Andy Carroll foi uma das contratações mais badaladas da história do Liverpool, mas decepcionou e ainda deu enorme prejuízo as Reds
Neste sábado, o Liverpool recebe o Arsenal, em Anfield, às 14h30 (de Brasília), pela 12ª rodada da Premier League.
Se hoje são uma das equipes mais fortes da Inglaterra e da Europa, os Reds viveram momento bem diferente há 10 anos, quando fizeram uma das contratações mais decepcionantes de sua rica história.
Liverpool x Arsenal tem transmissão ao vivo e exclusiva para assinantes Star+ neste sábado (20), às 14h30 (de Brasília)
Em 31 de janeiro de 2011, no último dia da janela de transferências do inverno europeu, a equipe de Anfield anunciou que havia chegado a um acordo com o Newcastle para contratar o atacante Andy Carroll, sensação dos Magpies, por 35 milhões de libras (R$ 262,63 milhões, na cotação atual).
Carroll chegou ao Liverpool para substituir o espanhol Fernando Torres, que havia sido vendido ao Chelsea, e se tornou assim a contratação mais cara da história dos Reds naquele momento. Ele ganhou a camisa 9 e foi apresentado ao lado de Luis Suárez, que foi comprado no mesmo dia do Ajax.
O grandalhão também entrou em outras listas gloriosas logo após ser vendido pelo Newcastle: virou o jogador inglês mais caro da história e o 8º atleta mais caro de todos os tempos no futebol até então.
Quem conheceu Carroll ainda na juventude garante que o investimento feito pelo Liverpool à época parecia ter sido certeiro.
É o caso do ex-zagueiro Cláudio Caçapa, que jogou pelos Magpies entre 2007 e 2009 e atualmente é auxiliar-técnico do Lyon, da França.
O ex-Atlético-MG, Cruzeiro e seleção brasileira foi testemunha do nascimento de um "fenômeno" da base do Newcastle, com Carroll sendo promovido ao profissional em St. James Park ainda muito jovem, em 2006, mas com todos os méritos.
"Naquela época que jogamos juntos, ele era um monstro. Tinha 17 para 18 anos e era isso mesmo: um monstro!", exclamou Caçapa, em entrevista ao ESPN.com.br.
"Mesmo bem jovem, ele era forte, alto pra caramba e excelente na bola aérea. É tudo o que os ingleses sempre gostaram: centroavante alto, forte, bom de cabeça para fazer o desvio e também capaz de marcar gols", salientou.
"Era o típico jogador inglês de força, um pé canhoto fera, sempre ganhava as primeiras bolas. Lembro que também sempre estava bem posicionado na área e pronto para receber os cruzamentos", complementou.
Segundo Caçapa, Carroll era também muito educado e gostava de conversar com os atletas mais experientes para receber conselhos.
"Ele era um menino ainda quando foi puxado para o profissional. Durante a minha carreira, sempre conversei muito com os jovens, e ele era bem aberto. A gente almoçava junto no refeitório e conversávamos um pouco de tudo, tanto sobre futebol quanto coisas da vida", recordou.
Seguidos insucessos e desemprego
Apesar de toda a badalação quando foi contratado, Carroll foi um fracasso retumbante no Liverpool.
Com um futebol para lá de tosco, ele fez apenas 11 gols em 58 partidas com a camisa vermelha, uma média de só 0,19 gol/jogo.
Sua passagem por Anfield durou apenas até 2012/13, quando ele foi emprestado ao West Ham, sendo comprado na temporada seguinte por apenas 15 milhões de libras (R$ 112,56 milhões, na cotação atual) - ou seja, dando um prejuízo de 20 milhões de libras (R$ 150,07 milhões, na cotação atual).
Carroll ficou um bom tempo nos Hammers, até o final da temporada 2018/19, mas sem também jamais lembrar o artilheiro implacável do início da carreira.
Para 2019/20, o atacante acertou o retorno ao Newcastle, clube que o formou, de graça, já que seu contrato com o West Ham havia acabado. À época, ele firmou vínculo de apenas uma temporada com os Magpies, pois vinha de cirurgia e causava dúvidas quando à sua condição física e técnica.
A "volta para casa" do centroavante, porém, também foi um fracasso.
Ele até renovou por mais uma temporada com a equipe alvinegra, mas fez apenas um gol entre 2019 e 2021 e acabou dispensado ao final do vínculo. Foi aí que viveu o maior drama de sua carreira.
Entre julho e novembro deste ano, Carroll, outrora um dos jogadores mais caros e badalados do mundo, ficou desempregado e sem contrato com ninguém.
Na última segunda-feira, porém, o matador foi anunciado como reforço do Reading, que atualmente está na Championship, a 2ª divisão inglesa.
Diferentemente de outros tempos, todavia, as condições são bem menos nobres. Carroll agora tem apenas um "contrato de risco" de dois meses, até 15 de janeiro de 2022. Caso consiga demonstrar qualidade, pode ter o vínculo renovado. Caso contrário, ficará novamente desempregado aos 32 anos.
"Esse era um acordo que estávamos buscando há algum tempo e estamos confiantes de que é a decisão certa para o jogador e para o clube", disse o técnico do Reading, Veljko Paunovic.
"Andy está procurando por um novo desafio em sua carreira, e nós precisamos de um jogador de sua qualidade e vasta experiência. Estou muito ansioso para trabalhar com Andy nesses próximos dois meses", completou.
