Jonathan, ex-Cruzeiro, Santos, Fluminense e Athletico-PR, atuou por quase cinco anos no futebol italiano, defendendo Inter de Milão e Parma
Nesta sexta-feira (15), a Inter de Milão encara o Spezia, às 14h (de Brasília), precisando vencer para seguir na luta pelo título do Campeonato Italiano. A partida terá transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.
Apesar de não ter atualmente nenhum atleta brasileiro, a equipe nerazzurra tem uma longa história de "brazucas" em seu elenco.
Um deles foi o lateral-direito Jonathan, que passou por times como Cruzeiro, Santos, Fluminense e Athletico-PR no Brasil e defendeu o gigante de Milão entre 2011 e 2014, ficando também uma temporada emprestado ao Parma.
Em entrevista ao ESPN.com.br, o atleta lembrou sua transferência para o futebol italiano e revelou que teve a chance de assinar com o PSG antes de ir para a Inter.
No entanto, ele escolheu os nerazzurri, que vinham de anos mágicos, inclusive conquistando a tríplice coroa sob o comando de José Mourinho na temporada 2009/10.
"Eu tinha a possibilidade de ir para a Fiorentina e também para o PSG, porque o Leonardo tinha assumido a diretoria lá. Mas, no fim, escolhi a Inter de Milão, porque era o clube campeão da Champions League na época. Quem não quer jogar no vencedor da Champions?", questionou Jonathan.
Sincero, o ex-lateral-direito salienta que o elenco interista estava "acomodado" na época por causa da série de conquistas, e passou a viver bastidores ruins por causa dos resultados de 2011 em diante.
"O problema é que nosso elenco tinha sido campeão de tudo, e isso gera uma certa acomodação. Além disso, a equipe tinha uma média de idade muito alta. A gente que tinha acabado de chegar não tinha espaço, mas, quando o time perdia, a culpa era sempre dos recém-chegados", lembrou.
"Pensando melhor hoje, acho que eu teria ido para a Fiorentina, pois lá teria mais espaço para jogar, ou para o PSG, por tudo que o clube virou depois. Mas não vou falar que me arrependo", ressaltou.
Saída turbulenta do Santos e 'medalhões' com cadeira cativa
Antes de chegar à Inter de Milão, Jonathan teve que quebrar a resistência do Santos, que não queria vendê-lo para o exterior, já que ele havia acabado de chegar ao clube da Baixada.
"Lembro que o Santos não queria me liberar, então acabei saindo meio que 'fugido'... Fiquei muito ansioso nesse período, acabei exagerando no chocolate porque a situação não se resolvia... Fui muito bem recebido na Inter, mas admito até que cheguei um pouco fora de forma", brincou.
"Só voltei ao Santos depois nas férias. Era o Muricy (Ramalho) o técnico ainda. Pedi desculpas pela minha atitude. Foi chato na época, porque tinha boa relação com todos", relembrou.
Logo que chegou à equipe nerazzurra, Jonathan teve a chance de jogar apenas seis vezes antes de ser emprestado ao Parma durante a temporada 2011/12. Depois, ele retornou ao clube de Milão e passou a jogar um pouco mais, mas não tanto quanto esperava.
Lembrando este período, ele afirma que os "medalhões" que haviam vencido tudo com José Mourinho seguiram tendo "cadeira cativa" no time titular, mesmo com os treinadores que vieram depois, como Rafa Benítez, Gian Piero Gasperini, Andrea Stramaccioni e Walter Mazzarri.
"Nosso time tinha quase todo mundo que havia sido campeão da Champions. O Sneijder era muito diferenciado. Milito um excelente finalizador. Eto'o tinha técnica incrível, e aliada com a velocidade. O Zanetti era muito profissional. Você tinha que ver esse cara treinandoy, puxava a fila mesmo com 36 anos! Um cara sensacional. Stankovic colocava a bola onde queria, craque. Tinha Lúcio, Maicon, Júlio César... E o Thiago Motta, que não errava um passe!", exclamou.
"Peguei uma fase que foi muito ruim para todos que chegaram na mesma época. Os 'medalhões' tinham cadeira cativa e não saíam nunca do time, mesmo se não conseguissem obons resultados. E, quando nós, os recém-chegados, entrávamos em campo e as coisas davam errado, a culpa era sempre nossa, dos mais novos", reclamou.
"Foi bem difícil para mim na Inter nos dois primeiros anos. Minha passagem pela Inter acabou sendo mediana, porque só tive um ano muito bom. No meu último ano de contrato, eu estava muito bem e era até cotado para ser chamado para a seleção italiana e jogar a Copa do Mundo, mas tive uma lesão séria e fiquei um ano parado", lamentou.
Jonathan garante que não se arrepende em nada das escolhas que fez.
"Realizei o sonho de jogar em time grande, disputei Champions e recebia um bom salário. Isso mexeu um pouco com a minha cabeça, e não tive muita disciplina na época. Papai do céu não dorme, e acredito que as coisas que aconteceram comigo na Inter foram da maneira que tinha que ser", discursou.
"Em momento algum me arrependo de ir para lá. Foi muito bom para a vida pessoal e profissional. Quem não quer jogar numa gigante como a Inter e disputar Liga dos Campeões? Mas sinto que falhei. Ninguém mais teve culpa. Falhei com as minhas atitudes e a maneira de encarar um clube grande como a Inter. Quando acordei, já era tarde... Mas daria tempo de ter recuperado se eu não tivesse sofrido a contusão grave", argumentou.
O ex-lateral-direito aponta que o ex-proprietário da Inter, o megaempresário Massimo Moratti, também teve sua parcela de culpa na acomodação do elenco nos anos seguintes à Tríplice Coroa.
"O clube tinha dono, o Moratti, que era eternamente agradecido àquela geração de campeões. O presidente virou o pai dos caras (risos). Tinha que chegar um treinador de pulso firme para recolocar a equipe nos trilhos. Muitos jogadores não rendiam, mas os treinadores não tiravam, porque tinham medo, até porque os caras tinham muita moral com o dono", apontou.
'Vocês estão comigo'
Para ilustrar a moral que os "medalhões" da Tríplice Coroa tinham na Internazionale, Jonathan lembrou uma divertida história ocorrida com o lateral Maicon, ídolo da torcida a multicampeão pela equipe de Milão.
"A gente foi pra Indonésia em turnê de pré-temporada. O Maicon estava para sair da Inter, assim como vários outros veteranos, mas ainda assim tinha muita moral. Ele é rei lá até hoje, imagina naquela época. Venceu a Tríplice Coroa, é um excelente jogador e só tenho coisas boas para falar como pessoa", salientou.
"Um dia, ele chegou no quarto em que estávamos eu e o (Philippe) Coutinho. Estávamos de boa descansando, na boa. Eu precisava me firmar na equipe e causar uma boa impressão depois do meu empréstimo ao Parma, então estava tranquilo", recordou.
"Aí ele já chegou com uma caixinha de som e falou pra gente descer pra piscina. Olhou pra gente e falou: 'Relaxa, vocês estão comigo!', e bateu no peito. A gente desceu e de fato não aconteceu nada. Tiramos até fotos com o pessoal (risos)", divertiu-se.
"Por sorte, acabou dando tudo certo, porque quando chegou o jogo o Maicon destruiu, o Coutinho foi bem e eu agradei também", finalizou.
