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'Não me tocava a bola, mas depois mudou totalmente comigo': brasileiro conta como astro do United o ajudou a se enturmar

Jesse Lingard e Rafael Leão formaram boa amizade nos tempos de base do Manchester United


Nesta terça-feira, o Manchester United visita a Atalanta, às 17h (de Brasília), em jogo decisivo pela fase de grupos da Uefa Champions League, mas também já com a cabeça no clássico contra o Manchester City, no próximo sábado, em Old Trafford, pela Premier League.

Uma das opções do técnico Ole Gunnar Solskjaer para buscar as vitórias é o atacante Jesse Lingard, que retornou aos Red Devils nesta temporada após ótima passagem por empréstimo no West Ham e registra dois gols e uma assistências em oito partidas até agora em Manchester.

O Manchester United volta a campo pela Premier League no próximo sábado (6), às 9h30 (de Brasília), no clássico contra o Manchester City, com transmissão pela ESPN no Star+

Descoberto pelo United quando ainda tinha sete anos, Lingard fez toda a sua formação na base dos "Diabos Vermelhos", sendo um dos maiores destaques da equipe de juniores do clube e também das seleções inglesas inferiores.

Nos tempos em que era o "rei" das canteras dos Red Devils, Jesse fez amizade com um jogador brasileiro e o ajudou a se enturmar no clube. A relação entre eles, porém, começou bastante espinhosa.

É o que revela Rafael Leão, ex-atleta que passou pela base do Manchester United na adolescência e que teve sua história contada pelo ESPN.com.br em 2019.

Em entrevista à reportagem, Leão, que pendurou as chuteiras aos 21 anos e hoje estuda direito e prega em igrejas evangélicas, contou que Lingard, assim como vários outros atletas ingleses, não o tratou bem quando ele chegou à Grã-Bretanha.

"Quando eu cheguei, por ser estrangeiro, ele foi um cara que não me deu muita moral. Só me olhava meio de longe. Mas, no ano que eu fiquei na base do United, depois ele foi um dos caras que mais me ajudou dentro de campo", lembrou Rafael.

"É muito curioso que a gente sente isso. Quando chega alguém de fora, até para os caras tocarem a bola para você é difícil. Eles não passam para você porque você é estrangeiro. No começo senti muito isso, ninguém tocava a bola direito para mim. Isso era nítido e foi bem chato", ressaltou.

"O início dos treinos lá é bem difícil. Me xingavam muito em inglês, queriam me queimar (risos). As coisas só melhoraram um pouco depois que a gente começou a fazer umas viagens de pré-temporada pelo Reino Unido, indo pra Escóca e País de Gales. Depois que você aguenta esse comecinho, depois fica de boa (risos)", brincou.

Com o tempo, Rafael foi se aproximando de Lingard e rapidamente conquistou a atenção do atacante, que tinha um jeito "resenheiro" típico dos brasileiros.

"O Lingard é todo brasileiro (risos)! Eu fiquei muito amigo dele justamente por causa das resenhas e das brincadeiras. Foi aí que ele viu que não tinha problema comigo", recordou.

"Quando criamos essa amizade fora de campo, ele mudou totalmente comigo dentro do campo. Passou a tocar a bola para mim, me procurava toda hora para tabelar. E isso era importante para mim, porque ele era a estrela da base do United na época, era o cara mais badalado, no mesmo nível do Pogba. E jogava muita bola, já dava para ver que seria nível Premier League", apontou.

Leão acabou formando uma boa "turma de resenha" com Lingard e os irmãos Michael Keane (hoje no Everton) e Will Keane (atualmente no Wigan). Saíam juntos por Manchester e gostavam de jantar juntos em um restaurante, como mostra a foto abaixo.

"Ele me deu o suporte em campo e começamos a criar essa amizade fora de campo. A gente saía com o Michael e o Will Keane. Nisso eu consegui desenvolver melhor meu inglês e falar com todos. Isso foi legal, porque eu consegui me enturmar bem com os ingleses, que são muito fechados. Foi o Lingard que agitou tudo isso", festejou.

A amizade foi se fortalecendo com o passar dos meses, e logo Rafael Leão e Jesse eram inseparáveis.

"Eu andava muito com o Lingard e com um lateral-esquerdo chamado Luke Giverin. Tinha um setor no CT do United que tinha uma cesta de basquete, e no fundo tinha a academia do profissional. A gente começou a chegar mais cedo nos treinos e jogávamos muito basquete, era bem legal", lembrou.

"Ele adorava brincar comigo e soltar umas resenhas, e foi aí que me ajudou a enturmar com os outros jogadores desse tempo. Ele virou bem meu amigo, porque no começo eu tinha uma distância com o resto do pessoal. Com o tempo ficamos muito amigos, a gente dava muita risada. Ele é um cara muito gente boa e humilde demais", elogiou.