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Marcos Senna relembra genialidade de Xavi, diz que ex-meia não entrava no bobo e revela: 'Gostava bastante de tomar uma'

Na última segunda-feira (14), a revista France Football elegeu o troféu Bola de Ouro Dream Team. Ao todo, onze jogadores foram nomeados ao time de todos os tempos. No meio campo, um dos maiores nomes da história do Barcelona e da Espanha estava presente. Xavi Hernández se juntou a Pelé, Maradona e Matthaus no quarteto.

Em entrevista ao ESPN.com.br, o ex-meia Marcos Senna, brasileiro naturalizado espanhol e que foi campeão da Eurocopa em 2008 com o craque, revelou detalhes das genialidade de Xavi. O ex-jogador do Villarreal falou sobre a principal característica do ex-atleta, o passe, e afirmou: o maestro não entrava nos bobinhos.

"O que eu via naquele Barcelona com Xavi e Iniesta e companhia, para resumir, quando cheguei na seleção a gente fazia bobinho, e modéstia à parte, eu era um dos poucos que entrava, sempre valorizei não errar passe, mas eu entrava de vez em quando porque o nível era muito alto. Inclusive o próprio Iniesta entrava, de vez em quando, falhava, mas quem não falhava era o Xavi. Xavi não entrava no bobinho. Esse cara não vai entrar, caramba? O que eu quero dizer, o Xavi foi um dos jogadores para mim, desde que eu estava no Brasil, foi um jogador em que eu sempre me espelhei vendo jogar. E ele falava, uma vez a gente jantando, ele falou: eu sou baixinho, não cabeceio bem, com a perna esquerda, só para subir no ônibus, então eu tenho que valorizar muito a não falha do passe, não posso falhar e trabalho muito isso. Se você tivesse esses outros requisitos muito bom, cabeceio...digamos o Cristiano Ronaldo, chuta muito bem com a esquerda com a direita, cabeceia super bem, é veloz, mas eu não sou veloz, não cabeceio bem, não chuto bem com a esquerda, então...e eu falei, caramba, tem razão, é melhor você fazer super bem com uma perna só do que não fazer bem nem com uma, nem com a outra”, começou por afirmar..

Além de Xavi, outro apontado como diferenciado por Marcos Senna era Iniesta. O autor do gol do título da Espanha na Copa do Mundo em 2010 foi posto pela France Football no terceiro time de craques mundiais. O ex-meia também relembrou o Barcelona de Guardiola que não se desfazia da bola e afirmou: teria vaga no time de Pep.

“Com certeza eles eram diferenciados. Às vezes, pela TV é uma coisa e no dia a dia é outra, mas ali era mais do que era na TV (risos). Por que? Eu era um tipo de jogador e eu valorizava muito a não falha de passe, na época do Barcelona, que eu vi ele jogar na época do Guardiola, eu falava: ‘caramba, eu me encaixaria nesse time’. Vejo que não é um time que tem chegar na linha de fundo e já acabar com a jogada e voltar para trás. O cara chegava, não tinha ninguém, o cara falava ‘caramba, não tem ninguém? Não vou cruzar por cruzar’, chegava perto da área, não vou chutar por chutar, os caras elaboravam bem mesmo a jogada. Tinham muitos que gostavam desse estilo, e muitos que falavam que ficava monótono. Eu gostava. Eu gostava porque desde o Brasil, sempre valorizei muito a não perda da bola. Chegou, não dá para entrar? Roda", começou por afirmar.

Craques e diferenciados, Xavi e Iniesta foram multicampeões pela Espanha e pelo Barcelona. E, após todo título, tem o momento mágico de comemoração e descontração. Marcos Senna revelou ao ESPN.com.br que o primeiro gostava bastante de 'tomar uma' nas celebrações, enquanto o segundo era mais pacato e não era de beber.

“O Xavi gostava bastante, gostava de tomar uma legal na comemoração. O Iniesta, não, era aquele cara mais pacato, interiorzão, mais família. Não lembro de ter visto o Iniesta bebendo, se ele bebia em casa ou com alguns amigos não estando com a gente, eu nunca vi. Se bebia fora, sinceramente, não sei”

A seleção principal armada pela France Football teve o 343 como esquema. E o time eleito foi: Lev Yashin; Cafu, Beckenbauer e Maldini; Maradona, Xavi, Matthaus e Pelé; Messi, Cristiano Ronaldo e Ronaldo.

Já o terceiro time, que Iniesta estava presente, também foi armado no 343 e teve: Neuer; Lahm, Breitner e Sergio Ramos; Platini, Neeskens, Didi e Iniesta; Henry, George Best e Marco Van Basten.

Marcos Senna marcou época na Espanha com a camisa do Villarreal. Ao todo, foram pouco mais de dez temporadas defendendo o Submarino Amarelo. Pela seleção espanhola, conquistou a Eurocopa de 2008.