Mancini, ex-Atlético-MG, atuou com enorme sucesso pela Roma e é ídolo da torcida até hoje
Neste domingo (20), Roma e Lazio fazem mais um emocionante Derby della Capitale, às 14h (de Brasília), pela 30ª rodada do Campeonato Italiano. O jogaço terá transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.
Um dos jogadores que escreveu seu nome com força na história do clássico foi o ex-meia-atacante Mancini, revelado pelo Atlético-MG, ex-seleção brasileira e com passagem de enorme destaque na Serie A, defendendo a Roma por cinco temporadas e depois passando também pelos gigantes Milan e Inter de Milão.
Atualmente trabalhando como treinador e coordenador técnico no Brasil, o mineiro de Ipatinga concedeu entrevista ao ESPN.com.br e lembrou seu maior momento da brilho no Derby della Capitale, ocorrido pouco depois dele ter sido reintegrado pelos giallorossi após rápido empréstimo ao Venezia.
"No meu primeiro Roma x Lazio, eu fiz um golaço de calcanhar no clássico, que é até hoje um dos mais memoráveis e bonitos da história da Roma (veja no vídeo acima)!", exclamou o ex-jogador, que foi devidamente "recompensado" pelos torcedores após a partida.
"A repercussão desse gol e da nossa vitória foi gigantesca na cidade e nos jornais. Após o jogo, pagavam minha conta em todos os restaurantes. Também fizeram várias camisas com a foto desse gol e venderam, foi um sucesso (risos)", divertiu-se.
Mancini lembra que, logo que foi contratado pela Roma, já foi avisado pelos fãs da importância de vencer a Lazio.
"A rivalidade era monstruosa, gigantesca. Quando cheguei à Itália, comecei a treinar em meio, e o dérbi era só em novembro. No entanto, todo dia os torcedores me falavam: 'Olha lá, atenção, tem que ficar ligado que logo tem dérbi!'. Eles falavam isso quatro meses antes do jogo (risos)", gargalhou.
Em sua temporada de estreia pela equipe da capital italiana, Mancini já fez 10 gols em 45 partidas e comandou a ótima campanha dos romanos, que foram vice-campeões da Serie A, ficando atrás apenas do imbatível Milan de Carlo Ancelotti.
"A gente fez grandes campanhas nos anos que joguei pela Roma. Infelizmente, nunca conseguimos ser campeões italianos, porque Milan e Juventus tinham seleções e eram fortíssimos. A gente tinha uma equipe mais organizada, mas eles tinham mais qualidade individual, além da força nos bastidores", relatou.
Ao todo, Mancini fez 222 partidas e marcou 59 gols pela Roma, sendo bicampeão da Copa da Itália e ganhando também uma Supercopa da Itália. Ele é até hoje um dos grandes ídolos da torcida giallorossa.
"A Roma é, historicamente, um time com muitos brasileiros. O Falcão abriu as portas para a gente lá atrás, e fico feliz de ter conseguido deixar meu nome marcado também", celebrou.
'Barça e Juve tentaram me contratar'
Mancini começou no futebol aos 13 anos, na base do Atlético-MG. Ele se profissionalizou em 1998 e, em 1999, começou a ganhar chances na equipe principal do Galo.
"Eu era meia até a Copa São Paulo de Futebol Júnior, mas aí o time precisava de um lateral-direito e eu era o único que poderia quebrar o galho. Chegando na hora da competição, fiz seis gols!", relembrou.
"Voltei ao Atlético-MG e fui efetivado como lateral-direito, subindo muito para o ataque. Em 2002, fui destaque no Galo, marquei 18 gols no ano e era o vice-artilheiro do Brasileiro quando fui contratado pela Roma", relatou.
"Passei seis meses emprestado ao Venezia, da 2ª divisão, e depois fui reintegrado à Roma. Cheguei para o lugar do Cafú, que estava de saída para o Milan. Esse período de aclimatação foi bom, porque aprendi a cultura, o idioma e os 'segredos' do futebol italiano", recordou.
"Aí, no primeiro treino com o Fabio Capello de técnico, fui titular e nunca mais saí do time. Ele me escalava como um ponta direita, praticamente um atacante. Fiz muitos gols e também ajudava com assistências", complementou.
Uma das marcas de Mancini eram os golaços em jogadas de efeito, tanto em jogos na Itália quanto em partidas internacionais.
Não à toa, vários gigantes europeus cobiçaram o brasileiro ao longo dos anos nas janelas de transferências europeias.
"Teve uma partida contra o Lyon, fora de casa, que fiz um gol de pedalada que ficou no top 10 dos mais bonitos da Champions naquele ano", exaltou.
"Depois disso, o Barcelona tentou me contratar duas vezes, em 2006 e 2007. A Juventus também tentou, em 2003. No entanto, a Roma pedia muito caro, e as negociações nunca aconteceram", salientou.
Em 2008/09, seu contrato com a Roma acabou, e ele acabou acertando com a Inter de Milão. Lá, finalmente conseguiu o título do Campeonato Italiano, apesar de não ter brilhado como nos tempos da capital.
"Nos primeiros seis meses, consegui jogar bastante, mas depois mudou o sistema de jogo e não consegui mais render. Não fui bem como na Roma, mas vencemos a Serie A e a Supercopa da Itália", ressaltou.
Na temporada seguinte, Mancini "virou a casaca" e defendeu o rival Milan.
"Fui convidado pelo Leonardo, que assumiu como treinador do Milan, para ir para lá por empréstimo. Aceitei, mas acabei me lesionando e passei um período complicado", lamentou.
"Ainda assim, joguei com Pirlo, Seedorf, Dida, Ronaldinho Gaúcho, Gattuso, Thiago Silva... Peguei um Campeonato Italiano com muita qualidade técnica nos times", afirmou.
Por fim, Mancini destaca que também gostou de jogar o dérbi entre Milan e Inter de Milão, mas garante: nada se compara a Roma x Lazio.
"O dérbio de Milão é legal, intenso, três dias antes está todo mundo falando no jogo... Mas Roma x Lazio os torcedores começam a falar no clássico vários meses antes", finalizou.
