Nesta quinta-feira (23), Portugal faz sua estreia nas eliminatórias da Eurocopa-2024. Às 16h45 (de Brasília), a seleção de Cristiano Ronaldo e cia. enfrenta a pequenina equipe de Liechtenstein, com transmissão ao vivo e EXCLUSIVA para assinantes Star+.
É esperada uma grande goleada dos lusos. Afinal, nos sete confrontos entre os dois times até hoje, a equipe rubro-verde venceu seis, com direito a placares como 8 a 0, em 1994 e 1999, e 7 a 0, em 1995.
No entanto, em 2004, Liechtenstein conseguiu operar um verdadeiro "milagre" e buscou um empate por 2 a 2 após sair perdendo por 2 a 0, em jogo válido pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2006 - essa foi a única vez que o time não saiu derrotado ao enfrentar os portugueses em toda a história.
A partida acabou entrando para a história, sendo encarada de forma tensa em Portugal. No dia seguinte ao jogo, por exemplo, o jornal A Bola, um dos principais veículos esportivos do país, chamou a seleção de Luiz Felipe Scolari, Cristiano Ronaldo, Deco, Pauleta e cia. de "a piada da Europa".
Um dos jogadores que ficaram eternizados por Liechtenstein naquele dia foi o goleiro Peter Jehle, que defendeu a seleção de seu país por 20 anos, entre 1998 e 2018.
Em entrevista à ESPN, Jehle, que se aposentou em 2018 e atualmente é diretor da Federação de futebol do país, descreveu o empate por 2 a 2 com Portugal como um "milagre" e relembrou as celebrações ao lado de seus colegas, que não conseguiam acreditar no feito.
"Essa partida foi um daqueles milagres do futebol. Aquele tipo de coisa que de vez em quanto acontece. Não é sempre, mas vez ou outra acontece (risos)", divertiu-se.
"Naquele ano, a seleção de Liechtenstein tinha, para os padrões do país, um time muito bom. Claro que a gente não era favorito contra Portugal, éramos a 'zebra', mesmo jogando em casa, mas tínhamos um time bom. Saímos perdendo por 2 a 0 e conseguimos buscar o empate, fazendo um 2 a 2 histórico em Vaduz. E posso te dizer: depois da partida, a gente comemorou como se tivesse vencido a Copa do Mundo!", recordou.
O que tornou a façanha de Liechtenstein ainda mais histórica é que boa parte do time que empatou contra Portugal era formada por semi-amadores - ou seja, jogadores que tinham outros empregos além do futebol.
"Eu era profissional, jogava pelo Grasshopper da Suíça na época. Mas nossa seleção tinha vários atletas amadores, que jogavam futebol de noite, mas, durante o dia, tinham o que a gente chama de 'empregos normais'", contou.
"Havia no nosso elenco um carteiro, um bancário, todo tipo de trabalho que você pode imaginar (risos). Mas isso é normal em Liechtenstein. O país inteiro tem 39 mil habitantes, é a 6ª menor nação do mundo. Desses 39 mil, só 25% possuem passaporte de Liechtenstein, e uma parte considerável não é de homens e não jogam futebol. Então, imagine como é limitada a quantidade de gente disponível para a seleção", apontou.
"É muito difícil para Liechtenstein ter uma seleção composta totalmente de jogadores 100% profissionais. É por isso que a gente tem que usar também atletas semi-amadores. Mas não deixa de ser uma história legal também para o futebol, certo?", complementou.
No confronto desta quinta-feira, aliás, o time de Liechtenstein que enfrentará Portugal também terá poucos atletas 100% profissionais.
"Será muito difícil enfrentar Portugal. Acho que, da seleção atual, só uns cinco jogadores são profissionais de fato, os outro são todos amadores. Mas estamos todos ansiosos para ver o time jogar em Lisboa", animou-se.
"Nós esperamos uma partida muito, mas muito difícil. Vamos tentar dificultar ao máximo a vida de Portugal, mas sabemos que, como sempre, somos a zebra", admitiu.
"Nosso plano era defender o gol de qualquer jeito"
Relembrando o histórico 2 a 2 com Portugal, Peter Jehle admite que o plano inicial para a partida era se defender e perder de pouco para o "esquadrão" de Portugal, que havia sido vice da Eurocopa-2004 e aparecia como uma das seleções favoritas ao título na Copa do Mundo de 2006.
"Antes do jogo, nosso plano era defender nosso gol de qualquer jeito que desse. A partida começou e tentamos segurar o 0 a 0 pelo maior tempo possível. Infelizmente, o Pauleta fez um gol e saímos perdendo. Pouco depois, tomamos o 2º gol e a situação ficou muito, muito difícil. Para piorar, o estádio estava lotado de portugueses, porque há muitos imigrantes em Liechtenstein. Eles já estavam fazendo festa na arquibancada e celebrando a vitória que certamente achavam que viria", rememorou.
"Mas a gente acreditava que conseguiria pelo menos fazer um gol na partida. Quando finalmente diminuímos para 2 a 1, ganhamos uma 'bomba' de energia e fomos atrás do empate. Claro que tivemos um pouquinho de sorte, porque nosso gol de empate saiu de uma falta lateral que cruzou a área, não tocou em ninguém e enganou o Ricardo, que era o goleiro de Portugal. Como zebra, você sempre precisa de um pouco de sorte (risos)", sorriu.
"Para nós, aquele empate era praticamente um milagre, e Portugal não conseguiu reagir depois disso. Eles ficaram em choque. Para eles, foi uma noite que queriam esquecer, ficaram muito bravos com o resultado. Todos esperavam uma vitória tranquila deles", salientou.
Jehle, aliás, teve que trabalhar muito naquela noite para parar o poderosíssimo ataque lusitano. Sua grande atuação o ajudaria a, dois anos depois, acertar com o Boavista, de Portugal.
"Como goleiro de Liechtenstein, você nunca reclama de trabalhar pouco em campo (risos). Então, eu tive uma participação bem grande naquela partida, e isso é normal", disse.
"Fiquei feliz porque tive a chance de mostrar que eu era um bom goleiro, então gostei muito daquela partida. Naquela época, eu estava jogando pelo Grasshopper e queria mostrar de todo jeito que tinha potencial para atuar por equipes maiores", admitiu.
"Depois, quando joguei no Boavista, de Portugal, todos se lembravam dessa partida", completou o ex-atleta, que defendeu a equipe lusitana entre 2006 e 2008.
A festa feita pela população em Vaduz, capital do país, também nunca foi esquecida pelo goleiro.
"Foi algo enorme! Nós comemoramos muito aquele empate e houve uma festa incrível no centro de Vaduz. A cidade tem 5,5 mil habitantes, mas foi uma loucura mesmo assim. A celebração foi muito legal, e toda a imprensa chamou de 'milagre da bola'. Foi um grande momento para o futebol de Liechtenstein", encerrou.
Onde assistir a Portugal x Liechtenstein?
Portugal x Liechtenstein, nesta quinta-feira (23), às 16h45 (de Brasília), pelas eliminatórias da Eurocopa-2024, tem transmissão ao vivo e EXCLUSIVA para assinantes do Star+.
