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PSG no Francês: do salário de Neymar ao elenco bilionário, qual o peso do 'fator dinheiro' no campeonato?

Campeonato Francês começa nesta sexta-feira com 19 clubes tentando quebrar a hegemonia do PSG; você assiste a tudo pela ESPN no Star+


Não é novidade na temporada 2022/23 do Campeonato Francês, que você assiste com transmissão pela ESPN no Star+ a partir desta sexta-feira: 19 clubes iniciam a ingrata missão de tentar quebrar o domínio do PSG, com suas estrelas do quilate de Neymar, Messi e Mbappé.

Até aconteceu há dois anos, quando o Lille surpreendeu e ficou com a taça da Ligue 1. Uma exceção repetida apenas uma outra vez nas últimas dez temporadas - em 2016/17, quando o Monaco foi campeão. Todos os outros oito troféus foram para Paris.

Também não é segredo que esse domínio foi construído a partir de 2011, quando o clube da capital passou a ser comandado pela Qatar Sports Investments (QSI), liderada por Nasser Al-Khelaifi e sua fortuna. O PSG saltou de dois títulos do Francês para ser o maior campeão do país, com dez.

Mas, antes do início de mais uma temporada do Francês, o ESPN.com.br resolveu destrinchar um pouco mais esse domínio financeiro do PSG. O abismo criado para os rivais é mesmo intransponível? Ou os números não vão entrar em campo?

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Se não figurava entre os maiores campeões da França até 2011, tampouco o PSG aparecia entre os clubes mais ricos da Europa. Anualmente, a consultoria Deloitte publica seu relatório "Football Money League", com os maiores faturamentos das equipes pelo mundo. O Lyon foi o primeiro francês a figurar no ranking, em 2004/05, no 15º lugar.

Naquela ocasião, o Lyon, que tinha no elenco os brasileiros Cris, Caçapa, Juninho Pernambucano e Nilmar, faturou 92,9 milhões de euros – sem contar venda de jogadores, como é o padrão do relatório. O líder em faturamento foi o Real Madrid, da Espanha, com 275,7 milhões de euros.

O Lyon seguiu aparecendo na lista, de forma ininterrupta, até 2011/12, mas nunca entre os primeiros – a melhor colocação foi um décimo lugar, em 2005/06, faturando 127,7 milhões de euros. Olympique de Marselha, por oito temporadas seguidas (2006/07 a 2013/14) e Bordeaux (apenas em 2009/10) foram outros a representar a França. Os melhores lugares no "clube dos ricos" foram, respectivamente, 14º e 23º lugar.

Até 2011, o PSG nunca havia figurado entre os maiores faturamentos do futebol. Acontece que, depois da compra pela QSI, o clube entrou direto no top 10 das maiores receitas do mundo, faturando 220,5 milhões de euros em 2011/12. Juntos, Olympique (17º lugar no ranking) e Lyon (18º) somaram 267,6 milhões de euros em arrecadação naquele ano.

Desde então, o faturamento do PSG não parou de crescer, e o clube foi escalando posições entre os mais ricos do mundo, já aparecendo no quinto lugar em 2012/13 até sua melhor colocação, em 2014/15, em quarto, só abaixo de Real Madrid, Barcelona e Manchester United.

No último relatório da Deloitte, referente a temporada 2020/21, o PSG foi o sexto clube mais rico do mundo em termos de faturamento, atrás de Manchester City, Real, Bayern de Munique, Barcelona e United, nessa ordem. Foram 556,2 milhões (R$ 2,98 bilhões na cotação atual) em receitas, um crescimento de 152% na comparação com a primeira aparição dos parisienses na lista, já sob a QSI.

Ao se analisar com um pouco mais de detalhe as receitas do PSG é possível entender porque nenhum outro clube da França apareceu entre os 30 maiores faturamentos do futebol – abaixo de equipes, por exemplo, como o Zenit, da Rússia (20º) ou o Southampton, da Inglaterra (26º).

Com direitos de transmissão, em parte do "bolo" que é dividido com outros times do Francês, o PSG arrecadou 201,8 milhões de euros (R$ 1,08 bilhão). É só o 14º clube nesse quesito. O City, líder no ranking, por exemplo, fez 335,9 milhões de euros (R$ 1,8 bilhão) com dinheiro de TV. Mas mesmo o bem mais modesto Leicester supera os parisienses, com a força da Premier League (208,4 milhões de euros em receitas de broadcast, 12ª maior nessa fonte).

O PSG, então, "compensa" esse déficit com sua arrecadação com o chamado "matchday", que é todo o dinheiro proveniente dos jogos, incluindo, por exemplo, bilheteria; e em contratos comerciais – aqui o clube também conta com a força de seus parceiros ligados ao Qatar.

Com o matchday, a fonte de receita mais impactada com a pandemia de COVID-19, nenhum clube faturou mais do que o PSG em 2020/21: 17 milhões de euros (R$ 91 milhões). Já em contratos comerciais, os parisienses fizeram impressionantes 337,4 milhões de euros (R$ 1,81 bilhão), só abaixo do Bayern no quesito (345,2 milhões de euros ou R$ 1,85 bilhão).

Dinheiro entra em campo?

Ser tão mais ricos do que qualquer outro rival local faz com que o PSG tenha estrelas como nenhuma equipe é capaz – nesse caso, inclusive, quase em todo continente europeu.

Em termos de avaliação de elenco, segundo o site especializado "Transfermarkt", o grupo que inicia a temporada 2022/23 do Francês com a camisa do atual campeão vale 933,1 milhões de euros (mais de R$ 5 bilhões). Quem vem atrás nesse ranking, o Monaco, tem time que vale quase que um terço disso: 337,8 milhões de euros (R$ 1,8 bilhão).

Analisando individualmente os astros da Ligue 1, o domínio dos que defendem o PSG também é absoluto. Em outro ranking do Transfermarkt, dos 10 jogadores mais valiosos da temporada que se inicia nesta sexta-feira, apenas dois não estão às ordens do técnico Christophe Galtier.

O jogador mais valioso da França é Kylian Mbappé, avaliado em 160 milhões de euros (quase R$ 860 milhões), seguido pelos brasileiros Neymar (75 milhões de euros ou R$ 403 milhões) e Marquinhos (70 milhões de euros, R$ 376 milhões).

Os únicos "intrusos" da lista ficam fora do top 5. São Jonathan David, atacante de 22 anos do Lille, com avaliação de mercado em 45 milhões de euros (R$ 241,7 milhões), no sexto lugar; e Amine Gouiri, também de 22 anos, do Nice, com 42 milhões de euros (R$ 225,6 milhões), no sétimo posto.

Para manter elenco tão estrelado, o PSG também tem gastos correspondentes. E sua fortuna permite fazer pagamentos impensáveis para qualquer outra das 19 equipes da Ligue 1.

Anualmente, por exemplo, o jornal francês "L’Equipe" divulga os maiores salários pagos pelos clubes locais. Na lista publicada em março de 2022, ainda antes da renovação contratual de Mbappé, só nove dos 30 maiores vencimentos do país não eram de jogadores do PSG.

Absolutamente todos os 10 maiores salários do futebol francês são pagos para jogadores parisienses, claro, com o trio Neymar, Messi e Mbappé no topo.

O primeiro jogador a não ser do PSG que figura nesse ranking é Ben Yedder, do Monaco, com ganho de 650 mil euros (R$ 3,5 milhões mensais), no 15º lugar. É o mesmo salário pago a Ander Herrera, que fez 19 jogos como titular na última temporada no clube de Paris.

Em 2021/22, o PSG foi campeão francês pela décima vez quando ainda faltavam quatro rodadas para o fim da competição. O clube somou 86 pontos no total ao final da Ligue 1, 15 a mais do que o Olympique, que ficou com o vice fazendo 71. Foram 26 vitórias parisienses ao longo de 38 partidas, com oito empates e quatro derrotas.

Ao menos na França, o dinheiro tem, sim, falado mais alto em favor do PSG.

Programe-se

O Campeonato Francês 2022/23 tem início nesta sexta-feira, às 16h (horário de Brasília), com o Lyon de Lucas Paquetá enfrentando o Ajaccio, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.

Veja abaixo todos os jogos da primeira rodada:

Sexta-feira, 5 de agosto
16h - Lyon x Ajaccio - AO VIVO pela ESPN no Star+

Sábado, 6 de agosto
12h - Strasbourg x Monaco - AO VIVO pela ESPN no Star+
16h - Clermont x PSG - AO VIVO pela ESPN no Star+

Domingo, 7 de agosto
8h - Toulouse x Nice - AO VIVO e EXCLUSIVO pela ESPN no Star+
10h - Lille x Auxerre
10h - Lens x Brest
10h - Montpellier x Troyes
10h - Angers x Nantes
12h05 - Rennes x Lorient - AO VIVO e EXCLUSIVO pela ESPN no Star+
15h45 - Olympique de Marselha x Reims - AO VIVO pela ESPN no Star+