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Luís Fabiano lembra 'Super-Sevilla' que mandou na Espanha: 'Amassamos Barcelona de Messi e Ronaldinho e fizemos 5 no Real'

Luís Fabiano jogou por seis anos no Sevilla e ajudou equipe andaluz a conquistar vários títulos importantes na Espanha e na Europa


Neste domingo (28), Real Madrid e Sevilla fazem jogaço pela 15ª rodada de LaLiga, às 17h (de Brasília), valendo a liderança do Campeonato Espanhol. Os merengues lideram o torneio com 30 pontos, enquanto so andaluzes têm 28, em 3º lugar.

E se hoje o Sevilla é uma das grandes forças do futebol ibérico, isso se deve ao grande trabalho feito pela equipe alvirrubra desde o início dos anos 2000, quando o clube montou um elenco de feras que ganhou grandes títulos não só na Espanha como também a nível europeu.

Real Madrid x Sevilla tem transmissão ao vivo pela ESPN no Star+ neste domingo (28), às 17h (de Brasília)

Um dos grandes nomes do "Super-Sevilla" que batia de frente com os gigantes Real Madrid e Barcelona era o atacante Luís Fabiano, que jogou pelos Rojiblancos entre 2005, quando chegou do Porto, até 2011, ano em que acertou seu retorno ao São Paulo.

Em entrevista ao ESPN.com.br, o "Fabuloso" revelou que o interesse dos andaluzes em seu futebol já era forte desde seus anos iniciais no Morumbi, mas sua chegada à Andaluzia foi um tanto enrolada.

"Ainda no tempo do São Paulo, o Sevilla e o Betis já haviam me sondado. Eu acabei indo para o Porto, em 2004, mas o Sevilla seguiu me acompanhando. No meio do meu primeiro ano em Portugal, as coisas não estavam dando muito certo e meu empresário recebeu um contato perguntando se eu teria interesse em ir por empréstimo. As coisas continuaram não dando certo e, um pouco antes de junho de 2005, tive uma reunião com a diretoria do Porto e disse que queria sair, pois ia buscar coisas novas", contou.

"Nesse meio tempo, veio o Sevilla, com o Monchi, famoso diretor deles, e ligaram para o meu empresário. Falaram que tinham interesse em comprar, e isso era bom para todos os lados. Como as cidades são perto, viajamos para Sevilha para ver a estrutura, gostamos e decidimos mudar. Nisso, até apareceram outras propostas, mas nem quis mais negociar. Houve até possibilidade de retornar ao Brasil, mas não avançou, porque eu quis o Sevilla desde o início", ressaltou.

Quando o "Fabuloso" chegou ao Sevilla, a equipe já tinha formado boa parte da base que seria multicampeã ao longo da década de 2000. Alguns jogadores saíam, outros chegavam, mas o clube sempre conseguia se reconstruir, ao mesmo tempo que melhorava sua estrutura e se tornava cada vez maior.

"O time era muito ambicioso e promissor, mas estava em formação para se tornar uma força na Espanha. Foram contratados muitos jogadores ao longo dos anos. Eu cheguei a jogar rapidamente com Júlio Baptista e Sergio Ramos, mas logo eles foram vendidos ao Real Madrid. Ainda assim, o elenco tinha vários outros brasileiros, como Renato, Daniel Alves e Adriano", rememorou.

"Uma coisa que vale elogiar no Sevilla é que eles sempre cumpriram tudo o que prometeram. Eles disseram que fariam um CT e dariam condições excelentes para a gente, e fizeram. Disseram que contratariam jogadores de seleções de todo o mundo, e contrataram", exaltou.

"E uma outra coisa eles faziam bem: contratavam jogadores que tinham sede de título e vontade de aparecer na Europa. É por isso que deu tudo tão certo. O Monchi é um gênio, acerta 90% das contratações e sempre sabe o que faz", salientou.

Com a camisa alvirrubra, Luís Fabiano ganhou duas Copas do Rei, uma Supercopa da Espanha, duas Copas da Uefa (atual Europa League) e uma Supercopa da Uefa.

Vários desses títulos foram conquistados em cima de grandes equipes, como o Real Madrid dos "galácticos" e o fortíssimo Barça de Ronaldinho, Messi e Eto'o.

"Aquele nosso time foi muito bem montado e batia de frente com Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid. Vencemos muitas coisas nos meus anos lá. E o Sevilla continuou crescendo depois disso. Hoje, briga com o Atlético de Madrid para ser a 3ª força da Espanha", argumentou.

'Depois desse gol, foi uma história linda'

A primeira temporade de Luís Fabiano no Sevilla, em 2005/06, teve altos e baixos. O brasileiro demorou para engrenar, mas correspondeu bem no momento mais importante do ano.

"Minha primeira temporada não foi tão fácil. A adaptação foi complicada, porque eu não vinha bem no Porto. Aconteceram muitas coisas no meu tempo em Portugal, teve até o sequestro da minha mãe, e eu não vinha bem", recordou.

"O treinador do Sevilla, o Juande Ramos, era ótimo, mas era daquele tipo carrasco. Pegava bastante no meu pé. Ele me deixou muito no banco, mas em todos os jogos decisivos, como semifinais e finais, me colocava (risos)", lembrou.

"Isso me ajudou bastante, e as coisas viraram para mim depois que fiz o gol na final da Copa da Uefa (contra o Middlesbrough, da Inglaterra). Depois disso, a história foi bem diferente, porque veio a confiança e a moral. A desconfiança da torcida foi embora e fui acolhido de forma espetacular. Depois disso, fizemos uma história linda", ressaltou.

Logo na virada da temporada 2005/07, o "Fabuloso" já mostrou que as coisas seriam bem diferentes. Ele teve uma grande atuação no massacre por 3 a 0 dos alvirrubros em cima do fortíssimo Barcelona do técnico Frank Rijkaard, que era o atual campeão da Champions League, na Supercopa da Uefa.

"Essa partida foi um 3 a 0 que cabia até mais em cima do Barcelona de Deco, Ronaldinho, Messi e Eto'o, em Mônaco. Foi um jogaço, no qual amassamos o Barcelona. Ganhamos com gols do Renato, do Kanouté e do Maresca, e o gol do Renato foi em uma jogada minha", exaltou.

Nesta mesma temporada, o Sevilla ainda faturou a Copa do Rei, o que deu direito a disputar a Supercopa da Espanha contra o Real Madrid dos "galácticos" no início de 2007/08.

Mais uma vez, os Rojiblancos arrebentaram um rival que era considerado favorito, com a dupla Luís Fabiano-Kanouté jogando o fino da bola.

"No 1º jogo da Supercopa, ganhamos de 1 a 0, com gol meu, e no 2º metemos 5 a 3 em pleno Santiago Bernabéu. Isso foi muito marcante!", exclamou.

"Era o fim da 'era dos galácticos' do Real Madrid, que foi uma época que eles não conquistaram grandes coisas na Espanha, ficaram mais na promessa, apesar de terem um grande time. Ainda assim, o Sevilla conseguiu manter uma equipe muito forte, no qual a expertise do Monchi foi fundamental para segurar o time forte por tantos anos, sempre trazendo novos jogadores quando vendia alguém", rememorou.

Enquanto o Sevilla empilhava títulos, aliás, o "Fabuloso" também acumulava propostas de gigantes europeus em sua mesa. No entanto, ele foi ficando no clube no qual se sentia em casa, e continuou marcando gols e levantando taças.

"O Sevilla viveu seis anos históricos batendo em Real Madrid e Barcelona, chegando a finais e ganhando e disputando Champions League frequentemente. Foram os melhores seis anos da história do clube", afirmou.

"Eu tive propostas concretas de Milan, Real Madrid, Shakhtar Donetsk, Olympique de Marselha... Enfim, muitas propostas. Mas sempre que eu recebia alguma proposta, o presidente do Sevilla ia lá, renovava meu contrato e falava que não ia me deixar sair (risos). No fim, foi bom para mim e para eles!", encerrou.