<
>

Ronaldinho lembra bastidores de como quase foi ao Manchester United e revela à ESPN por que escolheu Barcelona

Em entrevista exclusiva à ESPN, Ronaldinho Gaúcho revelou por que preferiu o Barcelona ao Manchester United em 2003


Considerado o jogador que transformou a história do Barcelona, Ronaldinho Gaúcho esteve muito próximo de ir ao Manchester United. Pouco antes de chegar ao Camp Nou, em 2003, o craque tinha quase tudo acertado com Alex Ferguson, mas a persistência de um diretor catalão foi fundamental para que o negócio mudasse de uma hora para outra.

“Foi devido ao Sandro Rosell, que também foi para o Barcelona na época. Já tínhamos uma amizade muito grande e com a ida dele virou muito para eu ir para o Barcelona. O Sandro foi meio que responsável por isso”, disse Ronaldinho em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.

Rosell, que foi executivo da Nike e trabalhou diretamente com a seleção brasileira por muitos anos, foi nomeado pelo presidente recém-eleito do Barça à época, Joan Laporta, para contratar o craque. O mandatário via no brasileiro uma forma de resgatar a autoestima do clube e simbolizar o início de uma nova era em meio a uma forte crise.

No documentário "O Homem Mais Feliz do Mundo", sobre o craque e produzido pela Fifa, é mostrado que Ronaldinho passava por problemas com o técnico Luis Fernandez no Paris Saint-Germain. O francês reclamava publicamente do comportamento do brasileiro, que não gostava de marcar, e chegou a deixá-lo no banco de reservas.

Mas o Barça não era o único interessado. Irmão e agente do 'Bruxo', Assis marcou reuniões com diretores catalães e do United no mesmo hotel. Ele ia de um quarto para o outro ouvindo as propostas dos clubes.

A balança estava pendendo para o United, que brigava por todas as taças sob o comando do lendário técnico Alex Ferguson, enquanto o Barcelona vivia um momento muito ruim de jejum de títulos importantes. A negociação chegou a um ponto no qual o time catalão praticamente havia desistido.

Ronaldinho chegou a dizer a Kléberson, companheiro de título na Copa do Mundo de 2002, disputada em Japão e Coreia do Sul, que iria para o United. Isso teve um grande peso para que o volante assinasse contrato com os Red Devils em seguida.

No entanto, o negócio teve uma grande reviravolta. Rosell não se deu por vencido, entrou em contato com Luiz Felipe Scolari e pediu ao técnico para convencer o craque a ir para o Barcelona.

Após algum tempo de mistério na imprensa, que não sabia para onde o brasileiro iria, a equipe catalã ganhou a batalha.

Enquanto isso, o United anunciou - pouco tempo depois de perder Ronaldinho - um jovem português menos badalado vindo do Sporting chamado Cristiano Ronaldo, que foi apresentado ao lado de Kléberson, naquele momento, a estrela, já que vinha do pentacampeonato com a seleção brasileira.

Quase 20 anos após ter feito uma escolha que possivelmente mudou os rumos do futebol mundial, como teria sido a vida de Ronaldinho no Manchester United e na Inglaterra? Será que CR7 teria sido contratado?

“Eu nunca parei para pensar nisso (risos). Sou muito feliz com a minha escolha e as coisas aconteceram maravilhosamente bem que nem me imaginei em outro lugar”, disse Ronaldinho.

O brasileiro foi abraçado como um salvador pela torcida culé, que compareceu em peso ao Camp Nou para a sua apresentação. Isso deixou o jogador maravilhado, mas também aumentou a pressão pelo histórico de sucesso dos compatriotas Ronaldo, Rivaldo e Romário. A aposta da diretoria do Barcelona era muito alta e não poderia falhar.

Estreia de madrugada

A estreia de Ronaldinho foi marcada para uma quarta–feira contra o Sevilla e tinha tudo para ser uma festa. O grande problema é que o jogador precisava viajar no mesmo dia para servir à seleção brasileira. LaLiga não queria adiantar em um dia a partida ou adiá-la.

A solução encontrada foi colocar o início para 0h05 da quarta-feira no horário local e não perder o craque. O esforço deu certo. Apesar do empate por 1 a 1, Ronaldinho marcou um gol antológico ao driblar dois defensores e acertar um chute de muito longe, no ângulo direito do goleiro. Festa dos torcedores culés que lotaram o estádio.

Não tinha como não dar certo. Meia-noite é o meu horário”, brincou o brasileiro no documentário.

Na primeira temporada, o Barcelona terminou sem títulos, mas conseguiu se recuperar e ficou com a vice-liderança de LaLiga. Nos anos seguintes, venceu duas vezes o Espanhol e uma vez a Champions League. Ronaldinho faturou duas vezes o prêmio de melhor jogador do mundo (2004 e 2005).

Apesar de ter passado por vários problemas nos dois últimos anos no Camp Nou pela falta de títulos e criticado pela vida noturna, ele se tornou um dos maiores ídolos da história do clube.