Executivo de comunicação do Cruzeiro, Vinicius Lordello detalhou à ESPN sobre o processo de reaproximação entre clube e torcida após traumas: 'Relacionamento desgastado'
Após ser campeão sem estar em campo, o Cruzeiro vai reencontrar sua torcida nesta quarta-feira (05) para celebrar a conquista do título da Série B, coroando o retorno do clube à elite nacional em 2023. Com expectativa de superar os 60 mil torcedores no Mineirão no confronto diante do Ituano, a Raposa prepara uma celebração histórica.
Além da recepção ao elenco que devolveu o clube celeste à Série A, os torcedores ainda terão a oportunidade de acompanhar a partida entre o time feminino e o Araguari, pela 3ª rodada do Campeonato Mineiro.
“Mais do que pensar na festa, a gente tem que pensar no que envolve o jogo de futebol. Para essa quarta-feira a gente fez um movimento diferente. A gente vai levar as Cabulosas, que é nosso time feminino, para jogar antes do masculino. Mas alguém vai dizer: ‘Poxa, mas não é uma festa de fato, com pirotecnia...’. Hoje em dia, até por uma questão de gramado, os times têm evitado esses jogos prévios. Mas a gente entendeu que era importante levar a conexão da torcida do time masculino para o feminino também. E a gente ainda vai ter alguma festa”, revelou à ESPN o executivo de comunicação do clube, Vinicius Lordello.
“Durante muito tempo a gente era cobrado para ter festa durante os jogos, e no Cruzeiro a gente levou muito a sério a disputa, tanto pelo acesso quanto pelo título. A gente só foi fazer uma festa de fato quando era o jogo do acesso, contra o Vasco. Era uma cobrança que dentro de casa tinha, mas a gente tinha muito conforto em dizer não. Essa seriedade nasce de dentro para fora”.
Com o título e o retorno à elite do Campeonato Brasileiro garantidos, o Cruzeiro quer avançar ainda mais no processo de reconexão com os torcedores. Uma relação que, na visão do clube, ficou estremecida nos últimos anos.
E como uma instituição em crise se reaproxima de sua torcida?
Segundo Vinicius Lordello, esse processo só foi possível por passar a ouvir os cruzeirenses da forma mais direta da atualidade: as redes sociais.
“Começamos o trabalho de reconexão com a torcida ainda no ano passado. Encontramos um clube com uma torcida que não estava conectada. Era um clube que não estava na mesma energia da torcida. A gente começou um trabalho de escutar muito a torcida pelas redes sociais. Como a gente conversa com eles, qual era o tipo de conteúdo, como era que a gente levava conteúdo, por vezes sério, por vezes mais bem-humorado. Mas ouvir a torcida”.
“No final do ano passado, no jogo de despedida na Série B, tinha a despedida do Cabral e do Sóbis. A gente não tinha dinheiro para fazer uma festa gigantesca para os dois. Mas a gente fez daquele movimento um engajamento para o último jogo. A gente teve no último jogo da Série B do ano passado o Mineirão completamente lotado”.
Vinicius Lordello concedeu entrevista exclusiva ao ESPN.com.br
“Ali a gente começou a ter um processo de reconexão. Não de como a gente tratava a torcida, mas como ela poderia ver no clube algo que eles esperavam. E isso continuou ao longo desse ano, quando chega o Ronaldo, quando tem essa reconstrução com SAF. O mais importante nesse trabalho de reconexão foi sempre falar com a torcida de forma honesta e transparente”.
O cenário atual do clube, no entanto, é diferente daquele encontrada quando o diretor chegou a Belo Horizonte, meses antes de Ronaldo assinar a intenção de compra de 90% da SAF do Cruzeiro, que previa o investimento de R$ 400 milhões em até cinco anos. Naquela época, a Raposa acumula dívidas na casa de R$ 1 bilhão.
“Quando cheguei lá em vi um clube estruturalmente à beira da falência. E estou falando sobre a área que me cabe, não sobre o futebol. Eu cheguei ali e as pessoas que trabalham comigo na produção de conteúdo não tinham câmera. Se você me perguntar qual é o histórico que a gente tem de foto e vídeo do Cruzeiro, eu vou te falar que não tem. Não tinha onde guardar. Não tinha HD, não tinha nuvem, não tinha nada”.
“Era um clube desgastado com a torcida, e isso para mim era o mais triste, mas também com o mercado. Quais eram os patrocinadores que queriam estar junto a um clube que, por mais que tenha história absolutamente linda, naquele momento era desestruturado. Não demorou muito para chegar e perceber a situação caótica que estava no clube. Quem estava lá, mesmo nesse momento pré-SAF, já tinha uma seriedade. Dentro de uma história recente do Cruzeiro, eu encontrei pessoas sérias. E isso foi um afago profissional. Não foi à toa que o processo da SAF foi ágil. Agora, por mais que você seja sério, tinha um clube sem estrutura nenhuma. É muito difícil de fazer andar”.
“A gente conseguiu um crescimento importante do clube nas redes sociais nesse ano, e posso garantir que ele é rigorosamente orgânico, não teve um centavo de estímulo. A gente teve um crescimento que beira 30% sem um centavo à mais de impulsionamento. Quando eu fui era porque era uma crise institucional de verdade. O Cruzeiro que existia no fim de novembro era institucionalmente o clube em maior crise no Brasil. Muito longe de eu ter feito o trabalho sozinho. Obviamente conta com muita gente. Tem o processo da SAF, o Ronaldo que chegou, mas a seriedade já existia. O que passou a ter é uma credibilidade que o Ronaldo entrega”.
O Cruzeiro tem 71 pontos na liderança da Série B em 32 rodadas. Após o Ituano, nesta quarta-feira, a Raposa ainda enfrenta Sport, Vila Nova, Guarani, Novorizontino e CSA na reta final da competição.
