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Roma: O dia em que Totti pagou 1.000 euros a garçom para imitar Tarzan de cueca em frente à diretoria

Nesta quinta-feira, a Roma enfrenta o Shakhtar Donetsk, às 14h55 (de Brasília), pelo jogo de volta das oitavas-de-final da Uefa Europa League. A partida terá transmissão ao vivo e exclusiva da ESPN e do ESPN App.

E é impossível falar da Roma sem lembrar de Francesco Totti, o maior ídolo da história do clube e que, até junho de 2019, vinha trabalhando como diretor de futebol da equipe.

Conhecido por ter capitaneado a equipe da capital italiana de forma exemplar por vários anos, o craque era adorado por seus colegas de equipe pela maneira divertida como levava a vida.

Quem conta é o ex-goleiro Doni, que jogou com Totti por seis anos na equipe giallorossa e viveu grandes histórias ao lado do camisa 10.

"Quando eu estava começando a carreira, via sempre o Totti pela TV. Mas, quando você convive com ele, é outra história", recordou o ex-Corinthians, Cruzeiro, Santos, Liverpool e seleção brasileira, em entrevista ao ESPN.com.br.

"O Totti sempre foi um líder muito tranquilo. Eu mesmo falava mil vezes mais que ele (com a equipe). Nunca foi de muita conversa, mas era um cara de grupo. Dentro de campo, falava mais com o treinador e com a arbitragem. Já nos treinos, ele era muito brincalhão e adorava tirar sarro", recordou.

De acordo com Doni, Totti era como que um encarregado informal de mantar o clima alegre no elenco, enquanto as questões mais delicadas eram conduzidas pelo volante Daniele De Rossi, outro grande ídolo romano.

"O peso do Totti dentro de campo era enorme, mas, fora de campo, ele não se importava tanto com isso. A gente tinha o De Rossi, que fazia esse papel de líder também, assumia nosso dia-a-dia nas reuniões com a diretoria", relembrou.

O EPISÓDIO DO TARZAN

Ao ser perguntado sobre as melhores histórias que viveu ao lado de Totti na Roma, Doni não consegue parar de rir.

De acordo com o ex-goleiro, o craque era "uma figura", e adorava fazer maluquices e contar piadas para divertir os companheiros de equipes.

"Eu tenho um milhão de histórias com o Totti (risos). Teve uma que aconteceu no verão, no início da temporada. A gente estava jantando no clube, em volta da piscina, e tinha um garçom que era muito amigo nosso, o Cicinho até o levou para passar o Natal em Pradópolis [cidade do interior de São Paulo em que o lateral nasceu]", lembrou.

"O Totti gostava muito da resenha e desafiou o garçom: 'Se você sair correndo de cueca e batendo no peito, gritando igual ao Tarzan, passando por todas as mesas e depois pulando na piscina, eu te dou 1 mil euros'. Estavam toda a diretoria e comissão técnica no jantar, a gente nunca achou que o cara ia topar. Mas ele foi lá e fez (risos)!", gargalhou.

"Foi uma cena incrível! Nós demos muitas risadas. E ele fazia essas maluquices diariamente. Dava para escrever um livro bacana com essas histórias", brincou Doni.

Segundo o ex-goleiro, Totti também adorava aliviar a tensão no vestiário disparando piadas nas horas mais inesperadas.

"Muitas vezes o pau estava comendo no vestiário, com discussão entre treinador, diretoria... Aí, no meio daquele caos, o Totti soltava uma piada no meio e a reunião acabava na hora, com todo mundo rindo", contou.

"Era por isso que todos amavam o Totti, do presidente ao fisioterapeuta, do treinador ao garçom, todo mundo adorava. Era uma figura!", exaltou.

'VOCÊ SÓ TEM ESSA JAQUETA?'

Segundo Doni, Totti também era sempre motivo de brincadeiras na Roma por sua simplicidade na hora de se vestir.

"Nos seis anos que convivi com ele, só vi o Totti usar um relógio. E, no inverno, eram sempre o mesmo tênis e a mesma jaqueta. Todo dia com a mesma! Eu falava para ele: 'Você só tem essa jaqueta?', e ele ficava bravo e respondia: 'Cuida da tua vida, irmão!' (risos)", divertiu-se.

"O meu armário era bem ao lado dele no vestiário e eu sempre reparava nisso. O Totti era mais conhecido até que o Papa na Itália, mas era sempre muito simples, não estava nem aí para as roupas. Claro que, para sair com a família dele, ele dava uma caprichada. Mas, para ir ao clube ou aos treinos, ele nem ligava", relatou.

O que mais espantava o elenco gialorosso era que Totti, ao mesmo tempo em que adotava a simplicidade com as roupas, era garoto propaganda da grife Armani.

"A gente se espantava, porque ele era 'o cara' da Armani na Itália, mas não tinha preocupação nenhuma com as roupas. O cara chegava de Ferrari para treinar, mas ia vestido sempre com a mesma jaqueta de duas, três semanas antes (risos)", sorriu Doni, antes de tirar sarro do brasileiro Júlio Baptista, que também foi seu companheiro na Roma.

"O Júlio Baptista era o contrário, a gente falava que ele casava toda semana, porque estava sempre bem arrumado (risos)", encerrou.