Palmeiras: Com Neymar pai de olho, Mattos costurou acordo com PSG e Barcelona e contratou Lucas Lima

Nesta quinta-feira, o Palmeiras recebe o São Caetano, no Allianz Parque, às 19h (de Brasília), em jogo atrasado da 1ª rodada do Campeonato Paulista.

Na partida, o Verdão deve ter o meia Lucas Lima como titular, já que ele recusou tirar o período de folga que teria direito após o fim da temporada 2020, ficando à disposição para ser escalado no Estadual.

O camisa 20 vai para sua 4ª temporada na equipe alviverde. Desde que chegou, ele soma 158 jogos, 11 gols marcados e 18 assistências, tendo feito parte das conquistas do Brasileirão 2018 e da Tríplice Coroa de 2020 (Paulista, Copa do Brasil e Conmebol Libertadores).

Quando sua contratação foi anunciada, na transição de 2017 para 2018, houve muita polêmica, já que ele era jogador do Santos, time que vivia rivalidade aflorada com o Alviverde por causa das várias partidas decisivas entre os clubes entre 2015 e 2016.

Para ficar com o atleta, inclusive, o Palmeiras teve que afastar olhares de cobiça de gigantes da Europa, como Barcelona e Paris Saint-Germain, além de "lutar" contra uma proposta considerada irrecusável do futebol chinês.

É o que conta Alexandre Mattos, ex-diretor de futebol palestrino.

Em entrevista ao ESPN.com.br, ele revelou os bastidores das manobras que fez nos bastidores para contratar o atleta, que à época era um dos reforços mais cobiçados do país.

'PAI DE NEYMAR QUERIA O LUCAS NO BARÇA'

Segundo Mattos, Lucas Lima tinha grande chance de ir para o Barcelona, já que o pai do atacante Neymar, que é o empresário do meio-campista, pediu à diretoria blaugrana para que contratasse o então meia do Santos.

A negociação esquentou, mas acabou não sendo fechada. Depois, Neymar pai conversou com o PSG, e a possibilidade de Lucas reforçar a equipe francesa também foi ventilada nos bastidores.

O dirigente, revela, inclusive, que, ao contratar o armador, teve que deixar acertado que liberaria o atleta por um valor já especificado em caso de interesse de europeus: 8 milhões de euros.

Não estava acertado especificamente no contrato que os clubes deveriam ser Barcelona ou Paris, mas isso foi afinado nos bastidores em um acerto verbal.

"O Lucas Lima, na época que contratamos para o Palmeiras, era um jogador que ninguém entendia porque não estava mais na seleção brasileira [N.R.: o meia fez 13 jogos pelo Brasil entre 2015 e 2017]", lembrou Mattos, atualmente sem clube após deixar o Atlético-MG recentemente.

"Havia uma possibilidade real do Lucas ir para o Barcelona, no meio de 2017, quando o Neymar estava por lá. Depois, quando o Neymar foi para o PSG, a gente fez o compromisso de que, se o PSG quisesse pagar 8 milhões de euros, ele iria para lá. Nós tínhamos esse compromisso com o Lucas e com o PSG", revelou.

"Foi um acordo que fizemos na época do interesse do Barcelona, e que depois foi mantido para o PSG. Quem sempre indicou o Lucas Lima para os europeus foi o pai do Neymar. A gente tinha um acordo verbal, mas no contrato não estava especificado se (a proposta) deveria ser de PSG ou Barcelona", contou.

De acordo com Mattos, o que acabou atravancando a ida do armador para o "Velha Continente" foi o fato dele não ter passaporte europeu.

Com isso, o Palmeiras entrou forte na jogada para fechar com o atleta do Santos, mas teve que brigar com outras equipes menores da Europa e também com o mercado asiático, que vivia boom.

"Ele não pode ir para o Barça na época por causa da cota de estrangeiros, e isso nos ajudou. Mas times como Valladolid, Sevilla, Benfica e outros queriam o Lucas. O Palmeiras teve concorrência forte. A proposta da China, por exemplo, era absurda", relatou.

'O PALMEIRAS MOSTROU MUITA FORÇA'

Alexandre Mattos conta que convenceu Lucas Lima e seu estafe a assinarem com o Verdão após apresentar o projeto de crescimento e fortificação do clube, que havia sido iniciado em 2013, ainda com o presidente Paulo Nobre, e se solidificado a partir de 2015.

"No Palmeiras, pagava-se bem, em dia e o time era forte e brigava por títulos. E, no projeto pessoal do Lucas, ele queria muito retornar à seleção. No Palmeiras, a chance disso acontecer para ele era maior", explicou Mattos.

Tudo foi acertado em reuniões com Roberto Lima, pai do jogador, e com Neymar pai, que também cuidava dos interesses do atleta.

"Eu fui para Santos fechar o acordo com os pais do Neymar e do Lucas. Depois, estive em Paris com o Neymar pai e o Antero Henriques, que era o diretor de futebol do PSG. Liguei para o presidente Maurício (Galiotte, do Palmeiras), que concordou com tudo. Foi aí que fechamos", lembrou.

Na opinião de Mattos, ao fechar com o meio-campista o Alviverde deu uma grande demonstração de força no mercado.

"O Palmeiras mostrou muita força quanto contratou um jogador que todo mundo imaginava que iria para a Europa. Ele tinha muitas ofertas da China, Emirados, times médios da Europa... Claro que, se viessem o Barça ou o PSG depois, eles levariam, mas havia o acordo de 8 milhões de euros para liberar, então o Palmeiras também sairia grande", salientou.

"E tem que lembrar que foi um jogador que não teve custo nenhum de aquisição", finalizou.