Perrengues pelo Flamengo: de apanhar da polícia a barrado no Peru, Thiago Lacerda conta o que já fez para ver time do coração

O ator Thiago Lacerda poderia escrever um livro sobre as histórias que viveu para acompanhar o Flamengo. Algumas delas foram contadas durante a participação de Thiago Lacerda no Resenha, que vai ao ar nesta sexta-feira (22), às 22h (de Brasília), no pacote premium do Disney+.

Entre as mais marcantes está a do dia 6 de dezembro de 2009. Liderado por Petkovic e Adriano Imperador, o Flamengo arrancou no segundo turno e chegou na última rodada precisando de uma vitória sobre o Grêmio, no Maracanã, para acabar com um jejum de 17 anos sem ser campeão do Campeonato Brasileiro.

E Thiago Lacerda estava nas arquibancadas do Maracanã para comemorar o título com a torcida rubro-negra. Antes, porém, o ator passou por alguns perrengues, como apanhar da polícia ao furar a fila para entrar no estádio.

"Naquele jogo, não podia deixar de estar lá, comprei o ingresso cedo. Na véspera, me ligam. 'Vamos fazer um jogo beneficente, joga com a gente uma preliminar'. Falei: 'pô, numa final de Brasileiro'. Falei que tava com o ingresso, combinei de jogar só o primeiro tempo. Joguei, tomo um banho correndo no vestiário, sai, encontrei um cara de crachá da Sudeste. Perguntei como eu chegava no Belini por dentro, ele disse que eu tinha que sair. E olhava para fora, era um mar de Rubro-Negro. Falei: 'meu irmão, não faz isso comigo, eu estou com o ingresso, joguei o primeiro tempo. Se eu sair, eu perco o jogo'", contou.

"Ai olhei, faltava 1h30, pensei, vai dar. Aí sai, quando chego, a fila do Belini dava volta no Maracanã, eu não ia conseguir entrar no estádio. Quando eu estou apavorado no meio da praça, vejo que estoura uma porradaria com a torcida e a polícia, cavalo, cachorro, cacetete, spray de pimenta. Pensei, pronto, é minha deixa. Sai correndo e o cavalo vindo atrás, quando a polícia chegou perto, eu furei a fila e entrei. Quando aconteceu isso, senti uma mão no meu cangote, e o cara me puxa, e me deu uma, duas... na nona, ele decidiu olhar para mim, ele largou a borracha, ai ele falou: 'seu Thiago'. Imagina o cara fardado, congelado, batendo num cara que ele conhece. Ai falei: 'po, você estava me batendo'. Ai ele falou que eu tava furando fila. Os caras da grade olhando", continuou o ator.

"A galera ficou comovida e me deixaram entrar. Ficaram com pena. Me acolheram. Vi o jogo com a perna deste tamanho. Fui gravar no dia seguinte, ainda bem que a cena era sentada, consegui fazer o texto, mas, cara, levei muita porrada. Vi o Angelim fazer aquele gol, Grêmio 1 a 0, falei: 'cara, não é possível, hoje não'. Mas no final deu certo", comemorou.

Outra vez que Thiago Lacerda quase não comemorou um título do Flamengo aconteceu 10 anos depois.

Na ocasião, o ator precisou inventar uma história para convencer a funcionária responsável da imigração para entrar em Lima, no Peru, palco da final da CONMEBOL Libertadores entre Flamengo e River Plate.

"Quando cheguei no Peru, quase não entro. Chego eu no Peru, foi meio de improviso, falaram que não precisava de passaporte para entrar, que um documento com foto resolvia. Fui com a CNH. Quando chego na imigração, a mulher olhou, falou que eu não poderia entrar. Era o dia anterior ao jogo", lembrou.

"Comecei a falar que eu precisava entrar, inventei uma história, tão triste, me emocionei, porque de fato não ia entrar. Como eu voltava pro avião? Comecei a contar uma história do tio do meu pai, que eu tinha prometido... eu sei que apavorei tanto a mulher, que a policial se levanta, pega no meu braço e falou: 'um momentito'. Me levou para uma sala com pouca gente. Eu chorando com meu espanhol horroroso. Aí ela disse: 'o senhor vai entrar no Peru, mas para qualquer efeito, o senhor perdeu seu documento em Lima'. E a gente ganha aquele jogo espetacular", destacou Lacerda.

Nas arquibancadas do Estádio Monumental, o ator viu o Flamengo virar sobre o River Plate com dois gols de Gabigol nos minutos finais do segundo tempo.

"Eu desconfio que o Flamengo ó ganhou porque eu consegui passar. Foi uma das maiores alegrias que tive com o Flamengo. O primeiro gol foi libertador, ninguém no estádio achava que o Flamengo faria aquele com naquele momento. E o Flamengo não jogou exatamente bem aquele jogo, principalmente o primeiro tempo. Foi angustiante, sofri muito. O segundo tempo foi melhor, o Arrascaeta, Gabriel e Everton perderam exatamente o mesmo gol. Pensei, cara, não vai entrar. Quando sai o primeiro gol, foi uma catarse, um misto de emoção e tudo mais. Quando eu estava recuperando a emoção do primeiro gol, sai o segundo. Eu rolava as arquibancadas de Lima com a torcida, parecia que eu tava no Maracanã nos anos 80. Uma loucura, 38 anos de 40 e tantos milhões de torcedores, entalado. Um momento histórico, acompanhei toda a campanha neste ano, não podia deixar de ir", encerrou.