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Diretor do Corinthians vê SAF como caminho, detalha dívida de R$ 2,7 bilhões e diz: 'Dá para pagar em cinco anos'

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Emerson Piovesan, diretor financeiro do Corinthians, sobre a dívida com Memphis Depay e o contrato feito com o jogador (2:38)

O diretor deu entrevista ao Alambrado Alvinegro (2:38)

Atravessando um momento de crise financeira, o Corinthians tenta olhar administrativamente para uma “luz no fim do túnel” em relação aos problemas decorrentes da dívida de R$ 2,7 bilhões.

Às vésperas da divulgação dos números de 2025, que agitam politicamente o quente ambiente de bastidores do Parque São Jorge, o momento na diretoria é de confiança sobre o plano de ação no enfrentamento aos desafios no caixa alvinegro.

Entre os caminhos estão planos de ação coletiva como o Regime de Centralização de Execuções (RCE) para quitar dívidas de R$ 190 milhões com diversos credores, a aquele aprovado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), para pendências de R$ 76 milhões na CBF ligadas a clubes, agentes e jogadores.

O Timão chegou recentemente a um acordo com Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para pagamento de R$ 1,2 bilhão em débitos não previdenciários, previdenciários e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), reduzindo o valor para R$ 679 milhões em dinheiro após receber um desconto de 46,6% em cima de juros, multas e encargos.

“Hoje a dívida total está em R$ 2,7 bilhões, já incluindo o estádio. Com a transação tributária que nós fizemos, tivemos um ganho tributário de R$ 217 milhões. Então R$ 2,5 bilhões, que ainda tem alguma coisa de juros que a gente paga”, disse Emerson Piovesan, atual diretor financeiro do Corinthians, em entrevista ao podcast Alambrado Alvinegro.

“Os juros são muito altos. Só na Arena são CDI+2 (cerca de 16,5%). Isso tem um encargo bastante grande no crescimento da dívida. A gente tem uma dívida de curto prazo por volta de R$ 180 milhões, que é uma dívida que tem que pagar até o final do ano, considerando inclusive as parcelas da RCE, da CNRD. Isso ainda deve abaixar mais um pouco por dentro da RCE nós termos valores retidos judicialmente que vamos fazer um leilão reservo para negociar e pagar os credores”.

Desde meados de 2025 à frente da diretoria financeira do Corinthians, quando retornou ao posto após a chegada de Osmar Stabile, Piovesan mostrou confiança de que o cenário difícil poderá ser resolvido no clube “com as próprias pernas”, desde que com austeridade.

“Se a gente seguir o nosso planejamento, dá para pagar em cinco anos”, afirmou o dirigente, destacando as ações tomadas pelo departamento para aliviar o “estrangulamento” do clube em relação às finanças.

“Estamos tendo uma governança na área financeira. Qual foi o gasto que nós tivemos? Zero. Só pagamos dívidas até agora. Esse é o primeiro passo. Como você vai colocar combustível em um foguete que está subindo? Tem que tirar o combustível, e nós tiramos. E isso é significativo”.

“Estamos mudando toda a parte de esportes olímpicos do clube, fazendo algumas reduções. É polêmico, mas é a realidade hoje. Faço isso hoje, mas amanhã posso ter tudo outra vez e melhor, com recursos e tudo, mas hoje não tenho. Não adianta querer assumir certas coisas e depois acontecer o que está acontecendo. Que nós herdamos e tendo que pagar as dívidas. De tudo o que a gente tem que pagar dá R$ 180 milhões. Já pagamos R$ 80 milhões (Matias Rojas e Santos Laguna). Não dá para parar o clube e simplesmente não fazer mais nada. Tem contrato para honrar. Chega lá e tem 80 moleques na base que não serve para nada, tem que reduzir. Mas tem contrato e custa dinheiro. Como você faz para tirar? Tudo custa dinheiro. E onde está o dinheiro?”.

Questionado ainda sobre a possibilidade de transformação do Corinthians em uma SAF, saindo do modelo associativo vigente, Piovesan admitiu que a possibilidade de um cenário tributário mais vantajoso no Brasil deverá influenciar na decisão.

Ainda assim, avançando como uma 'SAF Corinthians', com ações ligadas ao Parque São Jorge.

“Com os tempos os clubes vão ter que virar SAF. Tributariamente é muito melhor do que ser clube social. Eu sou favorável a ser uma SAF Corinthians, não ter gente externa”.