Brasileiro impressionou contra 'Real Madrid do Playstation' e foi elogiado por lenda depois do jogo: 'Olha o nível do cara'

Goleiro Renan, ex-Internacional, jogou por Valencia e Xerez no futebol espanhol, entre 2008 e 2010


Nesta quarta-feira (11), o Valencia encara o Real Madrid, às 16h (de Brasília), pela semifinal da Supercopa da Espanha, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.

Apesar de não ser algo da magnitude de El Clásico, o confronto entre merengues e ches também é considerado um clássico de grande importância no futebol espanhol. Afinal, os dois clubes já chegaram até a fazer uma final da Uefa Champions League no início dos anos 2000.

Um brasileiro que conheceu bem a rivalidade Valencia x Real Madrid foi o goleiro Renan, que ficou conhecido no Brasil por suas duas passagens vitoriosas pelo Internacional, sendo bicampeão da Conmebol Libertadores e campeão do Mundial pelo Colorado, entre outras taças.

Vendido ao ches em agosto de 2008, por 5 milhões de euros, Renan chegou para ser o suplente direto do lendário Santiago Cañizares, um dos maiores goleiros da história do Valencia. No entanto, quis o destino que o brasileiro logo virasse titular.

"Fui para ser o substituto a longo prazo do Cañizares, mas ele acabou tendo um problema no quadril e se aposentou um pouco antes. Eu cheguei à Espanha, treinei três dias e já fui para o jogo! Esse não era o plano, mas eu joguei todo o primeiro turno de LaLiga e deu tudo muito certo", lembrou o hoje ex-jogador, em entrevista ao ESPN.com.br.

À época, Renan integrou um timaço do Valencia, que começou muito bem a temporada 2008/09 do Campeonato Espanhol.

"Tinha o David Villa, que impressionava pela média de gols. A equipe ainda tinha David Silva, Juan Mata e o Jordi Alba, que havia acabado de subir para a base. Ainda tínhamos outros nomes de seleção espanhola, como Marchena e Albiol, e eu ainda peguei os veteranos da era dourada do Valencia, como Baraja, Cañizares e Albelda, além do Morientes, que sempre foi um centroavante muito respeitado no futebol espanhol", recordou.

"A gente tinha grandes jogadores e um ótimo treinador, que era o Unai Emery. Ele era jovem e já tinha muitas ideias bacanas. Não é à toa que está fazendo sucesso até hoje", exaltou.

"O Raúl me elogiou!"

Uma das melhores atuações de Renan pelo Valencia aconteceu em 20 de dezembro de 2008, quando os ches enfrentaram o poderoso Real Madrid do fim da "era dos galácticos", no Santiago Bernabéu lotado.

Os blancos tinham nomes como Casillas, Cannavaro, Marcelo, Gago, Guti, Van der Vaart, Robben e Higuaín, além do veterano Raúl, um dos últimos estandartes merengues.

O jogo foi muito parelho, e o Real acabou vencendo por 1 a 0, gol de Higuaín. Renan, porém, foi um dos melhores em campo, fazendo grandes defesas e ganhando elogios de "Raúl Madrid" ao final da partida, algo que ele lembra até hoje.

"Enfrentar o Raúl foi algo especial para mim. Era um cara que eu sempre vi como um superartilheiro. Quando acabou o jogo, ele veio até mim e me elogiou, disse que eu aguentei muito bem nos lances de um-contra-um", contou.

"O Morientes era muito amigo dele, porque jogaram juntos por muitos anos em Madri, e deve ter comentado com ele que eu falava que a gente ia enfrentar o 'Real Madrid do Playstation' (risos)". Ter esse tipo de contato com os grandes craques não é algo que você imagina quando está começando, mas depois acaba tendo caras desse calibre como companheiros de equipe e oponentes. Sou um privilegiado, pois participei de um cenário do futebol com grandes nomes", salientou.

Sobre Raúl, Renan comparou o canhoto a ninguém menos que o brasileiro Romário.

"O Raúl era muito parecido com o Romário em certos aspectos. Ele era muito inteligente e estava sempre em vantagem no um-contra-um nas chances claras ou rebotes. Naquele dia, eu consegui levar vantagem em algumas situações. Só não consegui pegar o chute do Higuaín, mas de resto defendi todas", rememorou.

"Depois, acabou o jogo e eu estava conversando com o Marcelo, aí o Raúl veio até mim e me parabenizou. Olha o nível do cara: ele que veio até mim para me parabenizar e dizer que eu dificultei a vida deles. Tem jogadores que, numa situação dessas, procura sair o mais rápido possível de campo, mas ele se preocupou em vir falar comigo, que estava começando em LaLiga, para me cumprimentar", elogiou.

"Eu achei muito bacana, e isso só aumentou a admiração que eu já tinha por ele. Passei a ter um respeito ainda maior, não só pela qualidade, mas também pela postura dele", complementou.

Saída para o Xerez

Titular absoluto do Valencia desde o início da temporada 2008/09, Renan acabou prejudicado por uma lesão, que complicou a 2ª parte do ano para o brasileiro.

"Joguei todo o 1º turno de LaLiga, mas, no último jogo do 1º turno, contra o Athletic Bilbao, eu tive uma lesão grave e tive que ser substituído ainda no 1º tempo. Isso me prejudicou muito", lamentou.

"Depois, eu voltei a ficar disponível na reta final do campeonato, mas não consegui dar a sequência e o César Sánchez tinha virado titular. Com isso, eu fui emprestado na temporada seguinte para o Xerez, que tinha acabado de subir para a 1ª divisão", contou.

No Xerez, o goleiro brasileiro viveu outra realidade, já que a equipe tinha investimento muito menor que o do Valencia e foi rebaixado como lanterna de LaLiga.

Renan, porém, teve bom desempenho, retornando depois ao Internacional para assumir a meta do Colorado.

"No Xerez, era um investimento muito menor, mas tinha um lado apaixonado muito grande. Eles tinham subido da 2ª divisão como campeões e tiveram uma luta muito grande para conseguirem jogar em LaLiga. O povo da cidade era muito parecido com os brasileiros, muito sanguíneos. Foi uma época muito bacana e a cidade era muito legal também, porque tem a pré-temporada da Fórmula 1 lá", relatou.

"Infelizmente, houve muita confusão financeira e política no clube naquela temporada e a gente não conseguiu bons resultados a nível esportivo. Foi bom porque pude ter minutos, mas depois mudou a legislação espanhola para tirar o passaporte europeu e isso pesou para eu voltar ao Brasil. Se não tivesse mudado a lei, eu poderia ter tirado cidadania espanhola e teria caminho aberto na Europa, pois eu ainda tinha contrato de mais duas temporadas no Valencia. Mas foi bacana poder disputar a temporada de LaLiga num clube menor, pois fiz grandes amigos", exaltou.

"O que vivi na Europa foi uma experiência muito bacana. Aprendi muito e tive ótimos treinadores de goleiros. No total, fiz mais de 60 jogos no futebol europeu. Não me arrependo nem um minuto de ter ido para lá. Acabei voltando ao Brasil muito mais porque foi um convite do Inter do que por uma possível frustração minha na Europa", ressaltou.

Renan jogou pelo Inter entre 2010 e 2012, indo depois para o Goiás, que defendeu por cinco anos. Na sequência, passou por Ceará, São Bento, Esportivo, Pelotas, Paraná Clube e Marcílio Dias, time pelo qual encerrou a carreira no ano passado.

Onde assistir a Real Madrid x Valencia

Real Madrid x Valencia será nesta quarta-feira (11), às 16h (de Brasília), com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.