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'Namoro' antigo com Palmeiras e conversa hilária pré-River: irmão conta segredos de Luiz Adriano

Nesta terça-feira, o Palmeiras recebe o River Plate, às 21h30 (de Brasília), no Allianz Parque, pelo jogo de volta da semifinal da Conmebol Libertadores.

Na ida, o Verdão atropelou os Millonarios por 3 a 0, com atuação de destaque do atacante Luiz Adriano, autor do 2º tento da partida. E é justamente em seu homem dos gols decisivos que o Verdão confia para conquistar mais um bom resultado e garantir a ida à grande decisão continental depois de 20 anos.

Artilheiro do time alviverde na temporada, com 18 tentos em 42 partidas, o matador tem um histórico de sempre balançar as redes em grandes partidas, desde que surgiu na base do Internacional, no meio dos anos 2000, e também durante sua passagem cheia de troféus pelo Shakhtar Donetsk, da Ucrânia.

E, segundo quem conhece Luiz Adriano de perto, essa "mística" se deve muito ao foco que o gaúcho de 33 anos tem antes dos grandes jogos.

É o que conta Murilo Souza, irmão do atacante palestrino e figura conhecida das redes sociais.

"Corneteiro" costumeiro do Inter, seu time de coração, na web, Murilo ganhou fama nacional em agosto de 2020, depois que fez campanha no Twitter para que o Colorado contratasse novamente o centroavante, além de ter provocado o Verdão.

Em entrevista à ESPN, o irmão de Luiz Adriano revelou a hilária conversa que teve com o camisa 10 palestrino antes do duelo de ida contra o River Plate, na Argentina, que ilustra bem como o atleta não sente a pressão em partidas decisivas.

"Sempre falo com meu irmão antes dos jogos, quando ele está na concentração. Antes do jogo contra o River, estávamos conversando e falei que o Palmeiras teria algumas vantagens, principalmente porque a partida não seria no Monumental (de Núñez, estádio do River Plate). Falei para ele: 'O Palmeiras tem a vantegem do jogo não ser no Monumental e também de não ter torcida, isso vai ajudar bem'", contou.

"Aí ele olhou para mim na câmera e perguntou: 'O jogo não é no Monumental?' (risos). E eu: 'Claro que não, Luiz! O Monumental está em reforma!'. Ele morreu de rir e falou: 'Bah, achei que o jogo fosse lá!' (risos)", seguiu.

"Em seguida, ele falou: 'Mas na boa, isso não me interessa também, porque eu sei muito bem o que tenho que fazer dentro de campo. Só quero jogar'. Ali, eu já vi que ele estava muito concentrado para o jogo, e que sabia tudo o que precisaria fazer contra o River. Não só ele, claro, mas todos os jogadores do Palmeiras. Isso mostra o tamanho do foco que ele tem nesses jogos decisivos", salientou.

FENÔMENO NA BASE DO INTER

Nascido em Porto Alegre, Luiz Adriano teve uma infância feliz ao lado de Murilo. O futebol sempre foi paixão de ambos, e desde cedo já era possível ver que o hoje jogador do Palmeiras era diferenciado dos demais.

"Quando a gente era criança, jogávamos muita bola, brincávamos na rua... Foi uma infância bem legal, da melhor maneira possível. Desde cedo ele já jogava muita bola, e a gente sabia que ele seria bom. Ele sempre se destacava, já dava para ver que era diferenciado. Você via só no jeito de bater na bola, no jeito de chutar. Tava na cara que seria jogador de futebol", relatou.

Os irmãos Souza também cresceram apaixonados pelo Inter, sendo sempre levados ao Beira-Rio pelo pai, Adriano Luiz, que é colorado fanático. Por muito tempo, eles amargaram uma era de "vacas magras" na equipe gaúcha, o que fez com que Luiz Adriano tivesse poucos ídolos alvirrubros.

"Meu pai sempre nos levava aos jogos do Inter nos anos 90 e 2000. Era uma época ruim do Inter... A gente nem tinha ídolos, era mais baseado mesmo em quem se destacava nos Gre-Nais. Primeiro teve o Fabiano, depois o Daniel Carvalho...", recordou Murilo.

Luiz Adriano começou a se destacar no futebol na equipe do SESC, em Porto Alegre, e depois passou um tempo na base do Juventude, antes de ser descoberto pelo Inter.

"Quando ele estava na base do Juventude, teve uma partida contra o Inter que ele passou por cima de todos! Jogou muito bem e foi para o Internacional depois, mais ou menos quando ele tinha uns 15, 16 anos. Depois disso, a gente começou a ir cada vez mais aos treinos e jogos para acompanhá-lo", rememorou Murilo.

Nas categorias inferiores coloradas, Luiz Adriano surgiu como um fenômeno ao lado de Alexandre Pato, o que os levou a serem promovidos ao profissional após a conquista da Libertadores de 2006, ganhando vaga entre os relacionados para o Mundial de Clubes daquele ano, no Japão.

"No 1º Brasileirão sub-20, em 2006, o Inter foi campeão com Luiz Adriano e Pato no ataque, além do Muriel no gol. Eu me lembro da final contra o Grêmio, em Canoas, que o Inter goleou por 4 a 0, com dois gols do Luiz e um do Pato", contou.

"O time do Grêmio era bom, tinha o Cássio, hoje do Corinthians, o Carlos Eduardos, o Anderson Pico... Mas o meu irmão e o Pato estavam endiabrados, jogaram muito bem o campeonato inteiro e na final destruíram. Acho que o Inter só perdeu um jogo o campeonato inteiro: para o Corinthians, que tinha o Willian. Curiosamente, depois ele e meu irmão jogaram juntos no Shakhtar", observou.

BRILHO NO MUNDIAL DE CLUBES

De acordo com Murilo, conseguir a promoção ao profissional do Inter no meio dos anos 2000 era muito complicado, já que o Colorado tinha um plantel fortíssimo. Por isso, o irmão de Luiz Adriano aponta que o fato do atacante e de Pato terem subido para o time A era prova real de que ambos eram acima da média.

"Era muito complicado subir no Inter naquela época, pois a equipe era muito boa. Já havia a base de 2005, do Muricy Ramalho, e muitos atacantes bons. Mas não tinha como eles não subirem, porque estavam jogando demais na base", argumentou.

"Meu irmão não foi campeão da Libertadores, porque ele e o Pato subiram no último terço do ano. Aí num dos primeiros jogos em que ele entrou, o Luiz cavou um pênalti e o Inter ganhou de virada. Ali eu e meu pai já vimos que ele não voltaria para a base, e que inclusive tinha chances de ir ao Mundial, que era algo que estava criando muita expectativa nos bastidores naquele momento", lembrou.

"Tinha uma concorrência muito forte no elenco. Caras como o Rentería, que foram importantes na Libertadores, acabaram não indo para o Mundial, e levaram o Luiz. Quando saiu a lista, foi uma felicidade enorme lá em casa. A gente é muito colorado, aí meu irmão não só vira profissional no Inter como vai para o Mundial... Foi um sonho!", exaltou.

"Temos sempre que exaltar a coragem do Abel Braga também. Ele bancou o Luiz e o Pato, que passaram na frente de vários caras. O Michel, por exemplo, foi campeão da Libertadores e nem entrou em campo no Mundial, pois o Luiz passou na frente dele. E deu tudo certo, porque o Luiz jogou muito bem as duas partidas do Mundial, fez gol no Al-Ahly e depois participou da jogada do gol contra o Barcelona", ressaltou.

Provocador, Murilo diz que a conquista do torneio no Japão foi ainda mais especial por ter sido em cima do Barça de Ronaldinho Gaúcho, ex-Grêmio.

"Pelo fato do Ronaldinho ter crescido no Grêmio, todos os gremistas acreditavam que o Barcelona ia ganhar do Inter. Seria como um título para eles também. Mas o Inter jogou demais naquele dia, foi uma felicidade incríve. Fomos depois para o Beira-Rio receber os jogadores. A alegria de tudo isso só quem já foi campeão do mundo sabe qual é", afirmou.

IDA PARA O SHAKHTAR E 'NAMORO' COM PALMEIRAS

A passagem de Luiz Adriano pelo profissional do Inter, porém, acabaria durando pouco...

Em março de 2007, logo após a estreia colorada na Libertadores daquele ano, o atacante recebeu uma proposta do Shakhtar Donetsk, no valor de 3 milhões de euros, e acabou vendido à equipe ucraniana.

"Tudo isso aconteceu muito rápido. Lembro que, antes do Shakhtar, veio um time da Alemanha também atrás dele, mas não fechou. Tudo ocorreu em 2007, depois que ele jogou a 1ª rodada da Libertadores, contra o Nacional, no Uruguai. Voltou para Porto Alegre e dois, três dias depois, já estava indo para a Ucrânia", relatou Murilo.

"A gente não tinha tanta informação do Shakhtar nessa época. Ninguém conhecia. Só sabíamos que tinham alguns brasileiros, como Elano, Brandão, Jadson e Fernandinho, mas a gente não tinha muita informação. O Luiz foi bem novinho. A gente só sabia que lá era muito frio, mas também que o Shakhtar era para ser um trampolim para outro grande clubes. Acabou que ele jogou muitos anos lá e é até hoje o maior artilheiro da história do clube, com um histórico de gols decisivos", destacou.

Durante sua passagem por Donetsk, o matador ganhou uma Copa da Uefa (hoje Liga Europa), seis Ucranianos e quatro Copas da Ucrânia, marcando 130 gols pela equipe.

Ele se destacou também por sempre deixar sua marca em finais, como na decisão da Copa da Uefa: anotou o 1º da vitória por 2 a 1 sobre o Werder Bremen, da Alemanha.

Não à toa, muitas equipes da Europa sempre quiseram tirá-lo do Shakhtar, mas nunca conseguiram.

"Muitos times foram atrás dele, só que ele era praticamente o cara mais importante da equipe. Era muito difícil a diretoria liberar, até porque eles não costumavam liberar principalmente os brasileiros. O Willian demorou para sair, o Taison está lá até hoje... É difícil sair do Shakhtar", salientou.

Murilo revela, aliás, que o "namoro" entre Luiz Adriano e Palmeiras já é antigo, já que o Verdão tentou contratá-lo enquanto ele estava na Ucrânia.

"Em meio a esse assédio da Europa, de times brasileiros só um tentou repatriá-lo: o Palmeiras. Foi uma sondagem, não chegou a ter proposta oficial, mas havia interesse. Esse namoro entre o Luiz e o Palmeiras já é de anos. Mas na época era muito complicado, porque o Shakhtar tem muito dinheiro e não precisa ficar vendendo ou emprestando jogadores", argumentou.

O artilheiro só deixou a Ucrânia em 2015/16, quando foi contratado pelo gigante Milan, que vivia anos difíceis. Em seguida, atuou por quatro temporadas pelo Spartak Moscou, da Rússia, antes de transformar seu "namoro" em "casamento" com o Palmeiras em 2019, quando foi contratado pelo Alviverde.

"Na época do Spartak, ele estava querendo voltar, porque já estava há 12 anos fora do Brasil. Aí recebeu a proposta do Palmeiras, uma boa oferta, que o permitiria ficar perto da família e também buscar títulos, pois é um time muito grande. Ele decidiu tudo rápido também. Falou com o Palmeiras num dia e no outro já estava no Brasil. Eu fiquei muito feliz por ele, e ele está muito feliz no Palmeiras. Isso é o mais importante", completou Murilo.

No Palestra Itália, o camisa 10 soma 25 tentos em 57 partidas, além de ter sido decisivo na conquista do Campeonato Paulista de 2020.

Nesta reta final de temporada, o artilheiro ainda tem a chance de ganhar a Copa do Brasil, a Libertadores e o Brasileirão. Segundo Murilo, o título mais esperado por seus familiares é o da Copa do Brasil, já que a final é contra o Grêmio.

"Espero muito que o Paleiras ganhe a Libertadores, mas especialmente que seja campeão da Copa do Brasil em cima do Grêmio. Para a gente aqui em casa, vai ser quase um Gre-Nal (risos)!", finalizou.