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Doni, ex-Corinthians e seleção, virou empresário nos Estados Unidos e fatura alto com construção civil

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Ex-goleiro Doni revela como virou homem de negócios nos EUA (2:57)

O entrevistado ainda contou como funciona a burocracia no país: 'Aqui, não pode mudar nada' (2:57)

Poucos ex-jogadores se prepararam tão bem para o pós-carreira quanto Doniéber Alexander Marangon.

Mais conhecido como Doni, o ex-goleiro de Botafogo-SP, Corinthians, Cruzeiro, Santos, Liverpool, Roma e seleção brasileira hoje vive nos Estados Unidos com a família e fatura alto no ramo da construção civil.

A mudança da vida de atleta para o mundo do business aconteceu um pouco "no susto", já que o arqueiro teve que se aposentar à força devido a uma condição de saúde.

"Ainda quando eu jogava, sempre procurei fazer algumas coisas fora do campo, pensando no futuro. Comecei a investir em construção, aluguel, etc. Quando fiz 28 anos, encontrei um amigo e viramos sócios em projetos de entretenimento no Brasil", conta Doni, em entrevista à ESPN.

"Comecei a estudar bastante o mundo dos negócios e estava me preparando para uma aposentadoria no futuro. Só que aí veio a surpresa: tive um problem no coração durante um treino do Liverpool e tive que pendurar as luvas do dia pra noite, aos 32 anos. Foi uma decisão muito rápida, e aí tive que partir para o mercado de trabalho", lembrou.

Após encerrar a carreira de jogador, o ex-goleiro pegou firme e logo virou um empreendedor, dono dos mais variados negócios.

"Comecei a me dedicar a várias coisas. Montei um complexo esportivo, uma academia, tive um escritório para empresariar jogadores... Fiz várias coisas e fui aprendendo cada vez mais a me virar em algumas áreas", relatou.

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"Depois, fui para o mundo empresarial, mas fora do futebol. Montei um parque de diversão de dinossauros que foi um sucesso, rodamos vários shoppings do Brasil", recordou.

Foi então que Doni decidiu deixar o Brasil e investir em novos negócios no exterior.

Depois de alguns anos ralando, hoje ele é um empresário da construção civil na Flórida, Estado norte-americano conhecido por receber muitos imigrantes.

"Eu mudei com toda a minha família para os Estados Unidos. No começo, pensei em abrir um parque de diversões em Orlando, mas, depois de estudar o mercado, vi que o ramo de construção era melhor. Aí montei com dois sócios uma incorporadora e construtora", explicou.

Hoje, a D32 Invest, comandada por Doni e pelos sócios Werner Macedo e Maurício Penha, está em franco crescimento nos EUA.

"A empresa está bem estabelecida no mercado norte-americano. Começamos num nicho de mercado em que as construtoras daqui pouco atuam, que é uma espécie de 'Minha casa, minha vida' no Brasil. O valor inicial é considerado um pouco mais baixo, mas as casas são de qualidade e tamanho grande. É considerada a casa inicial para uma família norte-americana. Focamos nesse nicho de mercado e estamos mantendo isso até hoje", ressaltou.

"A Flórida é um Estado que cresce muito por vários fatores, mas principalmente porque tem um clima bom e muitos latinos. Nossos imóveis são quase todos para grupos de investidores que querem alugar. A demanda está muito grande no momento", comemorou.

O ex-goleiro da seleção brasileira diz "sofrer" apenas com a rigidez da burocracia dos Estados Unidos na área de construção.

"A demora para aprovar os projetos aqui é muito grande. E, depois que você aprova um projeto, não pode modificar nada... Nem uma parede! Lembro que uma vez ficamos três meses para poder mexer na parede de um galpão nosso. Foi um estresse. Além disso, tem muita água nos terrenos da Flórida, o que atrapalha algumas vezes. Mas temos entregas até 2022", salientou.

Doni, é claro, não faz tudo sozinho. Além de seus sócios, ele também conta com a expertise de especialistas locais, e também tem como investidores vários "parças" do tempo de jogador.

"Nós trouxemos muitos norte-americanos que têm experiência no ramo dos negócios imobiliários. Um dos meus sócios, o Werner, mora nos Estados Unidos desde os 13 anos e já participou de muitas coisas aqui, então ele conhece muitas pessoas da área", afirmou.

"Temos também vários investidores, incluindo jogadores e ex-atletas, como Diego Alves, Fábio Luciano, Lucas Leiva, Fábio Simplício, Renato Abreu, Fellype Gabriel. Eles estão desde o começo do projeto comigo", revelou.

"Começamos pequenos e hoje temos um tamanho legal. Um valor de venda de US$ 250 milhões (R$ 1,43 bilhão) é bem satisfatório como empresa para 2021. E a gente prevê crescimento em 2022", festejou.

Quanto ao futebol, Doni diz ter pouca ligação, principalmente pela vida corrida.

"Meu irmão também foi jogador e hoje é empresário de jogadores na Europa, como o goleiro Daniel Fuzato, que era do Palmeiras e hoje está na Roma. Eu ajudo um pouco meu irmão com a entrada que eu tenho em alguns clubes. Além disso, eu levo meu filho de 15 anos para treinar", disse.

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