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'Animal enjaulado': último Emelec x Palmeiras no Equador teve Edmundo na mira da polícia por 'presepada' histórica na Libertadores

Palmeiras encara o Emelec nesta quarta-feira (27), às 21h (de Brasília), pela Conmebol Libertadores, com transmissão pela ESPN no Star+


Nesta quarta-feira, o Palmeiras visita o Emelec, às 21h (de Brasília), em jogo válido pela 3ª rodada do grupo A da Conmebol Libertadores. A partida terá transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.

Essa será a 3ª vez que a equipe palestrina enfrentará o clube de Guayaquil na história da competição sul-americana, já que o Verdão também jogou contra os equatorianos duas vezes na fase de grupos da Libertadores de 1995.

Na partida contra o Emelec fora de casa, aliás, o Alviverde atuou desfalcado de um de seus principais jogadores, o atacante Edmundo, por causa de uma situação surreal ocorrida na partida anterior.

Em 7 de março de 1995, o Verdão fez sua estreia no torneio da Conmebol e perdeu por 1 a 0 para o El Nacional, em Quito, com um gol de pênalti aos 40 do 2º tempo.

Mas o que aconteceu depois do jogo acabou sendo ainda pior para os paulistas: muito irritado, Edmundo se "enroscou" com a equipe de reportagem do canal equatoriano Televisa, e a câmera da equipe de TV caiu no chão.

Enquanto o objeto estava no gramado, o "Animal" ainda desferiu um chute na câmera e saiu andando para os vestiários.

O episódio virou caso de polícia, e Edmundo teve que ficar enclausurado no hotel do Palmeiras no Equador enquanto esperava as coisas "esfriarem".

Três dias depois, o Verdão voltou a campo contra o Emelec, pela 2ª rodada da Libertadores, desfalcado do camisa 7, que seguia no hotel.

Na ocasião, o "Animal" foi substituído pelo atacante Maurílio, talismã histórico da equipe palestrina no início dos anos 90 e que fez parte de várias conquistas da "era Parmalat".

Em entrevista ao ESPN.com.br, Maurílio lembrou o histórico episódio envolvendo Edmundo e absolveu o antigo companheiro pela confusão contra o El Nacional.

"No lance do Edmundo, todo mundo pensou que ele deu uma 'rapa' no cameraman, mas não foi assim. Ele estava saindo revoltado do campo, porque sempre foi um jogador com espírito de luta. O câmera estava na frente dele, o Edmundo queria sair e um monte de gente entrou na frente, aí o cameraman esbarrou nele e derrubou a câmera no chão. Em seguida, o Edmundo acertou a câmera, mas a impressão que sempre tivemos é que foi sem querer, foi a câmera que bateu no pé dele. O problema foi que, no Equador, pela imagem da câmera, as pessoas pensaram que ele agrediu os caras, porque as imagens sugeriam isso", recordou o ex-atleta.

Segundo Maurílio, os dias prévios ao duelo contra o Emelec foram cercados de tensão, com a polícia querendo levar Edmundo e o Palmeiras tentando "blindar" o jogador no hotel da delegação.

"Todo mundo correu para proteger o Edmundo quando chegamos ao hotel. Por causa dessa situação, imediatamente eu pensei que poderia jogar contra o Emelec, mas era um elenco farto, que tinha vários jogadores que poderiam entrar. Nisso, a comissão técnica me chamou e disse eu eu seria titular. Recebi muita confiança de todos e fiquei feliz, apesar do clima de tensão que estava lá", rememorou.

"A polícia estava atrás do Edmundo, e ele não podia nem sair do hotel. Ficamos muito preocupados com isso, pois tivemos que viajar para o jogo contra o Emelec e ele ficou no hotel. Depois, ainda voltamos para o Brasil e ele teve que ficar lá no Equador. Só conseguiu ir embora alguns dias depois, quando o caso teve o desfecho", contou.

"Na época, o regulamento da Libertadores era diferente, e nós ficamos vários dias no Equador, pois fizemos dois jogos seguidos lá. O pessoal fazia clima de guerra, com muito foguetório e pressão, mas a gente ficava de boa no hotel", relatou.

Mesmo sem Edmundo, uma vitória épica sobre o Emelec

Com o desfalque do "Animal", o técnico Valdir Espinosa escalou o seguinte time contra o Emelec, no dia 10 de março de 1995: Velloso; Índio, Antônio Carlos, Tonhão e Roberto Carlos; Flávio Conceição, Amaral, Mancuso e Válber; Maurílio e Rivaldo.

Vivendo fase esplendorosa, Roberto Carlos abriu o placar aos 32 do 1º tempo, em um forte chute da lateral, que o goleiro do Emelec ajudou a colocar para dentro - pelo menos quase...

"No gol do Roberto Carlos, não dá para ter certeza até hoje se a bola entrou totalmente ou não... O goleiro pegou a bola quase em cima da linha, mas acabou que a arbitragem deu o gol para a gente e foi maravilhoso (risos)", brincou.

Jogando com apoio de sua torcida, o clube de Guayaquil buscou o empate aos 6 da etapa complementar.

"Quando eles fizeram o gol, deu aquela inflamada clássica no estádio. Foi difícil conter o ímpeto deles", admitiu.

O Emelec, aliás, contou com uma "ajudinha" das arquibancadas para igualar o placar.

"A atmosfera no estádio era de muita tensão, uma pressão gigantesca. Os torcedores deles jogaram muitos rolos de papel higiênico na nossa área durante toda a partida. Tanto é que, bem quando saiu o gol deles, estavam caindo vários rolos, que acabaram atropelando o Velloso. Lembro até dele falar no fim do jogo que, na hora do cabeceio do jogador do Emelec, eram tantos rolos caindo que ele foi atrapalhado", recordou.

Mas o time do Verdão era recheado de craques, e Rivaldo anotou um gol belíssimo aos 14 para recolocar os brasileiros na frente.

O camisa 11 recebeu de Paulo Isidoro, cortou seu marcador puxando para a direita e, mesmo com a perna ruim, acertou um balaço no ângulo para estufar as redes.

"O gol do Rivaldo foi lindo. Lembro como se fosse hoje: ele dominou a bola fora da área indo para a esquerda, ameaçou, tirou do zagueiro e chutou forte de direita. A bola foi zunindo na gaveta, um gol fantástico", celebrou Maurílio.

A vitória alviverde foi confirmada com mais um de Roberto Carlos, que soltou uma bomba em cobrança de falta aos 34 para fazer 3 a 1 para o Palmeiras.

"O (gol de falta) do Roberto Carlos foi um golaço! Foi bem parecido com aquele histórico que ele fez contra a França, em 1997, mas do lado invertido. A bola entrou na direita do goleiro", observou.

Segundo Maurílio, outro que teve grande atuação naquela partida foi o argentino Mancuso, que não fez gol, mas foi um "leão'" em campo.

"Fomos sem medo nenhum e conseguimos um grande resultado. Voltamos para casa muito felizes depois desse jogo. O Mancuso tinha uma liderança muito grande e passava muita tranquilidade para a gente, porque tinha experiência de grandes jogos na América do Sul. Você via o cara batendo em todo mundo em campo, era um leão, mas, fora de campo, era um amigão, um cara muito tranquilo", finalizou.