediário de esquema de apostas e cobrou pagamento; veja prints (0:30)

A investigação aponta que o intermediário Pedro Gama dos Santos Jr. prometeu R$ 100 mil a Victor Ramos, então atleta da Portuguesa, para que ele cometesse um pênalti na partida contra o Guarani, pelo Campeonato Paulista 2023. (0:30)

Um dos muitos jogadores citados na Operação Penalidade Máxima 2, que investiga casos de apostas e manipulações no futebol brasileiro, o meia Maurício foi retirado da lista de relacionados do Internacional para a partida desta quarta-feira (10), contra o Athletico-PR, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro.

Em nota oficial, o time gaúcho diz acreditar na versão do jogador, que negou qualquer participação no esquema, mas optou por preservar o atleta da partida desta noite. Mauricio voltará a treinar normalmente na quinta (11) para ficar à disposição da comissão técnica.

"O Sport Club Internacional, diante dos fatos veiculados nos meios de mídia na tarde do dia de hoje e que denotam uma citação ao atleta Maurício, vem a público informar que já depurou com o atleta todos os elementos relacionados a citação de seu nome na investigação que se desenvolve a respeito das apostas esportivas no âmbito do futebol brasileiro e que se tornaram públicas nos últimos dias", informou o clube gaúcho em nota.

"O atleta apresentou os elementos e provas robustas que demonstram a sua não participação em quaisquer fatos irregulares que estão sendo veiculados. Reafirmamos a nossa confiança no atleta diante de tudo que foi preliminarmente depurado. Em face da repercussão ocasionada há poucas horas antes do início da partida válida pelo Campeonato Brasileiro no dia de hoje contra a equipe do Athletico, decidiu-se por comum acordo pela preservação do jogador exclusivamente na presente partida", publicou o Inter.

"A partir de amanhã, o atleta retornará a sua normal rotina de treinamentos e estará plenamente a disposição para representar o clube. O Sport Club Internacional reafirma o seu compromisso com a ética esportiva e apoia a depuração de qualquer fato que possa atentar contra o futebol", finalizou o clube.

Jogador negou convite para participar de esquema

Segundo apurou a ESPN, o meia Maurício, do Internacional, foi sondado para participar do esquema de apostas que agora é investigado pela "Operação Penalidade Máxima 2", do MP-GO (Ministério Público do Estado de Goiás).

De acordo com pessoas do estafe do atleta ouvidas pela reportagem, o meio-campista de fato foi procurado pelos criminosos, mas cortou contatos e "negou veementemente" qualquer possibilidade de participar do esquema.

Ainda segundo apuração da ESPN, Maurício foi abordado primeiramente por um intermediário, quando deu seu primeiro "não".

Na sequência, o atleta do Inter foi procurado de novo, desta vez por ligação telefônica, e dispensou os aliciadores.

"Não curto esta parada. Não vou mudar de ideia", foi a frase dita por Maurício, de acordo com informações obtidas pela reportagem.

Vale lembrar que, na última terça-feira (9), a Justiça de Goiás acatou a denúncia feita pelo MP contra os 16 investigados na "Operação Penalidade Máxima 2".

Ao todo, sete atletas se tornaram réus na ação, ao lado de nove apostadores que comandam a organização criminosa.

Os réus vão a julgamento após o processo de instrução feito pelo juiz.

Entre a última terça e esta quarta-feira (10), diversos jogadores também foram afastados por seus clubes, como Eduardo Bauermann (Santos), Vítor Mendes (Fluminense), Richard (Cruzeiro), Nino Paraíba (América-MG), Fernando Neto (São Bernardo) e Pedrinho (Athletico-PR).

Veja abaixo quais são os jogos que estão sob investigação na Série A

Quais jogadores estão sendo investigados?

  • Eduardo Bauermann (Santos)

  • Gabriel Tota (Ypiranga-RS)

  • Victor Ramos (Chapecoense)

  • Igor Cariús (Sport)

  • Paulo Miranda (Náutico)

  • Fernando Neto (São Bernardo)

  • Matheus Gomes (Sergipe)

Quais jogadores também foram citados no processo?

  • Vitor Mendes (Fluminense)

  • Richard (Cruzeiro)

  • Nino Paraíba (América-MG)

  • Dadá Belmonte (América-MG)

  • Kevin Lomonaco (Red Bull Bragantino)

  • Moraes Jr. (Juventude)

  • Nikolas Farias (Novo Hamburgo)

  • Jarro Pedroso (Inter de Santa Maria)

  • Nathan (Grêmio)

  • Pedrinho (Athletico-PR)

  • Bryan García (Athletico-PR)

Apostadores e membros da organização

  • Bruno Lopez de Moura

  • Ícaro Fernando Calixto dos Santos

  • Luís Felipe Rodrigues de Castro

  • Victor Yamasaki Fernandes

  • Zildo Peixoto Neto

  • Thiago Chambó Andrade

  • Romário Hugo dos Santos

  • William de Oliveira Souza

  • Pedro Gama dos Santos Júnior

O que a "Operação Penalidade Máxima" investiga

A investigação da "Operação Penalidade Máxima" aponta que grupos criminosos convenciam jogadores, com propostas que iam até R$ 100 mil, a cometerem lances específicos em partidas e causassem o lucro de apostadores em sites do ramo.

Um jogador cooptado, por exemplo, teria a "função" de cometer um pênalti, receber um cartão ou até mesmo colaborar para a construção do resultado da partida - normalmente uma derrota de sua equipe.

As primeiras denúncias ouvidas pela operação surgiram no fim de 2022, quando o volante Romário, então jogador do Vila Nova (GO), aceitou R$ 150 mil para cometer um pênalti contra o Sport, em partida válida pela Série B do Brasileiro.

Na ocasião, o atleta embolsou R$ 10 mil imediatamente e só ganharia o restante caso o plano funcionasse. Romário, porém, sequer foi relacionado para a partida, o que estragou a ideia.

A história chegou até Hugo Jorge Bravo, presidente do time goiano e também policial militar, que buscou provas e as entregou ao Ministério Público do estado. A partir daí, criou-se a operação "Penalidade Máxima" para investigar provas e suspeitas sobre o assunto.

Na primeira denúncia, havia a suspeita de manipulação em três jogos da Série B, mas os últimos acontecimentos levaram os investigadores a crer que o problema era de âmbito nacional e havia acontecido em campeonatos estaduais e também na primeira divisão do Brasileiro.

Além de Romário, outros sete jogadores foram denunciados pelo Ministério Público por participarem do esquema de fabricação de resultados: Joseph (Tombense), Mateusinho (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Cuiabá), Gabriel Domingos (Vila Nova), Allan Godói (Sampaio Corrêa), André Queixo (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Ituano), Ygor Catatau (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Sepahan, do Irã) e Paulo Sérgio (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Operário-PR).

Algum jogador de futebol foi preso?

Nenhum jogador preso, só pessoas envolvidas nos pedidos de manipulação. Foram três mandados de prisão em São Paulo, mas só para não atletas.

Foram apreendidas granadas de efeito moral em um mandado de prisão em São Paulo a armas de fogo em outro endereço, também em terras paulistas. Nesse local, houve também um flagrante de armas de fogo sem o devido registro.

Os atletas ou aliciadores podem ser indiciados via Estatuto do Torcedor e também podem responder por crime por lavagem de dinheiro, se for o caso. Segundo o Estatuto do Torcedor, a pena varia de 2 a 6 anos de prisão.

O que os jogadores faziam para manipular as partidas?

Os atletas e envolvidos suspeitos estão sendo investigados por manipulação da seguinte forma: receber cartões amarelo ou vermelho, cometer um pênalti, garantir uma derrota parcial no 1º tempo, número de escanteios, etc.