Conheça histórias de Chiellini, que irá se despedir da seleção italiana nesta quarta-feira (1º), na Finalíssima contra a Argentina
Capitão da Itália por muitos anos, o zagueiro Giorgio Chiellini irá se despedir da Azzurra contra a Argentina na Finalíssima, partida que reúne os campeões da Eurocopa e Copa América, no estádio de Wembley, nesta-quarta-feira (1º), às 15h45 (de Brasília), com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.
Titular absoluto da Juventus e da seleção italiana por muitos anos, o veterano é, além de homem de confiança de seus treinadores e um dos zagueiros mais durões do futebol mundial, um homem muito estudioso.
Em 2010, mesmo estando em franca atividade como jogador, o defensor concluiu sua graduação em Economia e Comércio na Universidade de Turim, sendo aprovado com honras. Em seu trabalho de conclusão de curso, ganhou nota 9,9, com muitos elogios dos exigentes mestres.
Também, era de se esperar, já que ele conhece o tema como poucos: "O orçamento de um clube esportivo: o caso de Juventus Football Club" foi o nome de sua tese.
Para quem veste a camisa alvinegra desde 2005, não deve ter sido nada complicado escrever sobre a Juve. Mas isso não quer dizer que ele não tenha ficado nervoso na hora de apresentar o trabalho para a banca, e por um motivo bem inusitado.
"Fui muito preparado, mas me compliquei na hora de falar em inglês em espanhol, tive até que fazer aulas particulares antes. Também teve outro problema: um dos professores era torcedor do Torino (risos). Mas acho que ele foi bastante imparcial", contou, em entrevista ao jornal La Repubblica.
Quem conhece Chiellini, sabe que de fato ele é tão aplicado nos estudos quanto nos cansativos treinamentos.
"Ele é muito estudioso, fala muitas vezes a gente sobre isso. Sei que ele estudou para caramba durante o tempo em que estava fazendo faculdade. Não é nada fácil conciliar a carreira de jogador com os cursos, então tem que parabenizar pelo esforço", diz o goleiro Rubinho, ex-companheiro do defensor na "Velha Senhora", ao ESPN.com.br.
O beque da Azzurra conta, porém, que a faculdade era na verdade uma maneira de escapar da pressão do futebol e ocupar a cabeça com outras coisas.
"Não parece, mas nós, os jogadores, temos bastante tempo livre. É claro que um monte de viagens não ajudam, mas tomei o estudo como uma espécie de hobby para escapar das pressões do futebol, para desligar um pouco da tomada", relata.
Chiellini, aliás, luta por uma causa diferente para os jogadores de futebol: para que eles deixem de ser tratados como "cabeças-de-vento" e ignorantes.
"Nós, atletas, não somos ignorantes. Há muitos jogadores com diplomas universitários, inclusive ex-companheiros meus. Acho que o que sempre dizem sobre nós, jogadores, é um clichê muito ruim que tem que ser dissipado", afirmou.
Polêmicas
E a personalidade forte e a inteligência não o impediram de se envolver em uma grande polêmica. Em 2020, ele publicou uma autobiografia chamada "Io, Giorgio", na qual detonou o volante Felipe Melo, seu ex-colega de Juve na temporada 2009/10, dizendo que pediu para os diretores o cortarem do elenco.
"Felipe Melo é o pior dos piores. Não consigo lidar com pessoas que não respeitam ninguém. Estava sempre focado em arrumar problemas e criar conflitos, praticando o contrário do que todos faziam. Avisei os responsáveis do clube acerca disto: 'temos uma maçã podre'", escreveu Chielini, em trecho da obra.
Outro jogador que ficou revoltado com o livro foi Mario Balotelli, que foi criticado pelo defensor.
"Balotelli é uma pessoa negativa, sem respeito pelo grupo. Na Copa das Confederações contra o Brasil, em 2013, ele não nos deu uma mão em nada. Merecia levar umas bofetadas. Para muitos, ele estava entre os cinco melhores do mundo. Eu nunca acreditei que ele pudesse estar entre os 10 ou 20mmelhores", disparou, em outra parte do livro.
As falas de Chiellini deixaram os jogadores citados bastante bravos. No entanto, o zagueiro garantiu que não guarda nenhum rancor do brasileiro ou do italiano.
O defensor também não ter qualquer problema em relação a mordida que levou de Luis Suárez durante a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, o episódio que o tornou ainda mais famoso no mundo do futebol.
"Nada de estranho aconteceu no dia da mordida. Marquei Cavani na maior parte da partida, outro cara complicado. De repente, notei que morderam meu ombro e nada mais. Aconteceu, mas essa é a estratégia de contato dele na disputa e, se posso dizer, também é minha", salientou.
Chiellini ainda revelou que recebeu um pedido de desculpas de Suárez, mas assegurou que "não havia necessidade".
O veterano defende a seleção italiana desde a categoria sub-15, tendo conquistado o Europeu Sub 19, em 2003. Símbolo da raça na equipe, o defensor foi até condecorado como cavaleiro da Ordine al Merito della Repubblica Italiana depois que ajudou a seleção a conquistar o bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004.
Pela equipe principal, faturou a Eurocopa 2020 e foi vice do torneio em 2012. Além disso, participou das Copas do Mundo de 2010 e 2014. No entanto, ele esteve nas eliminações para os Mundiais de 2018 e 2022.
No total, o jogador completará 117 internacionalizações, o que o coloca na 4ª posição de todos os tempos na Itália, ao lado de Danielle De Rossi.
