Em entrevista ao ESPN.com.br, ex-atacante Asprilla lembrou momentos divertidos de sua passagem pelo Palmeiras
Poucos ex-jogadores são tão bons contadores de história quanto Faustino Asprilla, que jogou por Palmeiras e Fluminense no Brasil entre 1999 e 2001.
O colombiano chegou ao Verdão em 1999 trazido pela Parmalat, então co-gestora do futebol do clube, com status de estrela. Afinal, ele vinha de excelentes passagens por Parma e Newcastle no futebol europeu, além de ter jogado as Copas do Mundo de 1994 e 1998 com a seleção da Colômbia.
Durante sua passagem pelo Alviverde, Asprilla viveu grandes momentos, como a disputa do Mundial de Clubes de 1999, contra o Manchester United, e os títulos do Rio-São Paulo e da Copa dos Campeões, ambos em 2000, além da campanha do vice na Libertadores de 2000, com direito a eliminação do rival Corinthians na semifinal.
Sempre irreverente e provocador, o colombiano logo entrou na mira da torcida alvinegra, e precisava até se disfarçar para circular perto da casa em que morava, no Pacaembu, zona oeste de São Paulo, já que o Timão mandava a maioria de suas partidas no estádio do bairro.
"Sempre fui uma pessoa alegre, os meus companheiros sabiam disso, meus adversários também. Gostava de fazer brincadeiras e estava sempre disposto a tudo. Eu tinha uma casa muito linda em São Paulo, que ficava a 200m do estádio do Pacaembu. Fazíamos muitos churrascos lá. O problema é que eu precisava andar disfarçado nos dias de jogos do Corinthians para não ser reconhecido (risos)", sorriu, em entrevista ao ESPN.com.br.
"Algumas vezes, ficavam um monte de corintianos na frente da minha casa. Eu usava peruca, boné e óculos escuros para escapar deles (risos). Tinha tudo guardado dentro do meu carro! Eu precisava passar tranquilo, mostrando calma, porque todos me olhavam e eu não podia abrir a boca, senão iam saber que eu era estrangeiro (risos)", divertiu-se.
"Eu não queria que eles soubessem aonde eu morava. Tinha medo de ser reconhecido como o Asprilla do Palmeiras e ser morto (risos). Ainda bem que nunca fui reconhecido!", relatou, aliviado.
A casa de Asprilla no Pacaembu, aliás, era um dos points de encontro do elenco "galáctico" do Palmeiras, que tinha vários atletas quem eram muito bons de bola e também de festa.
O ex-atacante, que hoje é comentarista dos canais esportivos do grupo Disney na Colômbia, também lembrou outra curiosidade de seus churrascos: a banda que comia mais que os convidados.
"Lembro que todas as vezes ia um grupo de pagode, eram quatro caras que comiam o tempo inteiro! Eu não sabia como eles faziam para comer tanto e depois tocar pagode por horas (risos)", gargalhou.
"Era muito engraçado, porque diziam que você tinha que chegar cedo na festa, senão eles acabavam com toda a comida e bebida (risos)!", exclamou.
De acordo com "Tino", como o ex-atleta era conhecido, o plantel alviverde sabia dosar bem as festas com os vários jogos importantes da temporada.
"Eram momentos lindos! A gente tinha uma equipe que podia se dar ao luxo de fazer essas reuniões, porque ganhava sempre. A gente fazia festa, mas, no dia seguinte, treinávamos forte e o Palmeiras passava por cima dos outros. A gente treinava e jogada muito, então era sempre bom ter esses pequenos descansos", ressaltou.
'O jogador mais burro com quem joguei'
Asprilla guarda até hoje grandes amizades com os craques que atuou nos tempos de Palmeiras, e simplesmente chora de dar risada ao se lembrar das histórias vividas ao lado de Pena, centroavante que defendeu o Alviverde entre 1999 e 2000 antes de fazer grande sucesso no futebol português.
Segundo o colombiano, Pena era motivo de zoação no elenco palestrino pela enorme quantidade de gafes que cometia.
"Eu era muito parceiro de Júnior, Pena, Neném, Galeano, Agnaldo, Roque Júnior, somos amigos até hoje! Mas o jogador mais burro que conheci se chama Pena (risos)!", disparou.
"Quando o Pena foi negociado para o Porto, ele levou um carro do Brasil para Portugal, porque achou que lá não ia conseguir achar um carro conversível (risos). Ele comprou no Brasil e mandou levar para lá (risos)", relembrou.
As memórias do ex-lateral-esquerdo Júnior também fazer Asprilla morrer de rir.
"O Júnior era muito engraçado, porque é baiano e fala muito rápido com aquele sotaque. A gente falava que tinha que ter um tradutor no elenco para explicar o que ele falava (risos)", brincou.
O sempre ranzinza Luiz Felipe Scolari, que foi treinador de Asprilla durante toda a sua passagem pelo Palestra Itália, adorava dar broncas nos atletas, que hoje viraram motivos de piada.
"Teve um dia no treino que o Ascolari chamou Alex, Arce, Neném e eu. Colocou uma barreira para a gente treinar faltas e disse: 'Quando a falta for aqui perto da área, é só passar a bola por cima da carreira. Bate devagarzinho e passa a bola pela barreira, porque o gol é muito perto'", lembrou.
"Todo mundo chutou bem devagar, como ele tinha pedido. Na vez do Neném, ele solta uma bomba fortíssima, a bola bateu na barreira e voltou direto na cara do Felipão. Na hora, ele ficou p*** e começou a berrar: 'Você é burro pra c***! Eu falei para bater devagar e você solta essa bomba!'. O pior foi que a gente não podia rir, senão Felipão ia ficar ainda mais bravo! (risos)", divertiu-se.
"A passagem pelo Palmeiras foi algo incrível. Nosso grupo era muito engraçado e feliz. O Marcos era o comandante da conversa, sempre muito simpático, divertido e falante. Por outro lado, o Evair e o Zinho eram um pouco mais sérios e calados. Mas o resto eram só jovens, todos muito felizes", finalizou.
