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Ex-Flamengo diz qual melhor lugar para Paquetá e defende Evertton Araújo: 'Fisicamente tem a característica do Casemiro'

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Ex-Flamengo vê Paquetá com qualidade 'incomparável' e diz o que falta para estrela se readaptar ao Brasil (4:13)

Jogador concedeu entrevista exclusiva à ESPN (4:13)

Após se garantir na semifinal do Campeonato Carioca, o Flamengo vira a chave para a decisão da CONMEBOL Recopa. Na Argentina, na próxima quinta-feira (19), o Rubro-Negro visita o Lanús pelo jogo de ida, em duelo que terá transmissão ao vivo no plano premium do Disney+, a partir das 21h30 (de Brasília).

E o duelo também será uma chance para Lucas Paquetá, que marcou o seu primeiro gol no clássico contra o Botafogo, seguir ganhando confiança em meio à readaptação nesta volta ao Brasil. E um ex-rubro-negro, que assim como o meia saiu do Ninho do Urubu, aconselhou o estrelado reforço.

Em entrevista à ESPN, o volante Luiz Antônio, campeão da Copa do Brasil com o Flamengo em 2013 e que hoje atua no Hai Phong, do Vietnã, analisou os primeiros passos de Paquetá nesta volta ao clube que o revelou e disse como o camisa 20 pode ajudar ainda mais Filipe Luís.

Para ex-rubro-negro, Paquetá ainda está se adaptando novamente ao futebol brasileiro, mas, em questão de tempo, o meia naturalmente vai se sobressair entre os demais da posição no país.

"O Paquetá é nível seleção, Premier League. Quando eu jogava no Flamengo ele era mais novo, a gente se via na base, só que ele era muito mais novo do que eu, a qualidade a gente já via. Na época ele era franzino, pequenininho, hoje ele já é maior, mais forte. A qualidade dele é incomparável, ele tem um nível diferente, tanto é que é jogador de seleção, jogou no Lyon, Milan, estava no West Ham, tem muitos anos de experiência. Acho que ele vai voltar, sim, a se adaptar, vai precisar de ritmo, de jogo, o time do Flamengo em si está cada vez mais ganhando ritmo, só vai ganhar ritmo jogando", começou por dizer.

"Com o elenco que (o Flamengo) tem, fazendo trocas e substituições, eu acho que ele vai voltar a se adaptar. O futebol brasileiro e a torcida, isso precisa de tempo, e normalmente no Brasil não se dá. É se adaptar, tudo é de uma forma diferente, o ritmo é diferente, o calendário do Brasil não ajuda muito, lá ele estava no meio da temporada e aqui no início. Por mais que ele venha bem fisicamente, é completamente diferente o campeonato. Ele pensa em ir para a Copa, acho que ele tem grandes chances, aos poucos que ele for jogando, vai se adaptar. Ali na posição tem vários jogadores muito bons, acredito que agora, talvez, ele não possa mostrar devido à adaptação a superioridade dele no futebol brasileiro. Como tem o Gerson voltando a se adaptar, agora o (Jhon) Arias, que vai ter que se adaptar ao futebol brasileiro (no Palmeiras), Jorginho, que se adaptou no Flamengo, o Pulgar, Cebolinha, Alex Sandro, Danilo. Leva tempo e acredito que aos poucos vai conseguir se adaptar rapidamente", prosseguiu.

O ex-rubro-negro ainda falou sobre o posicionamento de Paquetá, que nos primeiros jogos fez uma função parecida à sua em 2013, quando jogou aberto pela direita. E para Luiz Antônio, o meia tem tudo para se adaptar.

"Eu jogava aberto para chegar ao ataque por trás, dando suporte para o time quando era atacado pela direita e também para ajudar o lateral na marcação. Apesar dele ser canhoto e ter facilidade de cortar para dentro e jogar em um espaço mais fechado, acho que ele (Paquetá) bem fisicamente, com a inteligência que ele tem, com a forma que o Flamengo está jogando, facilita muito. O time do Flamengo tem posse de bola, então ele vai estar sempre posicionado, dependendo da movimentação que o Filipe Luís quer. Acredito que ele vai se adaptar rápido, vai ser bom para ele, aos poucos ele vai se soltando. Ele entra muito na área, ao contrário de mim naquela época, eu usava mais o corredor, ele provavelmente vai usar mais a parte de dentro para dar espaço para o lateral. Acredito que ele possa dar o suporte por trás dos atacante e até invadir bem a área, isso facilita. São características um pouco diferentes, mas que me ajudaram a me adaptar naquele momento. O Flamengo jogava de uma foram diferente, o Léo Moura atacava muito pelo lado, até pelo lado esquerdo, tinha o Paulinho e outros que jogavam aberto. Os nossos jogos era muito pelo lado esquerdo e eu fazia mais o suporte por dentro, como se fossem três volantes. Essa é uma das características do futebol de hoje, contribuiu para o jogador que joga em várias posições. O Gerson jogava na mesma posição que eu e o Paquetá, e são dois canhotos, e o Gerson foi muito bem jogando naquela posição. Acredito que (o Paquetá) tem tudo para se adaptar ali, tem tudo para ir bem e dar muitas alegrias para o Flamengo nesse momento", disse.

"Um ponta tem que acompanhar o tempo inteiro o lateral, o volante e o ponta que está jogando daquele lado. Você tem um desgaste maior, jogando como um 10 ou um meia, você também corre, movimenta bastante, mas não tem tanto aquela obrigação de marcar, apesar de do futebol hoje em dia todo mundo ter que marcar. Não tem como botar o Arrascaeta para marcar de ponta se ele sempre marcou por dentro. É característica, o Paquetá tem um pulmão maior, o Arrascaeta já não consegue. Apesar de achar que o Arrascaeta não marca muito, a inteligência e a forma que ele joga superam tudo o que ele não marca. Um jogador não marcar dos 11, até dá para se entender, mas, mais de um, é difícil. Por mais que ele já tenha jogado de ponta, ele precisa dessa adaptação, é um pouco mais sacrificante, precisa às vezes acompanhar mais o lateral até o final, o volante por dentro, quando a bola está do outro lado, depois atacar de novo. No início pode ser sacrificante, é um pouco diferente, ele está se readaptando a marcar ali, o desgaste vai ser maior, mas dependendo da tabela, do time contra quem está jogando, pode ter uma funcionalidade muito importante para o Flamengo no resta da temporada e nos jogos mais importantes que possa precisar dele."

Luiz Antônio não descarta, inclusive, a possibilidade de Paquetá jogar como volante, função que fez na vitória sobre o Botafogo nas quartas do Carioca.

"Ele tem a facilidade de jogar em várias posições. Meia pela esquerda, ponta aberto, volante, camisa 10, segundo atacante, falso 9. Isso facilita muito para ele, eu não fecharias as portas para ele jogar de volante. Dependendo da situação do jogo, pode ser que o Filipe Luís use ele, apesar de termos dois grandes volantes, o Jorginho e o Pulgar, mas dependendo da situação, a temporada é longa. O Filipe Luís é muito inteligente, existem variações dentro do jogo, nem sempre a gente está por dentro do que acontece ali na hora, do que é treinado, da forma que é treinada a movimentação dele. Mas acredito que ele vai se adaptar, vai evoluir e tem grandes chances de se dar bem no Flamengo e ter a sua vaga garantida para a Copa do Mundo", continuou, citando ainda que o ritmo de jogo e a parte física são quesitos que Paquetá ainda precisa melhorar.

"A parte física, o ritmo de jogo, o entendimento de como o Filipe Luís quer que ele jogue. Eu de fora e a imprensa, não sabemos o que se passa dentro do campo, o que o Filipe quer, e hoje o futebol é muito mais analisado. Antigamente, os times jogavam de uma forma só, não tinha análise. A parte física, que é muito importante, ele vai adquirir, a confiança ele tem, não é tão veloz como antes, mas tem o controle de bola, técnica, invade a área, é agressivo, tem a finalização muito boa. Isso vai ajudar muito ele no time do Flamengo, o controle do jogo é muito bom para o Flamengo, e ele ajuda nesse controle por ser inteligente. Essas são as facilidades que ele tem. Futuramente, com ritmo, que ele não tem agora, ele vai se adaptar rapidamente. Ele nunca foi tão rápido, mas o pulmão e a inteligência fazem ele ter uma leitura muito boa. Tanto é que jogou na Premier League e em outras ligas e está disputando vaga na seleção brasileira para a Copa do Mundo"

'Fisicamente tem a característica do Casemiro'

Luiz Antônio também destacou outro nome do meio-campo do Flamengo, que vem ganhando espaço com Filipe Luís: o volante Evertton Araújo. O ex-rubro-negro falou sobre as qualidades do prata da casa e o comparou fisicamente a Casemiro, do Manchester United e da seleção brasileira.

"A força física dele, está adequado ao futebol moderno. Tem bom passe, boa técnica, marca muito bem. Não é um cara que você vai esperar um passe diferente, uma enfiada de bola que deixe na cara do gol, uma finalização tão boa igual tem o Pulgar, De La Cruz, Arrascaeta, mas em relação à marcação, parte física, qualidade de passe, ele é muito bom nisso. Ele aprendendo com esses jogadores mais velhos que estão lá, se ele for um menino que escuta e presta atenção no que falam, ele pode evoluir e virar um volante mais moderno e mais completo nas deficiências que ele possa achar que tem", disse.

"Ele tem praticamente as mesmas características, fisicamente, do Casemiro, só que o Casemiro tem o passe mais para frente, tem assistência, a finalização do Casemiro é um pouco melhor. São características que ele pode evoluir treinando, talvez uma passe entre linhas que gere uma assistência, igual o Arrascaeta tem a facilidade, mas treinando, a finalização ele tem, os passes, lançamentos, a facilidade com as duas pernas. O Casemiro tem a leitura muito boa, lê muito bem o jogo apesar de não ser rápido, e o Evertton é rápido, mais forte e mais novo, a leitura do Casemiro de jogo é muito grande. São características bem parecidas, com poucos detalhes que o Casemiro, devido à experiência na Europa, leva dele. Mas ele tem todas as características para se tornar bem semelhante ao Casemiro", continuou.

Por último, o ex-volante do Flamengo ainda falou sobre a desconfiança que Evertton sofre da torcida, ainda que venha se destacando dentro de campo neste começo de temporada, e lembrou que passou por algo parecido após subir da base.

"Quando você é um menino da base, em um time que não é recheado de jogadores igual tem hoje no profissional (do Flamengo), por mais que você tenha pressão da torcida, é mais compreensível pelo lado deles. É um menino da base, não temos outros naquela posição e assim vai. Hoje no Flamengo, são muitos jogadores na posição dele que são muito bons: De La Cruz, Jorginho, Pulgar, o próprio Paquetá, que pode jogar ali. A cobrança hoje em dia, devido ao nível que o Flamengo se tornou, é muito maior do que antes. Mas acredito que são características diferentes dos demais, até de meia mesmo. Acredito que ele é um pouco mais defensivo, marca muito bem, está bem fisicamente, isso mostra o quanto ele se cuidou nas férias, o quanto ele se preparou. Até vi que ele fez uma academia dentro da casa dele, se focou mais, isso é importante, o mental dele está forte. As críticas são difíceis, mas tem que estar ali sempre preparado, uma oportunidade pode acontecer e aí muda tudo. No momento que o Jorginho e Pulgar não estejam bem, o De La Cruz, o Paquetá, o Filipe chegue e dê a confiança para ele. Pelo que parece, o Filipe Luís gosta muito dele por ele escutar e facilite ele. A partir do momento que ele começar a jogar, ganha confiança, e com o potencial que ele tem, virar titular e deixar outros caras, que são medalhões, no banco. Depende muito do que ele fizer, mas a cobrança é muito grande devido ao alto nível dos jogadores e do que o Flamengo se tornou", concluiu.

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Luiz Antônio destaca qualidades de Evertton Araújo e compara volante do Flamengo a Casemiro: 'Fisicamente tem a característica'

Jogador concedeu entrevista exclusiva à ESPN

Flamengo e Lanús voltam a se enfrentar no Maracanã, no dia 26 de fevereiro, às 21h30, também com transmissão ao vivo no plano premium do Disney+.

Onde assistir a Lanús x Flamengo?

Lanús x Flamengo, pela CONMEBOL Recopa, nesta quinta-feira (19), às 21h30 (de Brasília), tem transmissão ao vivo no plano premium do Disney+.

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