Nesta terça-feira, o Manchester City enfrenta o Borussia Monchengladbach, às 17h (de Brasília), pelo jogo de volta das oitavas da Uefa Champions League. Como venceu por 2 a 0 na ida, o time inglês depende apenas de um empate para se classificar, mas também avança às quartas até mesmo com uma derrota por um gol de diferença.
E se hoje lidera a Premier League com larga vantagem e é apontado como um dos grandes favoritos para faturar o título europeu pela 1ª vez em sua história, o City viveu momento muito diferente até 2007, antes de ser comprado pelo City Football Group, um conglomerado que conta com enorme injeção de capital tanto de fundos dos Emirados Árabes quanto da China.
Por muitas e muitas décadas, os Citizens foram apenas os "primos pobres" de Manchester, vivendo à sombra das muitas glórias do rival Manchester United. Graças ao dinheiro estrangeiro e também à força de sua apaixonada torcida, porém, o City foi subindo degraus nos últimos anos até se tornar uma das grandes potências do futebol europeu.
Quem viveu os últimos momentos da fase "pobretona" do time celeste foi o ex-meio-campista Elano, que atuou por duas temporadas pelo time inglês após ser comprado em 2007 do Shakhtar Donetsk por 12 milhões de euros.
Quando chegou ao City, o dono do clube ainda era o magnata tailandês Thaksin Shinawatra, que até fazia investimentos consideráveis na equipe. No entanto, não era nada comparado ao que viria com a chegada dos petrodólares dos Emirados Árabes, que deram aos Citizens não só jogadores de primeira linha como também uma estrutura invejável em termos de estádio e centro de treinamento.
Em entrevista ao ESPN.com.br, Elano relembrou a transição da "pobreza" para a "riqueza" no clube da Premier League e exaltou o momento atual vivido pelo ex-"primo pobre" de Manchester.
"Hoje, o poderio financeiro e estrutural do City é muito diferente de quando eu cheguei (em agosto de 2007). Na minha época já era bom, mas a qualidade do elenco e tudo no time mudaram para melhor. Seria muito legal se eu pudesse hoje fazer parte desse momento também (risos)", brincou o ex-atleta da seleção brasileira.
"Fico muito feliz de ver como o City está hoje, com outros jogadores brasileiros e sempre conquistando títulos. É muito bacana!", completou.
Hoje treinador e com passagens recentes por Figueirense e Inter de Limeira, ele segue sua preparação para poder trabalhar nos altos escalões do futebol brasileiro.
"Estou fazendo a Licença Pro da CBF Academy, que é a última que precisa no Brasil para poder treinar em todas as competições. Estou esperando para poder retomar meu trabalho e finalizar a licença", relatou.
CAVALOS PASTANDO AO LADO DO CT
Para exemplificar as mudanças estruturais do City nos últimos anos, Elano relembrou como era o CT da equipe quando ele foi contratado.
"Ao lado do campo do nosso CT, o pessoal ficava jogando rugby, e tinha até uns cavalos pastando, porque era tudo aberto (risos)", recordou.
"Na Inglaterra, as coisas são bem afastadas, e o CT era muito grande, com vários campos, mas em volta era um alambrado aberto. Dava para enxergar tudo do lado de fora. Mesmo assim, já era um CT considerado bom, e nossa área de alimentação e os vestiários também eram bem legais", afirmou.
"Agora, você não consegue nem entrar, porque é tudo fechado. Tem até um campo coberto para treinar na época do inverno. A estrutura, o departamento de fisiologia, as salas de musculação, é só coisa de primeira linha. A evolução que teve até os dias de hoje é uma coisa absurda", exaltou.
Atualmente, o City conta com o ultramoderno Etihad Stadium, com capacidade para 55.017 torcedores, e com a City Football Academy, um dos melhores centros de treinamento do mundo.
'TORCIDA DO CITY É MUITO MAIS APAIXONADA'
Em duas temporadas, Elano disputou 80 jogos e marcou 18 gols com a camisa do City.
O ex-atleta de Santos, Flamengo e Grêmio revelou que chamou a atenção da equipe de Manchester após se destacar com a camisa da seleção brasileira.
"Eu tinha feito alguns amistosos com a seleção em Londres e joguei muito bem. Fiz vários gols, nós ganhamos e eu tive ótimas atuações. Isso despertou o interesse do City, que foi atrás de mim no Shakhtar. Fui muito feliz de ir para um clube que estava se reestruturando, e foi uma alegria fazer parte do início do projeto", rememorou.
"Quando eu cheguei, o dono do clube era o tailandês (Thaksin Shinawatra), que colocava uma grana boa. O clube sempre teve uma estrutuira boa de trabalho, e já tinha algunas atletasde nível de seleções e Copa do Mundo. Além disso, o técnico era o (Sven-Goran) Erikson, um nome de grande porte. Já no meu primeiro ano, terminamos muito bem a Premier League", contou.
"A repercussão de tudo foi muito positiva, e fomos para a Copa da Uefa, o que não era fácil. Na Premier League, sempre tem muitos times bons brigando na parte de cima da tabela. Os jogadores dessa época ficaram muito conhecidos na cidade, pois foi uma equipe que marcou", ressaltou.
Com o tempo, Elano conquistou a torcida celeste com gols e grandes atuações, especialmente em jogos grandes.
O brasileiro foi decisivo, por exemplo, nas vitórias sobre o Manchester United pela temporada 2007/08, acabando com um longe jejum de triunfos dos Citizens no dérbi.
"Nós vencemos os dois clássicos da temporada, em casa e fora. Primeiro, ganhamos de 1 a 0 daquele time que tinha Alex Ferguson de técnico e Rooney, Cristiano Ronaldo, Giggs, Scholes, um p*** time! Depois, ganhamos de 2 a 0 em Old Trafford, no dia do aniversário do acidente aéreo que vitimou os jogadores do United. Conseguimos resgatar um pouco da alegria dos torcedores do City, que sempre foram muito presentes", salientou.
"No clássico que ganhamos de 1 a 0 em casa, aliás, fui eu que dei a assistência para o Geovanni marcar o gol. Clássico é sempre um jogo especial, porque para a cidade. Nessa época, era um duelo de opostos, com um poderoso contra uma equipe que estava buscando seu lugar. Lembro sempre dos jogos contra Ferdinand, Van der Sar, era um adversário muito bom. E a gente no Brasil acha que a torcida na Inglaterra é fria, mas não é assim! Eles enchem os estádios e fazem uma festa muito legal até em jogos no Natal!", elogiou.
"Outro jogo muito marcante meu foi contra o Newcastle, quando marquei meu primeiro gol no estádio do City, um belo gol de falta. Ganhamos de 3 a 1. Também fiz dois gols em uma partida contra o Middlesbrough, atuei muito bem naquele dia", recordou.
Para Elano, aliás, a torcida do City é muito mais apaixonada pelo clube do que a do United.
"A gente brinca que o City era o 'primo pobre' da cidade, mas é a maior torcida de Manchester. É uma torcida completamente apaixonada e presente no clube, mesmo nos momentos mais difíceis. Até hoje tenho uma identificação muito bacana com o clube e recebo mensagens de carinho pelo que joguei na época. É um time apaixonante", afirmou.
"Minha passagem por lá foi algo muito sincero. Consegui fazer bons jogos, boas jogadas e ficaram memórias muito bacanas. Houve um entendimento perfeito entre torcida e jogador. Inclusive, estive em Manchester no ano retrasado e recebi uma homenagem no intervalo do clássico City x United no campo. Eles me chamaram no meio-de-campo, me anunciaram e agradeceram. Foi uma surpresa muito bacana. Foi algo que me deixou muito feliz, porque esse tipo de carinho é algo que não tem preço", encerrou.
