O Cruzeiro viveu de tudo na década entre 2011 e 2020. Nos primeiros anos, foi bicampeão brasileiro com um time que encantou o Brasil. Depois, voltou a brilhar com dois títulos consecutivos da Copa do Brasil, mas viu a sina de conquistas encerrar com o rebaixamento para a Série B.
Essa "montanha-russa" de emoções foi vivida de perto por personagens que fizeram parte tanto da geração vencedora, como da que ficou marcada por um dos maiores vexames da história do clube. Um deles é Robinho.
Contratado do Palmeiras em 2016, o meia foi fundamental no bicampeonato da Copa do Brasil, em 2017 e 2018, e também no título do Campeonato Mineiro, em 2019, mas, meses mais tarde, não conseguiu evitar a queda.
Em entrevista ao ESPN.com.br, o jogador, atualmente no Avaí, ainda lamenta o que aconteceu quatro anos atrás. E acredita que a principal causa para o rebaixamento foi a opção da diretoria em trocar o treinador, mandando embora Mano Menezes, multicampeão pelo clube.
"Eu não tenho dúvidas. Claro, teve problema de salário atrasado, as coisas que saíram no Fantástico (investigações por operações irregulares no clube), isso abalou muito o grupo, mas o Mano tinha o elenco na mão. Todo mundo respeitava ele. Certas coisas que aconteceram, com ele não aconteceriam. O Mano tiraria um jogador do time se não tivesse rendendo, colocaria outro, e o jogador ia ficar quietinho. É um cara experiente, multicampeão. Só que o contexto do futebol é que a gente vinha mal, não estava ganhando, mas o ano não estava perdido. Era no Brasileirão que a gente estava mal, a gente até podia reverter na Copa do Brasil contra o Inter, mas quando ele saiu, desandou bastante. Ele estava há quatro anos com a gente, isso faz diferença."
Segundo o meia, a saída do treinador abalou o elenco, que teve problemas com o substituto, Rogério Ceni, nome pedido pelos próprios jogadores.
"O Rogério estava começando. Já tinha feito um grande trabalho no Fortaleza, e foi até um pedido dos jogadores. Passaram alguns nomes, a gente conversou e acho que ele seria a melhor opção para assumir. Eu confesso que gostava muito do Rogério. Os trabalhos que ele vinha fazendo, eu imaginei que ele seria top. E ele virou, tanto que está no São Paulo. Não tenho dúvidas que vai ganhar muitos títulos, pois conhece muito futebol", contou Robinho.
"Ele tinha esquemas táticos que eu nunca tinha visto, me surpreendeu muito. E estava dando certo, só que de repente alguns problemas particulares entre os jogadores e ele deram errado e ele saiu depois de dois meses", iniciou ele, antes de revelar toda a idolatria que sempre teve pelo ex-goleiro.
"Eu acho que o principal motivo foi o relacionamento. A gente teve no começo um bom relacionamento, mas depois não. Muitas entrevistas de jogadores, dele também, acabaram abalando o time e aconteceu o que aconteceu, mas era um cara que eu tinha muita esperança que ia dar resultado", disse o meia.
"Eu sempre fui são-paulino na minha infância, então eu olhava o Rogério Ceni e ele era o meu ídolo. Era um cara que eu tinha uma esperança muito grande. Tinha feito gols nele já, mas eu nem lembrava, eu só pensava 'caraca, o Rogério está aqui e eu sou são-paulino'. E eu não tive a oportunidade de ter pedido uma camisa dele para dar para o meu pai."
Treinador asumiu o time após a demissão de Mano Menezes, mas ficou pouco tempo no cargo
'O Cruzeiro me deve dois anos e meio de salário'
Rogério Ceni durou pouco, o Cruzeiro ainda teve mais dois técnicos em 2019, e o rebaixamento aconteceu. Se dentro de campo o time se desorganizou, fora dele, a bagunça foi ainda maior. E são muitos os jogadores que já deixaram o clube e ainda têm um bom dinheiro a receber.
Nos últimos dias, o ex-atacante Fred acionou o clube e a atual gestão de Ronaldo Fenômeno na SAF, na Justiça do Trabalho, em razão de uma dívida avaliada em mais de R$ 30,5 milhões. Robinho vive situação semelhante.
"O Cruzeiro me deve dois anos e meio de salário. Agora virou SAF, está contratando um monte de jogador e nada de me pagar. Eu dei a minha vida para conseguir bons contratos, melhorar a vida dos meus pais, e aí o clube para de me pagar. Eu tive que mudar o meu patamar. Tudo que eu organizei com o valor, tive que dar uma segurada. E o clube continua normal", reclamou o jogador.
"Está na Justiça, mas tem que aguardar. Quem sabe o Kauã (filho do jogador) receba um dia. A gente brinca, mas é uma coisa difícil de explicar. O Mano um dia disse que isso é uma maneira de burlar a lei. Você cria uma SAF, eu entendo que o clube precisa de uma SAF para sobreviver, mas por que não paga? Paga os dividendos que têm e depois segue", desabafou ele.
Próximo jogo do Cruzeiro
Democrata (C) - sábado (4), 18h30 - Campeonato Mineiro
