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'Temos um goleiro aqui que você não conhece': como Ederson foi 'descoberto' totalmente por acaso antes de virar paredão do City

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O incrível aquecimento do goleiro Ederson, do Manchester City, antes dos jogos (0:18)

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Alexandre Gallo concedeu entrevista ao ESPN.com.br e lembrou como "descobriu" o goleiro Ederson antes da fama no pequeno Rio Ave, de Portugal


Nesta quarta-feira, o Manchester City recebe o Club Brugge, às 17h (de Brasília), pela fase de grupos da Uefa Champions League, mas já com a cabeça no clássico decisivo contra o arquirrival Manchester United, no próximo sábado, pela Premier League.

Para conseguir dois resultados positivos, a equipe comandada por Josep Guardiola conta mais do que nunca com as defesas e lançamentos do goleiro Ederson, que é titular absoluto dos Citizens e também da seleção brasileira.

Ederson volta a campo com o Manchester City pela Premier League neste sábado (6), às 9h30 (de Brasília), no clássico contra o Manchester United, com transmissão pela ESPN no Star+

A história de como o arqueiro foi "descoberto" pelo Brasil, aliás, beira o inacreditável.

Após passar pela base do São Paulo na adolescência, Ederson foi ainda muito jovem para o Benfica, de Portugal, e completou lá sua formação. Justamente por isso, ele estava fora do "radar" da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para convocações.

Em 2014, porém, o então coordenador das seleções brasileiras de base, Alexandre Gallo, fez um tour pela Europa para prospectar talentos que estavam "escondidos" no "Velho Continente", mas tinham chances de vestir a camisa da seleção canarinho.

Foi por obra do acaso que ele acabou "achando" Ederson, então um mero desconhecido do pequeno Rio Ave.

"Nós passamos por um torneio da China e depois eu fui para Portugal para falar com o Braga sobre a convocação do Danilo Barbosa, volante que está hoje no Palmeiras, no Mundial sub-20", contou Gallo, em entrevista ao ESPN.com.br.

"Depois, fui ver um atacante brasileiro do Rio Ave, que estava em idade olímpica ainda. Fui ver um treino e o técnico era o Nuno Espírito-Santo, que me recebeu muito bem. Ele falou comigo o tempo todo sobre as características dos jogadores, os números da temporada, etc. De repente, ele me disse: 'Gallo, nós temos um goleiro brasileiro bom aqui e em idade olímpica. Vocês não devem conhecer, porque ele não tem registro no Brasil. Vamos ver o treino dele'. Fomos em seguida", recordou.

"Ficamos no banco de reservas e começamos a observar. Era um goleiro rápido e muito forte fisicamente, além de extremamente técnico com o pé. Sabe quem era? O Ederson!", exclamou Gallo.

O então coordenador da CBF viu que ali estava com talento com potencial para seleção brasileira.

"Passaram algumas convocações das seleções de base e alguns goleiros não puderam ser chamados, então resolvemos convocar o Ederson para ver como ele se sairia defendendo o Brasil. Para você ver como são as coisas, hoje ele é o goleiro da seleção brasileira principal. E aquele atacante que fomos observar em primeiro lugar não agradou e acabou não sendo chamado", observou.

Na sequência disso, a carreira de Ederson teria uma explosão absurda. Já na temporada 2015/16, ele retornou ao Benfica, time pelo qual tinha passado na base, e assumiu a titularidade dos Encarnados.

Em 2016/17, após disputar 40 partidas e ter um ano maravilhoso pelos portugueses, o arqueiro foi comprado por incríveis 35 milhões de libras (R$ 270,81 milhões, na cotação atual) pelo Manchester City, o que o transformou à época no 2º goleiro mais caro da história, só atrás de Gianluigi Buffon.

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O incrível aquecimento do goleiro Ederson, do Manchester City, antes dos jogos

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Mas mesmo quando ainda era o titular do pequeno Rio Ave, Gallo assegura que já via no paulista de Osasco um potencial gigantesco.

"O Ederson evoluiu demais e muito rápido. Ele tem um mérito muito grande pelo trabalho que fez. Quando eu o chamei pela primeira vez, percebi que tinha uma força de ataque muito grande, era um goleiro agressivo. E como o Brasil sempre joga para cima contra qualquer seleção, é preciso ter um goleiro agressivo para os contra-ataques, senão você terá problemas. Ele sempre corre para frente em busca da bola, ao invés de recuar. Não atua dentro do gol", citou o comandante.

Gallo revela, inclusive, que o plano era ter Ederson como titular do Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio-2016 para buscar a então inédita medalha de ouro. No entanto, o Benfica acabou não liberando o goleiro.

Com isso, o técnico Rogério Micale, que substituiu Gallo no comando da seleção sub-23 em 2015, acabou optando por levar Fernando Prass, do Palmeiras, e Uilson, do Atlético-MG.

Prass acabaria se lesionando às vésperas das Olimpíadas, e Weverton, do Athletico-PR, acabou sendo o escolhido para ser o titular do Brasil.

Ederson, porém, acabou virando "o cara" na seleção principal, já que vem atuando em alto nível há várias temporadas pela equipe inglesa.

"Depois que eu o conheci, eu convoquei o Ederson pela primeira vez uns dois meses depois. Ele já se apresentou muito bem e mostrou um comportamento ótimo, de trabalho e entrega. Tudo isso a gente sempre leva em conta, e ele foi aprovado na CBF desde o primeiro dia", ressaltou Gallo.

"Era um garoto bem tranquilo, que trabalhou desde sempre para buscar seu espaço. Evoluiu muito nos últimos anos, e tudo o que ele está vivendo hoje é mérito dele", finalizou.