O empresário André Cury voltou a se manifestar no RCE (Regime de Centralização de Execuções) do Corinthians. Desta vez, ele reforçou um pedido para intervenção judicial no clube, após uma decisão publicada ameaçar o clube, por inconsistências na declaração das receitas de fevereiro.
Defendido pela advogada Adriana Cury, o agente disse, no processo: "A intervenção urgente deste juízo se impõe porque o que está em curso não é mera divergência interpretativa pontual, mas verdadeiro descumprimento da sistemática estabelecida".
O empresário afirmou que o Corinthians vem "criando embaraços indevidos" e "sustentando teses incompatíveis" no decorrer do regime. Também acusou o time de "causar tumulto" no decorrer do procedimento, "gerando prejuízo processual concreto e favorecendo apenas o próprio clube".
A manifestação do empresário vem na sequência de uma decisão judicial que deixou o clube em uma situação ruim no RCE. Nesta quinta-feira, a Justiça de São Paulo ameaçou nomear um interventor judicial no Corinthians, após o clube declarar cerca de R$ 150 milhões a menos de receitas no mês de fevereiro.
Em sua petição, Cury também reclamou de outros pontos, como a ausência de apreciação de um pedido seu para analisar uma tutela de urgência, a competência do juízo da execução individual, a ratificação do tribunal de decisões posteriores proferidas no RCE e o cumprimento de diretrizes pelos credores com a obstrução criada pelo Corinthians.
O empresário alertou para um "perigo de dano" no processo, pois o Corinthians estaria esvaziando as diretrizes impostas pelo Judiciário ao impedir que os credores tenham acesso aos documentos para manifestar, impugnar ou requerer correção de valor ou exclusão.
Na semana passada, Cury já havia pedido pela suspensão do RCE. Ele reclamou sobre divergências dos números na lista de rateio, como a possibilidade de que inicie sem os registros corretos, inconsistências nas planilhas de credores, créditos listados que foram suspensos pelo TJ, entre outros, e quer suspender o início dos pagamentos até que essas irregularidades sejam sanadas.
Entre as reclamações de Cury, na lista colocada pelo perito será usado o valor transferido para a RCE no valor de R$ 14 milhões de um processo de Cury como parte do rateio aos demais credores. Além disso, essa dívida no rateio foi listada como R$ 300 mil, e não R$ 14 milhões. Ou seja, a lista tratada como final não é confiável, além do que o crédito de Cury não foi contemplado. Além desta constatação, apontou que há lançamento na planilha do administrador de crédito inexistente em nome de outro credor.
No total, a dívida com o empresário estaria na faixa dos R$ 40 milhões.
Entenda o caso
Conforme revelado pela ESPN, o Corinthians deixou de declarar cerca de R$ 150 milhões em receitas de fevereiro nos documentos enviados ao RCE (Regime de Centralização de Execuções), mecanismo com o qual o clube conseguiu o parcelamento de suas dívidas executadas na Justiça.
Essa informação consta em petição anexada no processo pelo perito nomeado pelo tribunal para cuidar do caso. O documento destacou que o clube declarou entradas de exatos R$ 64.202.368,75 em fevereiro, enquanto a análise do administrador judicial é que o clube recebeu R$ 213.414.738,29.
Existe, no total, uma diferença de R$ 149.212.369,37 entre o que foi declarado e o que de fato entrou nas contas alvinegras.
O Corinthians já havia se manifestado no processo explicando os R$ 150 milhões, dizendo que "trata-se de uma 'divergência apenas aparente". O clube explicou que os valores inferiores observados pelo administrador judicial são diferenciados por receitas operacionais, não operacionais ou que seriam utilizados em outras formas de rateio, como o leilão reverso, previsto no RCE". O juiz ainda não apreciou a manifestação
Veja a manifestação do Corinthians sobre os questionamentos na RCE
"O Sport Club Corinthians Paulista informa que, no âmbito do Regime Centralizado de Execuções (Processo nº 1189761-87.2024.8.26.0100), foi proferida, em 25 de março de 2026 (às 17h57min), decisão judicial que, dentre outros pontos, determinou a intimação do Clube para prestar esclarecimentos acerca de supostas inconsistências relacionadas à declaração de receitas do mês de fevereiro de 2026, com advertência quanto à eventual nomeação de observador judicial ou interventor em caso de resistência ou inconsistências persistentes..
Contudo, é importante esclarecer que, em momento anterior à referida decisão, o Clube já havia apresentado, tempestiva e formalmente e nos autos do processo, todos os esclarecimentos solicitados pela Administração Judicial.
Com efeito, no dia 24 de março de 2026, às 21h41min, o Sport Club Corinthians Paulista protocolou petição nos autos (fls. 10.332/10.339), detalhando a composição das receitas apontadas e esclarecendo, de maneira técnica e fundamentada, as divergências identificadas, incluindo, entre outros pontos, a distinção entre receitas operacionais e não operacionais, movimentações internas entre contas, operações financeiras, antecipações de recebíveis e receitas provenientes de negociação de atletas.
Antes mesmo do protocolo da referida manifestação, o Clube também realizou reunião com a Administração Judicial, oportunidade em que foram prestados esclarecimentos adicionais e reforçado o compromisso com a transparência e a cooperação no âmbito do Regime Centralizado de Execuções.
Assim, verifica-se que os esclarecimentos já haviam sido prestados e juntados aos autos em data anterior à decisão proferida em 25 de março de 2026, circunstância que será oportunamente levada ao conhecimento do Juízo por meio de nova manifestação formal.
O Sport Club Corinthians Paulista reafirma que sempre atuou de forma diligente, transparente e colaborativa no âmbito do Regime Centralizado de Execuções, mantendo diálogo constante com a Administração Judicial e fornecendo toda a documentação necessária sempre que solicitado.
O clube lamenta o desencontro de informações e repudia o alarmismo e a campanha de descrédito promovida por influenciadores digitais que desconsideram a seriedade e a relevância de um trabalho fundamental para a reestruturação financeira da instituição, prejudicando a comunicação correta entre instituição e torcida.
O Corinthians reitera, ainda, que permanece à inteira disposição do Juízo, da Administração Judicial e dos demais interessados para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais que eventualmente se façam necessários, reafirmando seu compromisso com a regularidade, transparência e efetividade do processo".
