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Sem dinheiro, Corinthians 'vende' receita futura da Nike e antecipa R$ 70 milhões em patrocínios para pagar contas

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Corinthians 'vende' receitas futuras em troca de adiantamento de valores de patrocinadores (1:31)

Veja informações de Diego Garcia (1:31)

O Corinthians recorreu a dois adiantamentos de patrocínios em fevereiro para ajudar a quitar compromissos e pagar suas contas.

Primeiro, o clube recorreu a uma antecipação junto à casa de apostas Esportes da Sorte, no dia 27, no valor de R$ 46.978.743,15; Depois, contratou um adiantamento da fornecedora Nike junto ao Banco Daycoval, de R$ 23.750.000,00. No total, mais de R$ 70 milhões adiantados.

Essas informações constam em documentos anexados junto ao RCE (Regime de Centralização de Execuções) movido pelo clube na Justiça de São Paulo.

Emerson Piovesan, diretor financeiro, confirmou à ESPN os adiantamento de patrocínios. Ele apontou que são valores dentro dos contratos e que não comprometem o montante total. Ele não respondeu sobre a operação com o banco.

Na última quarta-feira (22), a Laspro, empresa nomeada administradora judicial do regime, fez essas observações em documento enviado ao tribunal.

O perito destacou que, com isso, a divida do Corinthians com o Daycoval aumentou.

"A análise da variação do passivo circulante, com base no balancete patrimonial, evidencia que o saldo da conta 'empréstimos' evoluiu de R$ 361,4 milhões em janeiro para R$ 381,9 milhões em fevereiro, indicando aumento bruto do endividamento no período. Destaca-se, nesse contexto, a elevação específica das obrigações junto ao Banco Daycoval, cujo saldo passou de R$ 111,3 milhões para R$ 132,1 milhões, refletindo a contratação de novas operações financeiras, notadamente aquelas vinculadas à antecipação de recebíveis e captação de recursos para suportedo fluxo de caixa", disse a administradora.

Ou seja, na prática, o clube "vendeu" suas receitas futuras vindas da fornecedora de material esportivo, no caso, a Nike, em troca de a instituição financeira adiantar esses valores, que serão devolvidos assim que o patrocínio for pago, com juros e taxas.

Procurado para comentar as infos sobre a operação envolvendo o banco, o clube disse que votará as contas na próxima segunda-feira (27) e, por ora, não comentará as informações

Vale lembrar que o momento financeiro do Corinthians é delicado, com dívidas de cerca de R$ 2,7 bilhões, mas que o clube vem tentando se reerguer.

No RCE, por exemplo, conseguiu a homologação de um plano de pagamento que pode quitar até R$ 700 milhões de créditos recorrentes de execuções na Justiça, em um prazo de 10 anos.

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