Ex-presidente do Corinthians, Duilio Monteiro Alves se tornou réu por apropriação indébita. A juíza Elaine Cristina Pulcineli Vieira Gonçalves, da 15ª Vara Criminal da Capital, em manifestação na última quinta-feira (05), aceitou a denúncia feita pelo Ministério Público de São Paulo.
Duilio é o segundo ex-presidente do clube a ser oficialmente alvo de processo na Justiça por conta de possível uso irregular de cartões corporativos do Timão.
Antes dele, Andrés Sanchez também se tornou réu por apropriação indébita agravada e continuada.
No caso de Duilio, esses gastos teriam acontecido entre 2021 e 2023 em itens sem relação à função de presidente do Corinthians como hotéis, salão de cabeleireiro, freeshops, loja náutica e restaurantes.
Mesmo aceitando a denúncia, a juíza decidiu não acatar outras demandas do Ministério Público como quebra de sigilo bancário e fiscal e bloqueio de bens, além de outras medidas cautelares diversas da prisão.
A alegação é de que “nenhum risco efetivo para a garantia da instrução criminal ou mesmo da futura aplicação da lei penal, veio devidamente comprovada”.
Os advogados de Duilio Monteiro Alves terão agora dez dias para responderem à acusação, além de destacar se as futuras audiências com o dirigente acontecerão de forma presencial ou virtual.
Ainda de acordo com denúncia do Ministério Público, apresentada em 15 de dezembro, Duilio totalizou R$ 41.822,62 em compras através do cartão corporativo do Corinthians, em valores já corrigidos pela inflação.
Cassio Conserino deu a declaração em entrevista coletiva nesta quarta-feira (15)
Responsável pelo caso, o promotor Cássio Conserino demandou ainda que o dirigente arque com outros R$ 31.366,96 a título de danos materiais ao clube do Parque São Jorge.
Procurado pela ESPN, o ex-presidente se manifestou através de posicionamento do advogado Lucas Lopes Knupp, seu representante no processo.
“A defesa de Duilio Monteiro Alves informa que tomou conhecimento da decisão judicial que recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público, medida que representa o início formal do processo, etapa em que os fatos passam a ser analisados com a garantia do contraditório e da ampla defesa.
Na mesma decisão, a Justiça indeferiu pedidos feitos pelo Ministério Público, como a quebra de sigilos bancário e fiscal, o bloqueio de bens e outras medidas restritivas, por entender que não havia elementos que justificassem tais providências.
A defesa de Duilio Monteiro Alves reafirma sua confiança no Poder Judiciário e no devido processo legal, certos de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos ao longo da tramitação do processo”.
No dia 15 de outubro de 2025, o MP-SP já havia denunciado Andrés Sanchez e Roberto Gavioli por crimes nos cartões corporativos do Corinthians entre agosto de 2018 e dezembro de 2020.
Por conta dos juros e da correção monetária, o MP cobrou o ressarcimento em mais de R$ 480 mil. Além disso, também exige pagamento de R$ 360 mil (75% do valor total) de cada um, por danos morais e materiais ao Corinthians.
A Justiça, no entanto, rejeitou parte da denúncia contra Andrés e Gavioli alegando "falta de justa causa" para as acusações de lavagem de dinheiro e crimes tributários.
