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Após sair do Japão, ex-Corinthians e São Paulo quer nova chance: 'Não deixo de ouvir propostas do Brasil'

Revelado nas categorias de base do Corinthians e com passagem pelo time profissional do São Paulo, Silvinho procura um novo clube para 2021. O atacante ficou dois anos no Albirex Niigata, que disputou a segunda divisão do Japão, mas não chegou a um acordo para renovar o contrato no final da última temporada.

O jogador voltou ao Brasil e está analisando propostas para retomar a carreira. Apesar de sentir vontade de retornar ao país asiático, ele não descarta acertar com uma equipe brasileira.

"A renovação ficou difícil por causa do coronavírus. Eles alegaram que meu salário era alto e tentamos renovar, mas não deu certo. Estou esperando uma proposta. Tenho vontade de voltar ao Japão porque é um país de primeiro mundo e a minha filha aprendeu a falar japonês quase fluentemente. Mas não deixo de ouvir propostas do Brasil ou de outros países. Agora, é esperara a melhor situação porque quero voltar a jogar", disse o atacante, ao ESPN.com.br.

Silvinho chegou ao Albirex em 2018 depois de jogar a Série A do Campeonato Brasileiro pelo Paraná.

"O Kempes [falecido no acidente aéreo de 2016], que era meu companheiro de quarto na Chapecoense, e o Bruno Cortez, que atuou comigo no São Paulo, já tinham me falado muito bem do Japão. Foi uma experiência única. O futebol está um pouco atrasado, mas o nível é bom porque tem muitos jogadores de qualidade e eles trazem muitos estrangeiros", contou.

Culturalmente, o brasileiro se surpreendeu com a forma como os japoneses lidam com as derrotas.

"Você perde um jogo e a torcida te aplaude e você precisa ir cumprimentá-los na arquibancada. É um respeito muito grande".

Foi convencido a sair da Chape antes do acidente

Natural de Rondônia, Silvinho foi jogar aos 14 anos pelo Nacional de Rolândia, no Paraná. Após se destacar, foi aprovado em um teste na base do Corinthians, no qual ficou até se profissionalizar. Colega de Lulinha, Boquita, Marcelinho, Dentinho e Éverton Ribeiro, o atacante venceu a Copa São Paulo de futebol júnior em 2009, mas não teve chances no time principal.

Depois de passar por Monte Azul, Bragantino, Comercial, LASK Linz e Penapolense, ele chegou ao São Paulo após o Estadual de 2013. O jogador deixou o clube do Morumbi no ano seguinte e defendeu Ponte Preta, Criciúma e Joinville até ser contratado pela Chapecoense.

"Chape é um clube que tenho muito carinho porque me sentia muito bem e era como se fosse uma família. O Caio Júnior gostava muito de mim e peguei uma sequência de jogos. Quando veio a oferta do Seongnam, da Coreia do Sul, eu neguei na hora. Não queria ir porque a minha esposa estava fazendo faculdade e nunca tinha ido para tão longe", recordou.

O clube coreano fez uma segunda oferta, e Silvinho pediu ao presidente da Chape um pequeno aumento salarial para permanecer.

"Estava muito feliz, mas veio uma terceira oferta, que ficou irrecusável para a Chapecoense e para mim. Eu não queria ir, mas o Caio Júnior me ligou: 'Eu não queria que fosse, mas você tem que ir pela sua família e para ter estabilidade financeira'. Eu fique calado, mas aceitei", contou.

Mesmo na Ásia, o atacante conversava quase todos os dias com os ex-companheiros de clube. Eles tinham combinado uma viagem com oito famílias de jogadores para depois da final da Sul-Americana.

"Falava para a minha esposa que queria muito estar presente nas fases finais e estava torcendo por eles. Se passaram uns três meses da minha saída e veio o acidente [aéreo na Colômbia que matou 71 pessoas]. Foi um baque muito grande porque eram meus amigos! Eu quis voltar na hora ao Brasil", lamentou.

"Deixei muito dinheiro para trás porque ainda tinha um ano de contrato e adorava morar na Coreia, mas queria poder ficar perto dos amigos e da família. Não quis voltar à Chapecoense porque a diretoria que assumiu disse aos meus empresários que não queria jogadores que tinham passado por lá. Além disso, não tinha cabeça para voltar a morar lá depois de tudo aquilo", explicou.

No começo de 2017, Silvinho transferiu-se ao Criciúma e se destacou. No final do ano, ele quase foi para outro gigante do Brasil.

"Em 2018 ia para o Internacional, mas o técnico Guto Ferreira foi mandado embora pouco antes de garantir o acesso para a Série A do Brasileiro. A diretoria não entrou em um acordo com os meus empresários, que ficaram chateados na época. Fui jogar o Paulista pela Ponte e depois o Brasileiro pelo Paraná", contou.