Daniel Bessa foi para a Inter na adolescência e defendeu a seleção italiana
Descoberto aos 15 anos pela Inter de Milão, Daniel Bessa rodou por vários clubes até chegar ao Hellas Verona, que enfrentará o Milan em San Siro, no sábado (16/10), às 15h45 (de Brasília). O jogo, válido pelo Campeonato Italiano, terá transmissão ao vivo pela ESPN pelo Star+.
Acostumado a enfrentar o time rossonero nos clássicos de Milão desde a adolescência, o brasileiro tem ótimas lembranças do adversário.
“Na base, sendo sincero, sempre atropelamos eles. Ganhávamos quase todas e era muito feliz de fazer gols. Meu último gol pelo Verona foi em 2018 contra o Milan - no Donnarumma - em casa em 2018. Não espero fazer outro gol porque não sou atacante, mas espero repetir a vitória", disse ao ESPN.com.br.
"Verona tem boas recordações contra o Milan, mas precisamos ter os pés no chão. Eles estão muito bem, mas o nosso objetivo é entregar tudo em campo. Nossa torcida é bem intensa. Quero fazer um bom jogo no estádio lotado. É um sonho de criança e as recordações são ótimas”.
Após defender o Goiás, Daniel voltou para o Verona no começo de 2021 e ficou quase cinco meses se preparando para disputar a atual temporada. O meia, que não jogou nas três primeiras partidas do Italiano, estreou na surpreendente vitória por 3 a 2 sobre a Roma de José Mourinho, que estava invicta na temporada.
“Foi especial porque o estádio estava lotado. Fiquei sabendo que ia jogar no dia anterior. Jogamos muito bem e fui feliz. Voltou a animação na torcida e começou essa onda positiva”, recordou.
Com o brasileiro em campo, o Verona vem de duas vitórias e dois empates nos últimos quatro jogos. O meia marcou o primeiro gol na temporada na goleada por 4 a 0 sobre o Spezia, na última rodada do Italiano.
“Vivo um dos momentos mais gostosos da minha vida jogando bola. Me tornei pai e estou muito feliz. Estou colhendo os frutos e vendo a luz de novo. Será uma temporada muito marcante para mim e vou trabalhar todos os dias para melhorar", analisou.
Descoberto pela Inter
Daniel passou a maior parte da base no Coritiba antes de transferir-se para o Athletico-PR, quando se destacou na Copa Votorantim de 2008, realizada no interior de São Paulo. Com isso, recebeu um convite da Internazionale por meio do olheiro Pierluigi Casiraghi, que havia levado Mario Balotelli e Goran Pandev para a equipe de Milão.
“Ele conseguiu entrar em contato com a minha mãe, mas no começo a gente ficou desconfiado e não acreditava que era a Inter. Mas eles foram bem insistentes nas ligações e eles chamaram o meu irmão, que jogava futsal na Itália, para conhecer a estrutura que ofereciam para mim. Mudou a minha vida e sou muito grato”, contou.
Depois de ir conhecer a Inter, Daniel assinou contrato no ano seguinte e mudou para a Itália aos 16 anos junto a mãe. Ele passou a frequentar uma escola italiana e depois foi morar na concentração do clube.
“A gente venceu muitos campeonatos de base e temos uns sete jogadores na primeira divisão do Italiano hoje em dia. Cheguei a jogar um pouco com o Balotelli e com o Dimarco. Na minha época eles tinham uma ideia de não olhar a idade, jogava quem estava melhor”.
Por ter passaporte italiano e ser destaque, Daniel foi convocado para a seleções de base da Itália.
“Participei uns dois anos seguidos com nomes como Cristante, Spinazzola e Politano. Na minha época a França, que tinha nomes como Varane e Pogba, era a melhor safra de base da Europa”, contou.
Ele jogou por quatro anos e meio na base em uma geração muito vitoriosa da Inter e treinou com o time principal. No entanto, sofreu uma lesão no joelho em 2012, que o fez perder espaço.
“Estava treinando há um ano e meio com os profissionais e indo algumas vezes para o banco de reservas. No último jogo da temporada no sub-20 eu rompi o ligamento cruzado do joelho e precisei operar nas férias. Fiquei um tempo parado e quando eu voltei a Inter estava passando por um período de transição”.
Rodagem por outros clubes
Daniel quis ter mais oportunidades e procurou clubes menores como para poder jogar. Ele foi emprestado nas temporadas seguintes para Vicenza-ITA, Sparta Rotterdam-HOL, Olhanense-POR, Bologna-ITA e Como-ITA.
“Demorei para entender porque durante um tempo só queria jogar na Inter de Milão. Eu pequei nisso. É muito comum os jogadores na Europa buscarem o caminho na Série B até voltarem para um time grande. A maioria dos jogadores da seleção italiana passou por time pequeno e jogou segunda divisão. É uma preparação fundamental para jogadores e treinadores”.
Daniel fez toda a pré-temporada em 2016 com a Inter nos Estados Unidos e enfrentou vários clubes grandes da Europa. “Estava para ficar porque o treinador era o Roberto Mancini e o auxiliar era o Sylvinho. Mas eles saíram do clube e fui vendido para o Hellas Verona”.
Com dois acessos para a Série A do Italiano no currículo, Daniel passou por Genoa e Goiás antes de voltar ao Verona.
“Nosso primeiro objetivo é permanecer na Série A, algo que não é fácil, e depois melhorar a posição do ano passado”, finalizou.
